O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou em uma nova fase da pré-campanha presidencial ao priorizar a construção dos palácios estaduais que darão sustentação à sua candidatura. Enquanto busca consolidar alianças em estados-chave, como Minas Gerais e Rio de Janeiro, o PL também aposta no acirramento da polarização com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Após participar, na semana passada, do lançamento da pré-candidatura do senador Sergio Moro ao governo do Paraná, Flávio desembarcou nesta segunda-feira (1º) em Minas Gerais para uma agenda de três dias no estado, que é considerada estratégica pelo PL. Além de reunir o segundo maior colégio eleitoral do país, a região é historicamente vista como decisiva nas disputas presidenciais.
A programação incluiu encontros com lideranças políticas e empresariais, participação em eventos do agronegócio e atos específicos ao fortalecimento de sua pré-candidatura. A orientação do partido concentra-se na presença do senador em estados onde as negociações eleitorais já estão planejadas ou em regiões consideradas prioritárias para a concretização do projeto presidencial.
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Nesse cenário, integrantes do PL avaliam que a passagem de Flávio por Belo Horizonte ajuda a destravar parte dessas conversas e avançar na construção do palanque que deverá representar a direita no estado mineiro. Embora o PL e os Republicanos tenham sinalizado a intenção de caminhar juntos na disputa, a definição sobre quem liderará a chapa ao governo estadual ainda está em aberto.
O nome mais forte segue sendo o do senador Cleitinho (Republicanos-MG), que, segundos aliados, deverá anunciar nos próximos dias se disputará o Palácio Tiradentes. Nesta terça-feira (2), em entrevista à rádio ItatiaiaFlávio afirmou que trabalha para construir um consenso entre os partidos e elogiou o colega de Senado.
“Cleitinho é um grande quadro. É senador comigo lá em Brasília, é uma pessoa que fala com o coração, uma pessoa que tem um olhar para as pessoas que mais precisam. Gostaria muito de caminhar ao lado dele aqui em Minas Gerais”, declarou.
O senador do PL também defendeu a formação de uma “frente ampla” da direita no estado e sinalizou que considera Cleitinho preparado para encabeçar a chapa ao governo mineiro. “A possibilidade que está na mesa é o Cleitinho ser a cabeça de chapa, nosso candidato a governador”, afirmou.
Flávio conseguiu minimizar as divergências entre as legendas e disse que pretende manter a aliança independentemente de ele ser pré-candidato ao governo, vice ou estar de fora apoiando uma chapa que eles montem em conjunto. “Eu quero muito caminhar junto com Cleitinho aqui em Minas Gerais”, disse.
A declaração ocorre após dirigentes do PL discutirem planos que incluem tanto uma candidatura de Cleitinho ao governo quanto uma chapa liderada pelo empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg. Essa hipótese, no entanto, gerou resistência do senador mineiro nos bastidores.
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Se em Minas Gerais o desafio é construir uma aliança entre PL e Republicanos, no Rio de Janeiro a preocupação é evitar que turbulências locais contaminem a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. O estado é considerado estratégico por ser o principal reduto eleitoral da família Bolsonaro e concentrar parte importante da estrutura política que dará sustentação à campanha do senador.
As preocupações se intensificaram depois que o ex-governador Cláudio Castro desistiu da disputa ao Senado em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal envolvendo sua gestão e o Banco Master. Dentro do PL, os dirigentes passaram a defender uma substituição rápida para evitar que o desgaste político atingisse o projeto nacional do partido.
A avaliação dos aliados de Flávio é de que a permanência de Castro na chapa poderia gerar um foco permanente de desgaste durante uma campanha presidencial. Com a vaga aberta, a disputa passou a envolver lideranças do próprio PL.
Entre os nomes cotados estão os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, além do senador Carlos Portinho. A tendência dentro da legenda é que a vaga permaneça com o partido, reforçando uma estratégia de construir um palanque integralmente alinhado à candidatura de Flávio.
“A coisa mais importante é elegê-lo presidente do Brasil e tirar esse governo do poder”, afirmou Portinho ao especificar sua disposição de disputar a vaga.
A decisão final, porém, deverá passar pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo membros da legenda, Flávio liderou os nomes ao pai, e a definição deve considerar pesquisas eleitorais e o potencial de cada candidato para fortalecer o desempenho do PL no estado.
Questionado sobre o tema, Sóstenes Cavalcante reforçou que “quem decide as vagas de senador é o [ex-] presidente Bolsonaro”, sinalizando que a palavra final sobre a composição do palanque fluminense continuará técnicas no ex-mandatário.
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Mais do que estruturar a candidatura presidencial, a montagem dos palácios estaduais é vista pelo PL como peça fundamental para ampliar a presença da direita no Congresso Nacional a partir de 2027.
Durante agenda em Belo Horizonte, Flávio Bolsonaro afirmou que a eleição de um presidente alinhado ao campo conservador será acompanhada pela formação de uma maioria parlamentar capaz de aprovar mudanças constitucionais e dar sustentação à agenda defendida pelo partido.
Segundo o senador, uma combinação entre um governo de centro-direita e um Congresso com maioria conservadora permitiria reduzir o que considera interferência de outros Poderes sobre decisões políticas e econômicas.
Flávio citou temas como infraestrutura, licenciamento ambiental, demarcação de terras indígenas e segurança jurídica como áreas que, em sua avaliação, permitem maior previsibilidade para investimento em investimentos e investimento no crescimento econômico.
“Com um Congresso majoritariamente de centro-direita, alinhado com um presidente da República de centro-direita, nós vamos conseguir dar essa previsibilidade”, afirmou o senador durante evento do agronegócio na capital mineira.
A estratégia ocorre em meio ao acirramento da polarização com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que voltou a críticas direcionadas ao senador nos últimos dias.
Em discurso em Goiás, Lula acusou Flávio de agir contra os interesses nacionais ao manter interlocução com membros do governo americano durante as discussões sobre um possível aumento de tarifas sobre produtos brasileiros.
O presidente chegou a chamar o adversário de “traidor” e afirmou que eventualmente medidas dos Estados Unidos prejudicariam empresários, trabalhadores e o agronegócio nacional.
Flávio reagiu afirmando que pediu pessoalmente ao presidente dos EUA, Donald Trump, ao vice-presidente, JD Vance, e ao secretário de Estado, Marco Rubio, que não foram impostas tarifas às empresas brasileiras. Segundo o senador, o alvo das críticas americanas não são os produtores nacionais, mas o governo Lula.

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