A governadora Celina Leão (PP-DF), do Distrito Federal, defendeu o governo distrital das negociações conduzidas pelo ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O executivo foi preso na manhã desta quinta-feira (16) pela Polícia Federal durante a deflagração da fase de quarta da Operação Compliance Zero.
As investigações demonstraram que Costa recebeu R$ 146 milhões em propina de Vorcaro para forçar e iniciar o governo do Distrito Federal e o conselho do BRB nas negociações fraudulentas com o Banco Master. Entre elas está a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro e a própria aquisição do banco privado, que foi barrada pelo Banco Central.
“Hoje, eu que assumo todo o problema, uma das pessoas que mais realmente quer que isso seja solucionado, que as pessoas que fizeram sejam punidas, sou eu”, afirmou o governador em um evento mais cedo em Brasília.
VEJA TAMBÉM:
-

Oposição pressão sobre caso Master para a disputa eleitoral após fracasso de CPIs
Desde que assumiu o governo do Distrito Federal no mês passado, após a desincompatibilização do então governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) para disputar uma vaga ao Senado nas eleições de outubro, Celina Leão vem tentando se descolar do escândalo envolvendo o BRB e o Mestre, afirmando que não teve conhecimento em nenhum momento das negociações entre os dois bancos.
“[As pessoas que] fiz algo errado, preciso pagar por isso. Isso faz parte do que a gente entende ser Justiça verdadeira. Espero que sejam entregues os esclarecimentos de toda essa situação e que as pessoas que estiveram envolvidas, e se rastreiem e se tenham dinheiro mesmo, e se paguem por isso. Sempre se teve uma dúvida se era uma decisão técnica ou se foi em cima de algum benefício, acho que é o processo judicial que vai demonstrar isso”, completou.
Ainda de acordo com o governador, o BRB é uma instituição íntegra, sólida, que “o banco vai sair deste momento de dificuldade” e que “está sob nova direção”. Paulo Henrique Costa foi afastado da presidência do banco durante a primeira fase da operação, em novembro do ano passado – posteriormente demitido e dando lugar a Nelson Souza.
Mais recentemente, Celina passou outros 12 diretores ligados a ele que participaram das negociações com o Master.
Um pouco mais cedo, Celina Leão afirmou que o caso está sendo tratado com “transparência” e que as medidas possíveis vêm sendo impostas desde o estouro do escândalo.
“A atual gestão do Governo do Distrito Federal reafirma seu compromisso inegociável com a transparência, a legalidade e o respeito às instituições. O primeiro momento, todas as disposições desde os cabíveis foram obrigações, com total colaboração junto às autoridades competentes”, afirmou o governador em uma nota à imprensa divulgada horas depois da operação.
Ainda de acordo com Celina Leão, o governo distrital segue “atuando com responsabilidade, rigor e absoluta, garantindo que todos os factos sejam devidamente esclarecidos”.
Informações preliminares já levantadas nas apurações apontam um prejuízo potencial de R$ 5 bilhões ao BRB. No último dia 31 de março, a instituição adiou a divulgação dos resultados financeiros do ano passado que podem indicar o tamanho real do rombo causado pelos negócios com o Master.













Deixe o Seu Comentário