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escândalo envolvendo STF impactará as eleições

Redação Por Redação
11 de janeiro de 2026
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escândalo envolvendo STF impactará as eleições
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


O escândalo envolvendo o Banco Master, que se tornou uma das principais crises financeiras e políticas do país na reta final de 2025, deve se manter em alta ao longo dos próximos meses com o potencial de influência nas eleições deste ano – especialmente se a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) para investigar o caso instalado.

Segundo fontes ouvidas pela Gazeta do Povoas inúmeras redes de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com políticos e representantes do Judiciário podem melhorar ou até mesmo comprometer candidaturas.

Paralelamente, o desgaste do Supremo Tribunal Federal (STF) nas últimas semanas devido à conduta de ministros da Corte no caso pode potencializar campanhas de aliados próximos a ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

O tamanho da crise em Brasília

Em poucas semanas, o escândalo do Banco Master gerou forte desgaste à reação do STF e do Tribunal de Contas da União (TCU), enquanto fortaleceu o Banco Central (BC) e gerou apreensão em Brasília, principalmente entre políticos ligados ao Centrão e ao governo.

Uma investigação da Polícia Federal revelou que representantes do banco participaram de um esquema de fraude estimado em mais de R$ 12 bilhões envolvendo a venda de títulos e carteiras de crédito consignadas sem lastro para o Banco de Brasília (BRB). Na prática, o Master passaria ativos inexistentes ou com lastro insuficiente para um banco público, fazendo com que o prejuízo fosse consumido principalmente pela população do Distrito Federal.

A transação, que ocorreu graças a um intenso lobby político, foi aprovada internamente, pelo BRB, e também pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No entanto, em 18 de novembro, o Banco Central vetou a compra e decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master por grave crise de liquidez e riscos sistêmicos.

No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero e prendeu Vorcaro e outros executivos do banco, além de apreender documentos relacionados ao esquema de fraude.

A prisão, no entanto, durou apenas 11 dias. Paralelamente, a defesa de Vorcaro conseguiu remeter a investigação ao STF, com o ministro Dias Toffoli ganhando a relatoria do caso. O ministro centralizou o caso no Supremo, proibiu que a Justiça Federal de Brasília conduzisse atos independentes e tornou o processo sigiloso.

Antes de importar o sigilo, Toffoli passou para Lima, no Peru, no avião de um empresário e na companhia do advogado de um dos presos por envolvimento no escândalo.

Dois dias depois do episódio se tornar público, provas apreendidas pela Polícia Federal revelaram que o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes tinha um contrato com o Banco Master que previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos. Os valores do contrato estão sendo planejados para grandes escritórios de advocacia como muito acima das mídias de mercado, mesmo para escritórios de elite.

Para complicar ainda mais, uma reportagem do jornal Estado de S.Paulo mostrou que Moraes teria telefonado seis vezes no mesmo dia para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para saber sobre o andamento da operação de compra do Master pelo BRB. A conduta do ministro gerou fortes críticas da oposição, no Congresso, e acusações de tráfico de influência. O ministro negou conduta indevida.

“Caixa-preta” do caso Master pode impactar inúmeras candidaturas

Além da atuação de membros do STF, chama a atenção a conduta de ministros do TCU no caso. O Tribunal, que também decretou sigilo na apuração sobre o caso, foi determinante para impulsionar o BC e tentar reverter a liquidação do Banco Master.

No dia 6 de janeiro, o ministro do TCU responsável pelo caso, Jhonatan de Jesus, determinou que fosse feita uma purificação urgente no BC, o que poderia facilitar a estratégia de defesa de Vorcaro de reverter a liquidação do banco. A repercussão negativa da decisão foi tamanha que o ministro voltou e suspendeu a inspeção.

Vale lembrar que a nomeação de ministros do TCU segue critérios predominantemente políticos – o Tribunal conta com nove ministros, sendo que seis são indicados pelo Congresso Nacional e três pelo presidente da República. Jhonatan de Jesus foi nomeado para o TCU em 2023 por Lula. Ex-membro dos Republicanos, partido que integra o Centrão, o ministro é filho do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) e foi deputado federal por quatro mandatos.

O comportamento dos ministros do STF e do TCU foi apontado pela oposição e setores da imprensa como uma tentativa de frear as investigações e evitar a exposição das conexões políticas de Vorcaro em Brasília. Nos bastidores, comenta-se que uma suposta delação do empresário poderia expor nomes de peso que atuaram para favorecê-lo – muitos deles com projetos eleitorais para 2026.

