Wallace William da Costa, de 47 anos, um ex-detento, está prestes a concluir sua graduação em Medicina. Após passar os últimos anos estudando na Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), em Araguaína, a mais de 2 mil quilômetros de sua residência, ele agora retorna a Juiz de Fora (MG) para iniciar parte de seu internato, a fase final do curso.
A distância da família — sua esposa e filhas — foi um dos maiores desafios durante a graduação. A possibilidade de realizar o internato em sua cidade natal representa não apenas um avanço acadêmico, mas também a oportunidade de estar novamente próximo de seus entes queridos.
O Internato e a Expectativa do Retorno
O internato é a fase prática e supervisionada do curso de Medicina, onde os estudantes atuam diretamente em serviços de saúde. Wallace obteve autorização para cumprir parte dessa etapa em Juiz de Fora, por meio de mobilidade acadêmica, inicialmente por três meses, com a expectativa de ampliar o período.
Demonstrando grande entusiasmo no seu primeiro dia de atividades, ele expressou seu desejo: “Espero que eu possa realmente conseguir atender as pessoas da forma que eu gostaria de ser atendido. Espero que eu consiga dar essa nova guinada, agora junto da minha família, que é muito importante. A motivação fica diferente quando você está próximo de casa".
Uma Trajetória de Superação e Recomeço
A jornada de Wallace até a Medicina começou muito antes de ingressar na universidade. Aos 18 anos, ele foi preso por tráfico de drogas, cumprindo quatro anos em regime fechado na Penitenciária José Edson Cavalieri, em Juiz de Fora.
Foi durante o período de reclusão que Wallace tomou a decisão de mudar de vida. “Quando eu me vi privado da liberdade, vi que, ou eu continuava naquela vida ou ia mudar. Aí me deu um estalo e eu resolvi acabar de concluir o segundo grau dentro da penitenciária, em um processo supletivo”, relatou.
Da Prisão à Universidade
Após deixar o sistema prisional, ele persistiu nos estudos, com o objetivo de ingressar no ensino superior. Sua história é um testemunho do poder transformador da educação e da resiliência humana.
Wallace reflete sobre sua experiência, afirmando que o passado não precisa determinar o futuro. “Geralmente, a pessoa que está nesse lugar não consegue enxergar nada de diferente. Mas, se você lutar, muda essa situação. Quando você bate no fundo do poço, você não tem mais para onde descer, então é onde você pega o impulso e sobe”. Ele celebra o papel da educação e da esperança em sua nova trajetória, mostrando que sempre é possível lutar pelos sonhos e encontrar uma nova perspectiva de vida.
Fonte: https://g1.globo.com

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