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Inscrição em pessoa antiga escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século

Redação Por Redação
14 de julho de 2026
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Inscrição em pessoa antiga escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com



Inscrição em pessoa antiga escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século
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Inscrição em pessoa antiga escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século Durante quase 117 anos, um dos ambientes mais impressionantes do Theatro Municipal do Rio de Janeiro guardou um mistério. Desde a inauguração do prédio, em 1909, uma inscrição em escrita cuneiforme, gravada na parede do Salão Assyrio, nunca havia sido traduzida. O texto revela uma referência direta a um palácio do Império Persa. O enigma foi resolvido por dois professores universitários recém-chegados ao Rio: Alex Mazzanti, professor de Latim da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Matheus Treuk, professor de Arqueologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A descoberta foi feita justamente no ano em que o Theatro Municipal celebra mais um aniversário e revela uma ligação inédita entre um dos principais patrimônios culturais brasileiros e a antiga Pérsia. Construído durante uma grande reforma urbana promovida pelo prefeito Pereira Passos, no início do século XX, o Theatro Municipal foi fortemente influenciado pela Belle Époque francesa. Enquanto a fachada foi inspirada na Ópera de Paris, um dos espaços internos recebeu uma decoração completamente diferente. Localizado no subsolo, o Salão Assyrio mistura referências de diferentes civilizações da Antiguidade, especialmente dos impérios Assírio e Persa. “Uma das características da Belle Époque era esse fascínio pelas culturas orientais e pelas civilizações antigas. O Salão Assyrio reúne referências de povos para criar essa atmosfera monumental”, explica Clara Paulino, presidente da Fundação Theatro Municipal. Apesar do nome, especialistas afirmam que o ambiente possui muito mais elementos ligados ao antigo Império Persa do que à Assíria. Entre eles estão colunas inspiradas na Apadana — o grande salão de audiências dos reis persas —, capitéis em forma de touro, relevos com leões, arqueiros e figuras que remetem às escavações arqueológicas realizadas no Oriente Médio no fim do século XIX. “Na prática, o Rio de Janeiro ganhou uma pequena Apadana. É uma releitura de um palácio persa”, afirma o arqueólogo Matheus Treuk. Durante décadas, milhares de pessoas passaram pelo Salão Assyrio sem saber o significado da inscrição esculpida na parede. O espaço já funcionou como restaurante, recebeu apresentações de Pixinguinha e dos Oito Batutas, foi transformado em museu na década de 1940 e hoje abriga um café e espetáculos de música e dança. A inscrição, porém, pede sem tradução. Foi durante uma visita guiada que Alex Mazzanti viu o texto. “Eu vi a inscrição em cuneiforme e pedi aos guias o que estava escrito. Eles disseram que ninguém sabia. Aquilo despertou minha curiosidade.” Segundo a equipe educativa do Theatro Municipal, a falta dessa informação sempre representou uma lacuna nas visitas. A tradução de Alex havia sido treinada persa antigo anos antes. De volta para casa, decidi tentar decifrar a inscrição. Para confirmar as hipóteses, procuramos um antigo colega de estudos: Matheus Treuk, especialista em arqueologia do Oriente Antigo e escrita cuneiforme. Para ele, ler o texto foi relativamente simples: “O cuneiforme persa é uma escrita bastante acessível para quem trabalha com ela.” Inscrição em persa antiga escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século Reprodução/RJ2 A tradução revelou a seguinte frase: “Do Apadana de Artaxerxes, grande rei, rei dos reis, filho do rei Dario.” A descoberta solucionou apenas parte do mistério: uma assinatura inspirada em um sítio destruído Após traduzir o texto, os pesquisadores investigaram por que aquela frase estava justamente ali. A resposta levou à Europa do século XIX. Na