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Incêndios recuam em áreas protegidas no Amazonas, mas Unidades de Conservação estaduais exigem alerta

Por Redação
16 de outubro de 2026
Em Notícias
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Incêndios recuam em áreas protegidas no Amazonas, mas Unidades de Conservação estaduais exigem alerta
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


Unidade de Conservação Federal do Pico da Neblina, no interior do Amazonas
Divulgação/ICMbio
O monitoramento de queimadas na Amazônia aponta uma redução expressiva no número de focos de calor identificados dentro de áreas protegidas no Amazonas entre janeiro e meados de outubro de 2026. No acumulado do período, o total de ocorrências nessas áreas caiu de 499 para 128 no comparativo com o mesmo intervalo do ano passado, o que representa uma queda geral de 74,3%.
Apesar do recuo significativo puxado por Terras Indígenas e reservas ambientais federais, as Unidades de Conservação (UCs) sob gestão estadual mantêm o sinal de alerta aceso, registrando ritmo de queda inferior e concentrando a maior parte dos focos recentes no estado.
Segundo um levantamento feito pelo g1, as áreas federais e os territórios originários apresentaram reduções superiores a 70% e 90%. Já as Unidades de Conservação Estaduais contabilizaram 51 focos de calor entre janeiro e outubro de 2026, frente aos 110 registrados no mesmo período de 2025. A diminuição foi de 53,6%.
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Em um estudo publicado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a diretora do Programa de Áreas Protegidas, Jakeline Pereira, ressalta que a preservação dessas áreas é estratégica para o equilíbrio climático e para a subsistência de comunidades locais.
“Além de abrigar espécies únicas da fauna e da flora, as áreas protegidas são fundamentais para o equilíbrio climático e para o fornecimento de produtos florestais madeireiros à indústria, bem como de produtos não madeireiros, como a castanha, que sustentam populações locais. Sua preservação é essencial em escala global”, afirma.
De acordo com o sistema BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), as áreas administradas pelo governo do estado somam juntas mais de 70% de todos os focos mapeados em 2026. Confira abaixo:
Área de Proteção Ambiental (APA) Margem Direita do Rio Negro – Setor Paduari-Solimões: Lidera o ranking de queimadas nas áreas estaduais com 19 focos (37,3% do total da categoria).
APA Nhamundá: Ocupa a segunda posição, com 17 focos registrados no período (33,3%).
Apesar da importância da população local para a conservação, moradores enfrentam desafios diários, como isolamento geográfico e dificuldade de acesso a serviços básicos, como energia elétrica, internet, água potável e educação.
Para o doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia Antônio Norte, um dos principais problemas é garantir segurança jurídica para quem vive nessas regiões
“As Reservas de Desenvolvimento Sustentável e as Reservas Extrativistas foram criadas justamente para conciliar conservação ambiental e permanência das populações tradicionais, mas ainda existem dificuldades relacionadas à regularização fundiária e à formalização dos direitos dessas comunidades”, explicou.
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Reserva Extrativista do Médio Juruá no Amazonas
Bruno Bimbato/ICMBio
Terras Indígenas registram recuo de 71%
Nas Terras Indígenas (TIs) do Amazonas, o volume acumulado de queimadas apresentou uma retração expressiva, caindo de 245 focos em 2025 para 71 focos em 2026, o que representa uma diminuição de 71% no período.
O cenário também aponta para uma mudança geográfica na concentração dos incêndios no estado. No ano passado, a TI Tenharim Marmelos liderou as ocorrências no Amazonas com 43 focos.
Já em 2026, a maior pressão concentrou-se na TI Andirá-Marau, que contabilizou 18 focos, correspondendo a 25,4% de todos os registros em territórios indígenas amazonenses, seguida pela TI Murutinga/Tracajá e pela TI Rio Jumas, que registraram cinco focos cada.
UCs Federais têm o menor nível do período
Amazonas lidera conservação com área protegida maior que o Uruguai
De acordo com o levantamento, a maior queda percentual entre todas as categorias territoriais analisadas ocorreu nas Unidades de Conservação Federais situadas no Amazonas.
Entre janeiro e outubro de 2025, essas áreas geridas pela União haviam registrado 144 focos de queimadas, com maior incidência no Parque Nacional dos Campos Amazônicos, que somou 47 focos, e na Floresta Nacional (Flona) de Tefé, com 29 ocorrências. Já no mesmo período de 2026, foram mapeados apenas 6 focos em todo o estado.
Os registros identificados em 2026 dividiram-se entre o Parque Nacional Mapinguari, que contabilizou 2 focos, e as Flonas de Urupadi, Iquiri, Mapiá-Inauini e a Resex do Médio Purús, com 1 foco cada.
Mesmo com uma das maiores áreas protegidas do Brasil, as Unidades de Conservação continuam sob pressão. Especialistas alertam que áreas localizadas próximas a estradas e fronteiras agrícolas, principalmente APAs e reservas, sofrem com o avanço de atividades ilegais.
O desafio não está apenas em criar áreas protegidas, mas em garantir estrutura para acompanhar um território maior que muitos países. Antônio Norte esclarece que existe uma diferença entre a proteção prevista na legislação e a capacidade prática de monitorar uma área tão extensa.
“Existe uma diferença significativa entre a proteção prevista na legislação e a capacidade operacional do Estado para monitorar territórios tão extensos e de difícil acesso. O desafio envolve recursos humanos, logística, tecnologia, orçamento e presença institucional permanente”, completou.
Incêndio avança em Terra Indígena no município de Itacoatiara
Liam Cavalcante
Brigadistas do IBAMA tentam controlar pontos de queimadas durante um incêndio em Apui, no Amazonas
Bruno Kelly/Reuters

Fonte: G1

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