O debate sobre o fim da escala 6×1 entrou na reta decisiva na Câmara dos Deputados. Enquanto aliados do Planalto defendem uma proposta de avanço na qualidade de vida dos trabalhadores, parlamentares da oposição afirmam que uma mudança pode elevar custos, pressionar preços e gerar insegurança para as empresas.
Integrante da comissão especial que analisa a proposta, o atual líder do Novo na Câmara, deputado Gilson Marques (SC), afirma que a discussão tem sido controlada sob a influência do calendário eleitoral de 2026 e critica o que considera uma tramitação acelerada da PEC.
Em entrevista à Gazeta do Povoele defende maior liberdade de negociação entre empresário e empregador e diz que pretende apresentar emendas durante a análise do texto. “Estão proibindo as pessoas de trabalharem mesmo que queiram”, afirmou o parlamentar catarinense.
O relator da proposta no colegiado, Leo Prates (Republicanos-BA), apresentou parecer favorável ao fim da escala 6×1 nesta segunda-feira (25).
Caso contrário, a proposta seguirá para o plenário da Câmara, onde será necessário o apoio de pelo menos 308 deputados em dois turnos antes de seguir ao Senado.
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Gazeta do Povo: Qual sua opinião sobre a proposta discutida na comissão especial referente ao fim da escala 6×1?
Gilson Marques: Na verdade, é um problema porque essa comissão trata de duas PECs, mas a discussão parece ser técnica em algo do governo que nem é objeto da comissão. A discussão é “barata-tonta”, não é técnica e ninguém sabe as consequências.
Além disso, é uma decisão de cima para baixo que engloba o Brasil inteiro, sendo que há escolhas por localidade. Santa Catarina, por exemplo, tem pleno emprego. Se todos tiverem que contratar mais, onde serão essas pessoas para serem contratadas? Na Bahia, o desemprego é superior a 9%.
Se você aumentar o custo do trabalho — porque uma pessoa trabalharia menos ganhando o mesmo — isso é cruel para quem está desempregado, pois torna a contratação mais difícil.
Usamos o termo “modernização”, mas, na verdade, estão proibindo as pessoas de trabalharem mesmo que queiram; vira um dever, não um direito.
Gazeta do Povo: O governo defende que o salário permaneça o mesmo com a redução da jornada. Como o empresário arca com esse custo?
Gilson Marques: Esse cenário não existe. O empresário não vai tirar o valor adicional do próprio bolso, ele vai repassar o custo para o produto e para o serviço. A padaria ou a farmácia vão cobrar mais caro pelo pão e pelo remédio.
No fim, quem consome esses itens são os próprios trabalhadores que os políticos dizem estar defendendo. A consequência real é fazer com que as pessoas paguem tudo mais caro.
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Gazeta do Povo: Acredita que a discussão atual está contaminada pelo foco eleitoral?
Gilson Marques: Com certeza. O fato de estarmos em ano eleitoral contamina tudo. A maioria dos parlamentares envolvidos busca a reeleição e vê nessa pauta algo popular que ajuda nas urnas. O próprio presidente Lula vê isso como uma “bala de prata” para aumentar popularidade.
Muitos parlamentares sabem que a proposta é ruim para o país hoje, mas votarão a favor por medo de comprometer a reeleição. Prefira votar contra a consciência para se manter no poder.
Gazeta do Povo: Qual seria uma alternativa viável para a jornada de trabalho, considerando também a saúde mental do trabalhador?
Gilson Marques: A melhor alternativa é a liberdade de escolha: que trabalhador e empregador decidam como querem trabalhar e que as horas sejam pagas proporcionalmente. Se uma pessoa quer trabalhar 44, 30 ou 20 horas, que recebe pelo que trabalhou.
O que não pode é Brasília, que não produz nada e vive do setor público, ditar como os outros devem produzir.
Gazeta do Povo: O senhor pretende apresentar alguma medida concreta nesse sentido?
Deputado: Sim, já assinei mais de uma dezena de emendas e provavelmente apresentarei um voto em separado. Acredito que a votação ocorrerá ainda neste semestre, com razão porque a prioridade dessa turma é a eleição e querem acelerar isso antes do início oficial da campanha.











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