época, arqueólogos franceses e britânicos realizavam escavações em antigos centros das civilizações assíria e persa. Em 1886, escavações na cidade persa de Susa revelaram relevos, esculturas e inscrições que rapidamente despertaram fascínio na Europa. As peças foram levadas ao Museu do Louvre e inspiraram reproduções apresentadas na Exposição Universal de Paris de 1889 — a mesma que marcou a inauguração da Torre Eiffel. Segundo Treuk, a empresa francesa responsável pela decoração do Salão Assyrio participou dessas atrações e dominou a técnica de reprodução das cerâmicas e relevos persas. Foi nesse contexto que surgiu a inscrição do Theatro Municipal. “Quem criou esse painel adaptou uma inscrição antiga e acrescentou a expressão ‘do Apadana’, indicando claramente a origem da inspiração. Essa frase não existe exatamente dessa forma em nenhum monumento persa conhecido.” Uma peça única no mundo Para os pesquisadores, a descoberta também revelou algo inesperado: o Salão Assyrio é um patrimônio sem paralelo. Enquanto as construções inspiradas na Pérsia feitas para as exposições universais europeias eram temporárias, o espaço do Theatro Municipal permanece preservado há mais de um século. “É uma joia do património nacional. Não existe nada igual. As instalações europeias desapareceram, e aqui temos um conjunto permanente”, afirma Treuk. Para a direção do teatro, a tradução ajuda a compreender melhor a própria história da construção. “Essa parceria entre patrimônio, universidade e pesquisa é fundamental. Recuperamos não apenas o significado da inscrição, mas também o contexto histórico que motivou a criação desse espaço”, diz Clara Paulino. Já para Alex Mazzanti, a descoberta foi uma surpresa desde o primeiro momento. “Recém-chegado ao Rio, encontrei uma inscrição em persa antiga na parede de um teatro. Poder contribuir para compreender melhor a história da cidade e as relações entre o Rio, a França e a antiga Pérsia é extremamente gratificante.” A partir de agora, o texto que se encontra indecifrado por mais de um século passa a integrar oficialmente a história do Theatro Municipal e as visitas guiadas ao Salão Assyrio. Inscrição em pessoa antiga escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século Reprodução/TV Globo
Inscrição em pessoa antiga escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século Durante quase 117 anos, um dos ambientes mais impressionantes do Theatro Municipal do Rio de Janeiro guardou um mistério. Desde a inauguração do prédio, em 1909, uma inscrição em escrita cuneiforme, gravada na parede do Salão Assyrio, nunca havia sido traduzida. O texto revela uma referência direta a um palácio do Império Persa. O enigma foi resolvido por dois professores universitários recém-chegados ao Rio: Alex Mazzanti, professor de Latim da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Matheus Treuk, professor de Arqueologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A descoberta foi feita justamente no ano em que o Theatro Municipal celebra mais um aniversário e revela uma ligação inédita entre um dos principais patrimônios culturais brasileiros e a antiga Pérsia. Construído durante uma grande reforma urbana promovida pelo prefeito Pereira Passos, no início do século XX, o Theatro Municipal foi fortemente influenciado pela Belle Époque francesa. Enquanto a fachada foi inspirada na Ópera de Paris, um dos espaços internos recebeu uma decoração completamente diferente. Localizado no subsolo, o Salão Assyrio mistura referências de diferentes civilizações da Antiguidade, especialmente dos impérios Assírio e Persa. “Uma das características da Belle Époque era esse fascínio pelas culturas orientais e pelas civilizações antigas. O Salão Assyrio reúne referências de povos para criar essa atmosfera monumental”, explica Clara Paulino, presidente da Fundação Theatro Municipal. Apesar do nome, especialistas afirmam que o ambiente possui muito mais elementos ligados ao antigo Império Persa do que à Assíria. Entre eles estão colunas inspiradas na Apadana — o grande salão de audiências dos reis persas —, capitéis em forma de touro, relevos