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investigação apura vazamentos antes de operações

Redação Por Redação
4 de abril de 2026
Em Notícias
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investigação apura vazamentos antes de operações
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


Os investigadores da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) que trabalham no caso Master estão rastreando o possível vazamento de informações antes da deflagração das três diferentes fases da operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de supostas fraudes financeiras envolvendo a instituição financeira e seu controlador, Daniel Vorcaro.

A suspeita ganhou força após uma sequência de episódios considerados atípicos durante o cumprimento de medidas judiciais nos dias 17 de novembro de 2025, 14 de janeiro e 4 de março deste ano. As principais dúvidas recai sobre as duas primeiras fases da operação. Os investigadores pretendem identificar a origem de eventuais antecipações indevidas de sigilo de dados que possam ter comprometido a eficácia das ações e até o mesmo o sumiço de provas.

O primeiro alerta veio ainda em novembro de 2025, quando foi deflagrada a primeira fase da operação. Ela teve como foco um suposto esquema de venda de carteiras de crédito sem lastro, que foram negociadas com outras instituições como ativos legítimos, além da venda do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB).

As suspeitas de vazamento de informações surgiram porque, na ocasião, Daniel Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar em um voo internacional, para os Emirados Árabes, em um jato particular. Para o investigador, o episódio apresentou as primeiras suspeitas de que os alvos da operação poderiam ter sido alertados anteriormente sobre a ação policial.

Embora a defesa sustente que não tenha havido tentativa de fuga e que Vorcaro viajasse a trabalho, para fechar negócio sobre a venda do banco, o fato de o empresário estar prestes a deixar o país no momento da deflagração passou a ser considerado um relevante relevante. À época, o caso estava sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por autorizar as medidas judiciais iniciais.

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário sempre colaborou com as autoridades e negou qualquer tentativa de obstrução das investigações. Vorcaro está em um processo de tratativas para uma colaboração premiada. Desde o início das investigações, os advogados defendem que não houve acesso a informações sigilosas e todos os atos do investigado ocorreram dentro da legalidade.

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Segunda fase teve operações frustradas e fingidas mais evidentes

As denúncias de vazamento se tornaram mais consistentes durante a segunda fase da operação, deflagrada em janeiro de 2026, ainda sob a reportagem de Toffoli. Nessa etapa, a PF ampliou o foco para fundos de investimento utilizados para movimentar recursos e prevenir prejuízos.

Foram cumpridos 42 mandatos de busca e apreensão em diferentes estados, além do bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens e valores. No entanto, diversas ações policiais, chamadas de diligências, foram consideradas frustradas ou parcialmente prejudicadas, conforme registros da própria instituição.

Em vários endereços, os policiais encontraram sinais de que os investigados haviam deixado os locais pouco antes da chegada da polícia: imóveis vazios, quartos desarrumados, ausência de equipamentos eletrônicos e justificativas consideradas inconsistentes dadas por testemunhas que estavam nos imóveis (pessoas que não eram alvo das ações, como parentes e funcionários).

Em um dos episódios, o empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, foi localizado no Aeroporto de Guarulhos na véspera da operação, prestes a embarcar para o exterior. Sua nega defesa que ele estava em processo de fuga.

Outro investigado, o investidor Nelson Tanure, também foi encontrado no aeroporto no mesmo período, mas seguiria para uma viagem nacional, rumo a Curitiba. Sua defesa também negou que ele estivesse fugindo da operação.

Para os investigadores, no entanto, a coincidência reforçou as hipóteses de que informações sigilosas poderiam ter sido antecipadas a diferentes alvos da investigação.

Além disso, chamou a atenção nos locais de cumprimento de mandatos, sobretudo na segunda fase, a presença antecipada de advogados, antes mesmo da chegada dos policiais. Na parte dos endereços em que os alvos não estavam, quem se fazia presente no local eram os advogados.

A PF disse não comentar eventuais investigações em curso, mas fontes a par das apurações reforçam que a soma desses fatores levou os investigadores a considerar que a segunda fase apresentou os sinais mais claros de comprometimento possível do chamado sigilo operacional.

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Terceira fase da operação ocorreu após mudança de relatoria no STF

O andamento do caso sofreu uma mudança institucional em fevereiro de 2026, quando o ministro Dias Toffoli deixou um relatório da investigação. A decisão ocorreu após a revelação de que ele mantinha vínculo societário com uma empresa familiar proprietária de parte de um resort de luxo que teve participações adquiridas por fundos ligados ao entorno de Vorcaro.

Com a saída de Toffoli, o processo foi redistribuído ao ministro André Mendonça, que passou a conduzir as medidas subsequentes da operação.

A terceira fase do Compliance Zero foi deflagrada em março de 2026, já sob a relatoria de Mendonça, mesmo diante da manifestação comunitária da PGR quanto à necessidade de novas medidas naquele momento.

Ainda assim, o ministro autorizou uma ação policial, que incluiu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em São Paulo e em Minas Gerais. O investigador também não descartou que nessa fase os alvos fossem informados antecipadamente da deflagração.

Na ocasião,Daniel Vorcaro voltou a ser preso, assim como outros investigados apontados naquela época como integrantes de um suposto núcleo responsável por ameaças e coação de testemunhas. Todos negam irregularidades. Também foram determinados bloqueios de bens com valores superiores a R$ 22 bilhões, além do afastamento de dois servidores públicos do Banco Central suspeitos de envolvimento com o esquema.

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Operação avançada sobre lavagem de dinheiro, corrupção e invasão de sistemas

Na terceira etapa, as investigações avançaram sobre novos eixos, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, invasão de sistemas e monitoramento ilegal de autoridades e jornalistas. Foi nessa fase que ficou evidenciado que havia um grupo chamado de “A Turma”.

Ele reuniu pessoas próximas ao empresário Daniel Vorcaro e que, segundo o pesquisador, atuou de forma coordenada para proteção de interesses ligados ao Banco Master. De acordo com a purificação, o grupo funcionaria como uma estrutura paralela de monitoramento e pressão, com vigilância, coleta de informações e intimidação de alvos considerados adversários, incluindo jornalistas e críticos.

A PF aponta que o núcleo teria utilizado acessos indevidos a bases de dados sensíveis e estratégias de cooperação, sendo descrito nas investigações como uma espécie de especialização informal de inteligência voltada para a defesa de interesses privados, o que ampliou a gravidade das suspeitas sobre fraudes financeiras e interferência de justiça.

A PF também comprometeu o acesso indevido a informações sigilosas de órgãos públicos, como o da própria instituição, da PGR, da Justiça Federal e até da Interpol, o que reforçou o alerta a possíveis vazamentos internos ou facilitações de acessos a redes sigilosas com credenciais. Na ocasião, um policial federal chegou a ser preso, suspeito de participar do esquema.

Diante de todos esses fatos, o pesquisador entende, sob reserva, ser uma prioridade a identificação da origem de eventuais vazamentos, até porque novas etapas da operação devem ocorrer com o avanço das investigações. Os investigadores analisam se houve interferências institucionais, atuação de agentes internos ou interferências externas que possam ter permitido o acesso antecipado a informações sigilosas.

A reportagem da Gazeta do Povo Apurou que o comprometimento do sigilo pode ter afetado diretamente a coleta de provas, especialmente à compreensão de dispositivos eletrônicos como celulares e HDs externos, além de documentos, físicos.

Segundo fontes ligadas às apurações, o levantamento sobre possíveis vazamentos corre paralelamente às investigações principais do Compliance Zero. Caso sejam confirmadas irregularidades no fluxo de informações, não serão descartados novos inquéritos para identificar e responsabilizar os envolvidos.

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