O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (13) que “não vai ter tarifaço” ao comentar a possibilidade de os Estados Unidos ampliarem as tarifas sobre produtos brasileiros a partir desta quarta-feira (15), com uma sobretaxa de 25%. A declaração foi dada a jornalistas após um evento oficial em São José dos Campos (SP).
Apesar da declaração de Lula, o próprio governo brasileiro trabalha com o cenário mais provável de confirmação das novas tarifas e aguarda a decisão oficial para definir uma eventual resposta. Integrantes da equipe econômica também esperam uma última reunião virtual com o representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes do anúncio, na expectativa de obter uma sinalização prévia da decisão.
A possibilidade de um acordo foi reduzido após Greer afirmar recentemente que Brasil e Estados Unidos ainda estão distantes de um entendimento. Mesmo assim, os negociadores brasileiros avaliam que os norte-americanos podem ampliar a lista de questões sobre tarifas por meio de um anexo à decisão final.
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A nova tarifaço ocorre após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O relatório concluiu que o Brasil adota práticas consideradas discriminatórias e desarrazoadas no comércio bilateral e recomendou uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, embora tenha previstas diversas discussões.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, admitiu que as chances de um acordo antes do prazo são mínimas.
“A expectativa de um acordo é quase nenhuma, ou nenhuma mesmo, seja por conta do prazo ou do que aponta os Estados Unidos, pontos sobre os quais não haverá concessões hoje ou amanhã por esse governo”, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo.
Segundo o ministro, permaneceram alguns temas como principais obstáculos às negociações:
- PIX;
- Etanol;
- Tarifas aplicadas pelos EUA ao açúcar brasileiro.
“O Pix é um exemplo, [outro é o] etanol, sem que revejam as tarifas aplicadas ao açúcar brasileiro. São pontos que nos separam hoje. Mas eles podem e devem ampliar a lista de discussões”, declarou.
O governo brasileiro considerou a recomendação do USTR abusiva e injusta e afirma que não aceitará concessões consideradas significativas aos interesses nacionais. De acordo com ele, alguns pontos “são inegociáveis” e outros “equivocados e todos descabidos”.
Na semana passada, o ministro também desistiu da possibilidade de eliminar o imposto de importação sobre o etanol norte-americano durante as negociações. Segundo ele, a medida seria especialmente adequada para a região Nordeste, onde são técnicas parte importante da produção brasileira.
“O presidente Lula defende claramente que o tema do etanol não seja tratado nessa negociação, e mais, não seja tratado sem que nós também tratemos da questão do açúcar, que é sobretaxado nos Estados Unidos”, afirmou o ministro.
Na última sexta-feira (10), Lula voltou a discutir o tema com ministros e auxiliares. O governo aposta que, caso as novas tarifas sejam confirmadas, ainda existe um período de implementação que permite a continuidade das negociações e a tentativa de reduzir os impactos sobre as exportações brasileiras.











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