O Carnaval de 2026 entrou no radar da disputa política para a corrida presidencial. Além de festas populares e encontros com aliados estratégicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será homenageado com um enredo de escola de samba no centro da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.
A Acadêmicos de Niterói, estreante do Grupo Especial do Rio, abrirá os desfiles em 15 de fevereiro com o tema “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”exaltando a trajetória do petista desde a infância no agreste pernambucano até a Presidência.
O presidente não deve desfilar, mas é esperado no sambódromo. A expectativa é que ele acompanhe a apresentação em um camarote, transformando a homenagem em um gesto político em pleno ano eleitoral.
Propaganda eleitoral antecipada?
O samba-enredo mistura referências à origem humilde do presidente, símbolos do Nordeste e palavras associadas à sua trajetória política, em tom de exaltação.
Um dos trechos mais comentados recupera o tradicional “olê, olê, olê, olá”, consagrado nas campanhas de Lula desde 1989, costurado a versos que evocam uma ideia de esperança popular. Este é um elemento que os opositores apontam como aproximação direta com a linguagem eleitoral, ainda que o regulamento do desfile proíba propaganda política explícita.
A ocorrência da oposição chegou à Justiça. O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) protocolou uma ação popular na Justiça Federal pedindo a suspensão do repasse de R$ 1 milhão do governo federal à Acadêmicos de Niterói. A ação foi distribuída à 4ª Vara Cível Federal de São Paulo e solicita, além do bloqueio de novos repasses, uma eventual devolução de valores já transferidos e a comunicação do caso ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério Público Federal (MPF).
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Para o parlamentar, a homenagem ao presidente em pleno ano eleitoral pode caracterizar um desvio de propósito específico no uso de recursos públicos, violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa e traição de promoção pessoal com dinheiro público.
Justiça eleitoral
Na declaração sobre o caso, Kataguiri afirmou que também pretende acionar a Justiça Eleitoral. Segundo ele, o patrocínio configuraria uma forma indireta de pré-campanha financiada com recursos federais.
O deputado sustenta que não se trata apenas de manifestação cultural, mas de uma ação com potencial impacto eleitoral, e defende que haja apuração sobre a legalidade do repasse e eventuais responsabilidades.
“Não vamos deixar que o nosso dinheiro seja utilizado para a escola de samba sujeita aos interesses do governo e que faça propaganda com o nosso dinheiro”, disse.
Petistas enaltecem “propaganda gratuita” de escola de samba
O regulamento dos desfiles na Sapucaí proíbe a propaganda eleitoral e a escola aparente ter atenção a isso. Para evitar a perda de pontos em quesitos regulamentares, a escola orientou seus membros a não realizarem o gesto do “L” durante o desfile oficial.
Pelas redes sociais, alguns petistas enaltecem a homenagem e reforçam as promessas de propaganda partidária. “Carnaval de 2026 promete. Lula nas passarelas e Bolsonaro na Papudinha. Olha o ensaio e pensa em outubro!”, escreveu o deputado federal Rogério Correia (PT-MG).
Lula terá agenda carnavalesca pelo Nordeste
A programação carnavalesca de Lula, ainda em ajustes finais, vai além. Prevê passagens por Salvador e Recife, combinando partidários, presença em blocos tradicionais e participação simbólica nos desfiles do Sambódromo, em meio à preparação do terreno eleitoral para a disputa presidencial de outubro próximo.
Na Bahia, o governo e o PT organizaram um grande evento partidário no fim de semana que antecede a folia oficial, em Salvador. A expectativa é que o encontro, que comemora os 46 anos do partido, sirva para fortalecer a política de base no estado e marcar publicamente o início da pré-campanha à reeleição. Ministros e lideranças centrais do governo devem participar, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, em um esforço para consolidar a Bahia como um dos principais redutos eleitorais de Lula em 2026.
Já está na lista do presidente o Carnaval de Pernambuco, onde ele deve participar do Galo da Madrugada, a convite do prefeito do Recife, João Campos (PSB). Essa articulação é vista como peça-chave na costura de palácios estaduais. O gesto indica aliança entre PT e PSB e fortalece o protagonismo do partido socialista nas articulações nacionais da campanha, especialmente em estados considerados estratégicos para Lula.
A passagem pelo maior bloco carnavalesco do país também explora o vínculo de Lula com o Nordeste, região onde mantém altos índices de apoio. Nos bastidores, a avaliação é que o Carnaval será usado como instrumento de comunicação política, reforçando a imagem do presidente nas manifestações populares, ao mesmo tempo em que avança na organização dos palácios estaduais.
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