“O Banco Master definiu relações bem pragmáticas no âmbito político, ou seja, tendo vínculos com representantes do governo, da oposição e do centro. De qualquer forma, só será possível mensurar os impactos no âmbito-eleitoral a partir de desdobramentos políticos do caso no STF”, explica Leandro Gabiatti, doutor em ciência política e diretor da Dominium Consultoria.

CPMI do Banco Master pode ser decisivo

Caso prospere a tentativa de parlamentares de oposição ao governo Lula de instalar uma CPMI para investigar o escândalo, já que as chances de o caso impactar nas eleições aumentam consideravelmente.

A abertura da CPMI, que já conta com o número de assinaturas necessárias para ser instalada, tem sido combatida pelos governantes. Entre as 243 assinaturas de parlamentares (da Câmara e do Senado) até o momento, não há praticamente nenhum aliado de Lula.

Um título de exemplo, a CPMI do INSS, que apurou fraudes e irregularidades em benefícios previdenciários e gerou forte desgaste à imagem do governo, obteve mais assinaturas de governistas do que o pedido para investigar o Banco Master.

“Chama a atenção que a CPMI não tenha saído até agora. Acho que muitos congressistas estão fazendo cálculos sobre o que pode sair dessa investigação e quem pode ganhar ou perder. Será preciso aguardar o início do ano legislativo, em fevereiro, para entender melhor as chances de isso sair do papel”, avalia Gabiatti.

Crise Banco MasterFachada do Banco Master em Brasília (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Quem pode sair ganhando com o caso Banco Master

Para fontes ouvidas pela reportagem, candidaturas de direita, com discurso de moralidade, anticorrupção, probidade e respeito à ordem jurídica, e que questionem a suposta atuação do STF para cegar aliados no escândalo envolvendo o banco de Vorcaro, podem ser beneficiadas nestas eleições.

Para Giuliano Miotto, advogado e diretor-presidente do Instituto Liberdade e Justiça (IJL), o maior impacto eleitoral pode acontecer no Senado Federal, que é a casa responsável por sabatinar membros do STF, processar e julgar o impeachment desses ministros e também pela sabatina de diretores do Banco Central.

“Existe uma percepção generalizada de que o Senado não está cumprindo seu dever de equilibrar as ações do Supremo, e isso está mobilizando boa parte dos eleitores no sentido de eleger senadores mais alinhados à direita. É possível que alguns candidatos ao deputado federal também consigam fomentar uma militância e obtenham mais votos explorando o tema”, aponta.

Luan Sperandio, analista político e diretor de operações do Ranking dos Políticos, também aponta uma janela de oportunidade eleitoral para candidaturas de direita ao Senado, “contribuindo para uma eleição com traços plebiscitários sobre o debate dos superpoderes do STF e seus limites”.

“O caso Banco Master também tem grande relevância para a Faria Lima e para agentes que atuam junto ao Sistema Financeiro Nacional. Ele se configura como um teste de estresse da autonomia do Banco Central e das estruturas regulatórias”, afirma.

E quem pode sair perdendo

Mesmo sem a dimensão real de quais são os atores públicos envolvidos no escândalo, alguns personagens ou grupo político já devem ser impactados eleitoralmente. Para Miotto, a tentativa de reeleição de Lula pode ser afetada dependendo da estratégia de adversários.

“A percepção de que há um ‘consórcio’ entre o Executivo e o Judiciário para blindar aliados ou interesses específicos pode alimentar ainda mais o sentimento antipetista. Se a oposição conseguir impedir a instabilidade jurídica gerada pelo caso à economia real – como risco de inflação ou fuga de capitais –, isso atingirá uma parte importante da estratégia de reeleição de Lula, que depende da percepção de bem-estar econômico”, avalia.

Já entre políticos do Distrito Federal, sede do BRB, os reflexos podem chegar com mais força. Entre os nomes mais fortes estão Ibaneis Rocha (MDB) e Celina Leão (PP) – respectivamente governador e vice-governadora.

O governo do DF apoiou a negociação da compra do Banco Master pelo BRB. No entanto, com o passar dos meses, a postura mudou, com Ibaneis admitindo riscos e apontando mudanças de rumores na negociação.

“O Ibaneis estava com uma eleição relativamente tranquila ao Senado, e a vice-governadora, que deve ser candidata ao governo do DF, também. Ambos têm boa confirmação, mas é preciso ligar o alerta, porque eventuais novos desdobramentos relacionados ao BRB podem gerar grande impacto em suas futuras candidaturas”, aponta Gabiatti.

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