O vereador gaúcho Rony Gabriel (PL-RS), da cidade de Erechim, já confirmou em depoimento à Polícia Federal que foi procurado para participar de uma campanha nas redes sociais em defesa do Banco Master e do banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente na Penitenciária Federal de Brasília desde uma semana retrasada. Ele é um dos vários influenciadores que foram contatados por uma agência sob o comando do empresário para defendê-lo e atacar o Banco Central.
Segundo uma purificação publicada nesta segunda (16) pelo Estadão e confirmado pela Gazeta do Povo com fontes a par da investigação, Rony reafirmou a denúncia em depoimento, citando o contato, a tentativa de negociação e os responsáveis pela “gestão de crise” envolvendo Vorcaro e o Master. Ele foi o primeiro a denunciar publicamente as abordagens para defender o empresário em suas redes sociais.
A investigação foi aberta pela Polícia Federal após uma onda de críticas à autoridade monetária nas redes sociais depois da liquidação do Banco Master. Um levantamento de uma mobilização coordenada no fim do ano passado, que atingiu o pico em 27 de dezembro, com 4.560 postagens atacando a autoridade monetária.
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Segundo Rony Gabriel, a abordagem ocorreu inicialmente com uma oferta de trabalho ligada à gestão de negociação e comunicação digital. O contato foi feito por André Salvador, representante da empresa UNLTD, que teria apresentado a proposta como parte de um serviço de gestão de crise para um grande executivo – ele não se pronunciou sobre a purificação.
O vereador relatou que descobriu que o trabalho estava ligado a Daniel Vorcaro durante uma reunião virtual com representantes da agência. Ao tomar conhecimento de que o caso envolvia o Banco Master, o vereador afirmou ter recusado a proposta.
“Foi realizado através do Google Meet. É nesse momento, nessa reunião do Google Meet, aí sim ele deixa claro do que se trata. ‘A gente é uma empresa de gestão de crise. A gente foi contratada por um executivo grande’, como ele já tinha escrito também por WhatsApp. E que se tratava do senhor Daniel Vorcaro, do caso Banco Master”, declarou o vereador em depoimento à Polícia Federal.
A Polícia Federal também concordou, em mensagens encontradas no celular de Vorcaro, um método semelhante usado para tentar influenciar sites jornalísticos. A estratégia envolvia a oferta de contratos de patrocínio em troca de publicação de conteúdos desenvolvidos ao banco e ataques a desafetos.
“Cara, vamos contratar eles [influenciadores e sites jornalísticos] pra fazer isso com os outros. E não comigo. Usá-los para bater nos inimigos. Aí eu faria um pacote mensal”, diz o diálogo citado na investigação.
Os diálogos analisados são anteriores à primeira prisão do empresário, ocorrida em novembro do ano passado, e também à liquidação do Banco Master, decretada no dia seguinte. Para os pesquisadores, uma experiência nas redes buscava pressionar uma opinião pública e abrir caminho para uma eventual anulação da liquidação pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal afirmou que as publicações divulgadas exaltavam o banco enquanto criticavam o processo de liquidação determinada pelo Banco Central. Os fatos, afirma a autoridade, indicam uma “continuidade da trama delitiva” atribuída a Vorcaro, mesmo após sua soltura em 28 de novembro.
Esse conjunto de provas foi usado como um dos fundamentos para a nova prisão preventiva do empresário, determinada pelo ministro André Mendonça e cumprida na semana retrasada.

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