Em uma iniciativa que une cuidados médicos à humanização, a pediatra Fabiana Nogueres, atuante no Hospital Albert Sabin em Juiz de Fora, reaprendeu a arte do crochê para confeccionar "polvinhos" destinados a recém-nascidos internados na UTI neonatal. Desde o início do projeto, mais de 100 peças foram entregues, acompanhando os bebês durante a internação e tornando-se uma recordação afetiva para as famílias.
A Origem da Iniciativa e a Inspiração
O Projeto Octo, idealizado na Dinamarca em 2013, foi implementado na UTI neonatal do Hospital Sabin há aproximadamente sete anos, inicialmente através de doações de voluntários. A decisão de Fabiana de dominar a técnica surgiu ao observar uma mãe que, mesmo diante da internação do filho, dedicava seu tempo a crochetar os bonecos para outros bebês, um gesto que marcou profundamente a pediatra.
Embora seu último contato com o crochê remontasse à infância, quando aprendeu as primeiras laçadas com a avó, a médica retomou a prática com notável agilidade. Sua dedicação permite que, nos momentos de descanso, ela produza até dois polvinhos por dia, complementando sua rotina profissional.
Critérios de Segurança e Suporte Emocional
Para garantir a segurança dos pacientes, cada polvinho atende a rigorosos critérios hospitalares. As peças são confeccionadas com fio 100% algodão, seguem medidas padronizadas e passam por um processo de esterilização antes de serem introduzidas nas incubadoras, prevenindo quaisquer riscos de infecção.
Além do conforto físico, o projeto oferece um valioso suporte emocional. Conforme Fabiana explica, as famílias sentem-se acolhidas ao perceberem que a equipe vai além do tratamento clínico, sabendo que o bebê possui um "amigo polvo" na incubadora. Este cuidado humanizado estende o acolhimento também aos pais, tornando o ambiente hospitalar menos hostil.
Testemunhos de Famílias Beneficiadas
O Acolhimento de Maria Luísa
A administradora Roberta Maira da Silva Muniz Gaspar vivenciou a apreensão da UTI neonatal com sua filha Maria Luísa, que nasceu prematura extrema e permaneceu 45 dias internada. Para Roberta, o "polvinho do amor" foi uma fonte de segurança e conforto, um companheiro que permanece com Maria Luísa, agora com 4 anos.
O Conforto de Benjamin Lins
Benjamin Lins Brandão, outro bebê prematuro que passou 28 dias na UTI, também recebeu seu polvinho. Sua mãe, Iale de Andrade Lins, ressalta a familiaridade que o objeto proporcionava. Os tentáculos do polvinho simulam o cordão umbilical, contribuindo para acalmar o bebê em um ambiente hospitalar, e o brinquedo é guardado com carinho até hoje.
A Filosofia do Projeto Octo
O Projeto Octo baseia-se na humanização do ambiente hospitalar para neonatos. O design do brinquedo é intencional: seu formato simula o útero materno e o toque dos tentáculos proporciona um efeito calmante aos recém-nascidos, além de prevenir que eles puxem sondas, cateteres e outros acessos médicos essenciais.
As diretrizes para o uso dos polvinhos variam entre os hospitais, pois a implementação se baseia em protocolos internos específicos de cada instituição. Atualmente, o Ministério da Saúde do Brasil não possui uma recomendação oficial sobre a utilização padronizada dessas peças em UTIs públicas.
Fonte: https://g1.globo.com












Deixe o Seu Comentário