O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou nesta quinta (19) a quebra dos sigilos do fundo de investimentos que teria comprado parte das ações do resort de luxo dos irmãos do ministro Dias Toffoli, no Paraná.
A decisão monocrática atinge em cheio o requisito aprovado pela CPI do Crime Organizado que decretou acesso ao fundo Arleen, de propriedade do empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.
“Entendo que estão preenchidos todos os requisitos que autorizam a extensão da ordem de habeas corpus. […] O que se verifica é a reiteração material de exceções investigativas já reputadas inconstitucionais, agora dirigidas a sujeito formalmente diverso, mas inseridas no mesmo contexto fático-probatório anteriormente afastado. […] Por via oblíqua, acesse informações que se inserem no mesmo espectro investigativo já considerado inadmissível”, escreveu o ministro.
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Comissão reforça críticas ao STF por decisões que livram depoimentos
Tanto a CPI do Crime Organizado como a CPMI do INSS resultam de tomadas por decisões monocráticas de ministros do STF que tornam as convocações como facultativas, e que levaram a uma série de críticas de seus presidentes. Mais recentemente, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) expressou uma forte preocupação com o que seria uma invasão de prerrogativas do Congresso em investigações.
A quebra do sigilo foi aprovada na sessão desta quarta (18) pela CPI a partir de um pedido apresentado pelo senador Sergio Moro (União-PR). No mês passado, Toffoli confirmou ser sócio, ao lado dos irmãos, da empresa Maridt, que possuía participação no empreendimento.
As cotas da empresa no resort Tayayá foram vendidas ao fundo em 2021 e posteriormente atacadistas, em 2025, para a empresa PHD Holding, conforme dados apresentados ao CPI.
Em nota, o gabinete de Dias Toffoli afirmou que não conhecia o gestor do fundo e destacou que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”. O comunicado ainda reforça que “o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.
Toffoli deixou a relatoria do caso envolvendo o Banco Master no mesmo dia em que deu conhecimento à sociedade na Maridt, em meio ao avanço das investigações. Dias antes, a Polícia Federal havia informado o presidente do STF, Edson Fachin, que encontrou menções ao ministro no celular de Vorcaro.
O magistrado negou qualquer ligação com o banqueiro e classificou as indicações como “ilações”, eliminando suspeitas de envolvimento direto. A condução do inquérito passou então ao ministro André Mendonça, que assumiu o caso em nova fase de apuração.











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