O encontro do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com o presidente americano Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, nesta terça-feira (26), repercutiu imediatamente nas redes sociais do meio político brasileiro. Enquanto os governantes minimizaram a agenda, a direita celebrou o encontro como um fortalecimento do discurso de segurança pública.
UM Gazeta do Povo reuniu as manifestações dos dois campos políticos:
Comemoração à direita
Para os aliados da família Bolsonaro, o encontro foi interpretado como uma vitória diplomática e política que consolidou Flávio como um nome apoiado internacionalmente. Os discursos focaram no prestígio internacional e na agenda de segurança pública, especialmente no pedido para que facções brasileiras sejam definidas como terroristas pelos EUA.
Coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) projetou o cenário para o próximo ciclo político: “Em 2027, com Flávio Bolsonaro, o bandido voltará a temer a lei, não o cidadão de bem”, endossando o discurso de que o país precisa retomar o controle de territórios dominados pelo crime.
O deputado federal Mário Frias (PL-SP) destacou o caráter “inédito” e “espontâneo” do convite de Trump, que convocou o debate, afirmando que o líder americano enxerga no Senado o nome ideal para combater o que chamou de “projeto totalitário de poder da esquerda”.
“Esse encontro histórico não ocorreu por insistência dos bolsonaristas: foi fruto de um convite espontâneo do próprio Trump; e isso significa muito”, escreveu Frias em sua conta no X.
Deputados alinhados como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Julia Zanatta (PL-SC) celebraram o alinhamento em torno do combate ao crime organizado. Julia destacou a importância do pedido de Flávio para que facções como o PCC e o Comando Vermelho (CV) fossem rotuladas como organizações terroristas por Washington.
“Alinhamento importante!”, escreveu Nikolas. “Chamar as coisas pelo nome”, disse Julia.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que integrou a comitiva, usou suas redes sociais para ironizar os céticos, que duvidaram da realização da agenda enquanto não estava confirmado: “’Não está na agenda’. ‘Não é oficial’. ‘Não vai acontecer’. Aconteceu e foi muito bom!”, disse.
Esquerda vê manobra diversionista
O campo governamental classificou a viagem como uma tentativa de desviar o foco das polêmicas domésticas envolvidas no senador. Eles também criticaram a presença do irmão de Flávio, Eduardo, e do jornalista Paulo Figueiredo na comitiva, chamando os dois de “fugitivos”.
O ministro da secretaria-geral da Presidência da República Guilherme Boulos questionou se Flávio havia pedido que Trump colocasse milícias como organizações terroristas. “Fico curioso para saber se ele pediu para Trump declarar milícia do Rio como organização, porque ele tinha a no gabinete dele a mãe e a esposa do miliciano Adriano da Nóbrega”, disse Boulos em vídeo divulgado em redes sociais.
Vice-líder do governo Lula na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) ironizou a comitiva de Flávio, com Eduardo e Paulo Figueiredo —, apelidando o grupo de “Três patetas com Trump”.
Segundo Lindbergh, a agenda no Salão Oval foi “ridículo” e nada mais que “um fotinho” para esconder o escândalo financeiro recente com o nome do senador vinculado ao empresário Daniel Vorcaro. “Tudo isso para esconder a grana, os R$ 61 milhões que pegaram para financiar o golpe contra o Brasil”, disse o parlamentar em vídeo na sua conta no X.
Para o ex-ministro e pré-candidato a deputado federal, José Dirceu o pré-candidato estaria usando uma viagem para se esquivar da pressão política no Brasil.
“Ele está fugindo dos problemas no Brasil, né. Flávio Bolsonaro foi aos EUA, ao lado de ‘dois fugitivos’ (referindo-se a Eduardo e Figueiredo), para posar ao lado de Donald Trump. Para conspirar contra o Brasil”, declarou o petista no X.

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