
A Polícia Federal deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (18), apontando que o senador Jaques Wagner (PT-BA) atuou como interlocutor estratégico para o Banco Master em negociações com o Banco de Brasília, levantando suspeitas de vantagens indevidas e influência política.
Qual foi o papel de Jaques Wagner nas negociações do Banco Master?
Segundo a investigação da Polícia Federal, o senador não era um simples observador, mas um interlocutor ativo. Ele mantinha contato frequente com empresários ligados à instituição, especialmente durante a tentativa de venda do Master para o BRB (banco estatal de Brasília). O ministro André Mendonça, do STF, destacou que Wagner tratava de temas sensíveis e estratégicos, abrindo como uma ponte política para os interesses do grupo econômico.
O que o pesquisador investigou nas mensagens trocadas?
A PF analisou conversas que mostram o envio de informações privilegiadas ao Senado, como notícias sobre notas de crédito (rating), estrutura das empresas e até detalhes de propostas legislativas. Em uma das mensagens, um empresário afirma que Wagner faz parte de sua história, o que foi interpretado como prova de uma relação estreita e direcionada aos negócios, indo muito além de um simples contato social.
O que é a chamada Emenda Master mencionada no caso?
A investigação cooperação a participação do gabinete do senador em discussão sobre a PEC 65/2023. Foi nesse contexto que surgiu a ‘Emenda Master’, uma proposta que pretendia aumentar os limites de proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essa mudança beneficiaria diretamente o modelo de negócios da instituição. A coincidência de dados entre essa atuação parlamentar e repasses financeiros para empresas ligadas à família do senador acendeu o alerta da PF.
Como o cartão Credcesta aparece na investigação?
O Credcesta é um cartão de crédito com desconto em folha (consignado) enviado para servidores públicos da Bahia. A Polícia Federal suspeita que Jaques Wagner tenha usado sua influência política para ampliar os limites de contratação desse serviço no estado. Isso aumentaria os lucros das empresas ligadas ao grupo controlado por Daniel Vorcaro e Augusto Lima, fortalecendo a presença do banco no mercado baiano.
Quais são as suspeitas de vantagens indevidas?
Além da influência política, os pesquisadores investigaram registros de pagamentos no valor de R$ 3,5 milhões para o entorno familiar do senador. Também há comentários de que o parlamentar utilizou jatinhos de empresários do banco para deslocamentos. Os atrasos em alguns desses pagamentos foram justificados pelos próprios investigados como consequência do fracasso de operações bancárias que acabaram sendo barradas pelo Banco Central.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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