A transferência do capital político de Jair Bolsonaro (PL) para o filho escolhido para disputar o Palácio do Planalto em 2026 é o principal objetivo do líder da direita, que está preso na Papudinha, no Complexo da Papuda, em Brasília. Mesmo assim, o ex-presidente da República influencia a corrida presidencial, principalmente pela força construída e que reverbera nas redes sociais, decisivamente na vitória de 2018.
Antes do voto popular nas urnas no mês de outubro, a estratégia é repassar a “herança digital” ao senador Flávio Bolsonaro (PL), para a consolidação do filho 01 como maior opositor ao projeto de reeleição de Lula. Desde a escolha de Flávio como pré-candidato a presidente pelo PL, no início de dezembro, o senador passou a reorganizar o ambiente digital na corrida ao Planalto.
Desde julho do ano passado, as redes sociais de Bolsonaro estão bloqueadas por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Apenas na rede social Instagramo ex-presidente tem 27 milhões de seguidores, liderando o classificação de maiores influenciadores políticos no país.
Em dois meses, segundo o Índice Datrix dos Presidenciáveis (IDP), Flávio assumiu a liderança do classificação que mede o engajamento, o alcance e a concessão dos pré-candidatos, enquanto Lula caiu para a sexta colocação em janeiro. Apesar do maior número de seguidores (14,4 milhões no Instagram), o desempenho do petista foi fortemente influenciado por temas internacionais, como a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo governo dos EUA.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro tomou a dianteira no indicador em dezembro, impulsionado pelo anúncio da pré-candidatura presidencial, e consolidou a liderança em janeiro, quando passou a ocupar a posição de principal opositor de Lula nas pesquisas eleitorais e ainda foi protagonista de uma visita ao governo de Israel. Flávio tem 8,5 milhões de seguidores no Instagramassumindo a liderança entre os irmãos, antes conquistada por Eduardo Bolsonaro (PL), que permanece nos Estados Unidos.
“Com a entrada de temas internacionais no centro do debate, a consulta fora das próprias redes passou a exercer influência decisiva sobre o desempenho dos candidatos”, ressaltando o estudo, recebido pelo diretor-executivo da Datrix, João Paulo Castro.
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Dezembro de 2025
- Flávio Bolsonaro (PL) — 36,09
- Ronaldo Caiado (PSD) — 32,99
- Lula (PT) — 27,29
- Romeu Zema (Novo) — 27,27
- Eduardo Leite (PSD) — 25,85
- Ratinho Júnior (PSD) — 22,47
- Tarcísio de Freitas (Republicanos) — 20,77
Janeiro de 2026
- Flávio Bolsonaro (PL) — 37,18
- Ronaldo Caiado (PSD) — 30,77
- Romeu Zema (Novo) — 28,92
- Ratinho Júnior (PSD) — 27,40
- Tarcísio de Freitas (Republicanos) — 26,89
- Eduardo Leite (PSD) — 26,23
- Lula (PT) — 16,58
*O IDP mede mensalmente a performance digital dos principais nomes cotados para 2026, refletindo a capacidade de engajar, influenciar e gerar repercussão fora de suas próprias bolhas.
Com alta de 19%, Flávio Bolsonaro tem melhoria reputacional nas redes sociais
Segundo o índice, Flávio Bolsonaro manteve a liderança pelo segundo mês consecutivo, com crescimento moderado em relação a dezembro. Castro explica que o principal vetor de sustentação foi a melhoria da imagem do pré-candidato no “mar aberto” — imprensa, influenciadores e atores externos às bolhas — com alta de 19%, o que aponta para um ambiente de menções desenvolvidas, além da base de candidatos da família Bolsonaro.
“Nas redes próprias, houve leve retração. Apesar do aumento no volume de postagens, a taxa de engajamento caiu, interferindo na diluição da interação média. Ainda assim, a articulação política – especialmente o apoio explícito de Tarcísio de Freitas (republicanos-SP) – reforçou a narrativa de unificação da direita”, comenta o diretor-executivo da Datrix.
Segundo ele, o ambiente favoreceu discursos mais contundentes, alinhamentos geopolíticos explícitos e narrativas de confronto. O resultado foi que o pré-candidato ao PL passou a transformar o capital político herdado em liderança digital estruturada, sustentado não apenas por engajamento de militantes, mas por ganho reputacional fora da bolha.
“Flávio Bolsonaro consolidou sua liderança ao combinar capital interno político com melhoria reputacional externa”, resume Castro. De carona, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), foi impulsionado pela possibilidade de ser vice na chapa de Flávio, ao ser citado como um “ótimo nome” pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
“O avanço foi explicado quase que integralmente pelo desempenho no ‘mar aberto’, onde sua nota tri aplicada. […] Foi frequentemente citado como ‘vice ideal’ em uma eventual chapa com Flávio Bolsonaro, com destaque para sua gestão em Minas Gerais e defesa de pautas liberais. Persistem, contudo, questionamentos sobre suas opções eleitorais nacionais”, detalha o estudo da Datrix.
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Associação ao ditador venezuelano e ao 8 de janeiro justificam a queda de Lula
Ainda de acordo com o levantamento da Datrix, a confiança do presidente petista resultou com o resultado no “mar aberto”, principalmente pela associação ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela. O ditador foi detido durante uma operação dos Estados Unidos, autorizada pelo presidente republicano Donald Trump. O governo Lula e o PT condenaram a ação norte-americana na América do Sul.
Além disso, os casos de corrupção e as críticas pelo veto ao PL da Dosimetria, em benefício dos condenados pelo ato de 8 de janeiro de 2023, também influenciaram o desempenho de Lula, que terminou o mês na lanterna entre os sete monitorados.
No sentido oposto, a Caiada fechou o mês de janeiro na vice-liderança do índice Datrix. Ao repercutir a prisão de Maduro, ele introduziu um tom crítico ao ditador, o que reforça a identidade antipetista, segundo o estudo, além da liderança associada à ordem e à segurança pública. “Por outro lado, a migração para o PSD gerou reações polarizadas, com parte da direita interpretando o movimento como aproximação do ‘sistema’.”

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