com leões, arqueiros e figuras que remetem às escavações arqueológicas realizadas no Oriente Médio no fim do século XIX. “Na prática, o Rio de Janeiro ganhou uma pequena Apadana. É uma releitura de um palácio persa”, afirma o arqueólogo Matheus Treuk. Durante décadas, milhares de pessoas passaram pelo Salão Assyrio sem saber o significado da inscrição esculpida na parede. O espaço já funcionou como restaurante, recebeu apresentações de Pixinguinha e dos Oito Batutas, foi transformado em museu na década de 1940 e hoje abriga um café e espetáculos de música e dança. A inscrição, porém, pede sem tradução. Foi durante uma visita guiada que Alex Mazzanti viu o texto. “Eu vi a inscrição em cuneiforme e pedi aos guias o que estava escrito. Eles disseram que ninguém sabia. Aquilo despertou minha curiosidade.” Segundo a equipe educativa do Theatro Municipal, a falta dessa informação sempre representou uma lacuna nas visitas. A tradução de Alex havia sido treinada persa antigo anos antes. De volta para casa, decidi tentar decifrar a inscrição. Para confirmar as hipóteses, procuramos um antigo colega de estudos: Matheus Treuk, especialista em arqueologia do Oriente Antigo e escrita cuneiforme. Para ele, ler o texto foi relativamente simples: “O cuneiforme persa é uma escrita bastante acessível para quem trabalha com ela.” Inscrição em persa antiga escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século Reprodução/RJ2 A tradução revelou a seguinte frase: “Do Apadana de Artaxerxes, grande rei, rei dos reis, filho do rei Dario.” A descoberta solucionou apenas parte do mistério: uma assinatura inspirada em um sítio destruído Após traduzir o texto, os pesquisadores investigaram por que aquela frase estava justamente ali. A resposta levou à Europa do século XIX. Na época, arqueólogos franceses e britânicos realizavam escavações em antigos centros das civilizações assíria e persa. Em 1886, escavações na cidade persa de Susa revelaram relevos, esculturas e inscrições que rapidamente despertaram fascínio na Europa. As peças foram levadas ao Museu do Louvre e inspiraram reproduções apresentadas na Exposição Universal de Paris de 1889 — a mesma que marcou a inauguração da Torre Eiffel. Segundo Treuk, a empresa francesa responsável pela decoração do Salão Assyrio participou dessas atrações e dominou a técnica de reprodução das cerâmicas e relevos persas. Foi nesse contexto que surgiu a inscrição do Theatro Municipal. “Quem criou esse painel adaptou uma inscrição antiga e acrescentou a expressão ‘do Apadana’, indicando claramente a origem da inspiração. Essa frase não existe exatamente dessa forma em nenhum monumento persa conhecido.” Uma peça única no mundo Para os pesquisadores, a descoberta também revelou algo inesperado: o Salão Assyrio é um patrimônio sem paralelo. Enquanto as construções inspiradas na Pérsia feitas para as exposições universais europeias eram temporárias, o espaço do Theatro Municipal permanece preservado há mais de um século. “É uma joia do património nacional. Não existe nada igual. As instalações europeias desapareceram, e aqui temos um conjunto permanente”, afirma Treuk. Para a direção do teatro, a tradução ajuda a compreender melhor a própria história da construção. “Essa parceria entre patrimônio, universidade e pesquisa é fundamental. Recuperamos não apenas o significado da inscrição, mas também o contexto histórico que motivou a criação desse espaço”, diz Clara Paulino. Já para Alex Mazzanti, a descoberta foi uma surpresa desde o primeiro momento. “Recém-chegado ao Rio, encontrei uma inscrição em persa antiga na parede de um teatro. Poder contribuir para compreender melhor a história da cidade e as relações entre o Rio, a França e a antiga Pérsia é extremamente gratificante.” A partir de agora, o texto que se encontra indecifrado por mais de um século passa a integrar oficialmente a história do Theatro Municipal e as visitas guiadas ao Salão Assyrio. Inscrição em pessoa antiga escondida no Theatro Municipal do Rio é decifrada após mais de um século Reprodução/TV Globo[/gpt3]

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