A Baires Fly, empresa proprietária do jatinho que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família da Argentina aos Estados Unidos nesta quarta-feira, 28, é alvo de uma investigação sobre suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro na Agência Nacional de Deficiência da Argentina (Andis).
Segundo o jornal argentino Perfil, a companhia aparece no processo que investiga um suposto esquema de suborno na compra de medicamentos. Entre os nomes envolvidos nas suspeitas está Karina Milei, irmã do presidente Javier Milei e secretária-geral da Presidência argentina. Ela nega as acusações.
A suspeita é de que fornecedores obtinham contratos superfaturados com a Andis e depois transferiam valores para contas da Baires Fly. Os pagamentos seriam apresentados como despesas com fretamento de aviões, embora os voos não tivessem ocorrido. A operação teria servido para dar aparência legal a recursos desviados.
Outro alvo da investigação é o empresário Sergio Mastropietro, suspeito de emitir notas fiscais em nome da companhia para justificar as transferências. Todas as notas possuíam a mesma descrição: “Compra de quilômetros nacionais para utilização em aeronaves da empresa”.
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O escândalo veio a público em agosto do ano passado, após a divulgação de um áudio atribuído a Diego Spagnuolo, então diretor da Andis e ex-advogado de Milei. Na gravação, ele afirmou que a irmã do presidente argentino cobrava propina de indústrias farmacêuticas para compra de medicamentos para a rede pública. Spagnuolo foi demitido após o vazamento do áudio.
Em 2023, Milei utilizou um jato da Baires Fly para realizar sua primeira viagem internacional após ser eleito presidente, com destino aos Estados Unidos. O voo foi financiado pelo empresário Gerardo Werthein, que depois foi nomeado embaixador da Argentina em Washington.
Rota de fuga
Flávio viajou com a mulher, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas em um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW. Após a Direção Nacional de Migrações inicialmente negar qualquer registro de entrada do senador brasileiro no território argentino, o órgão reconheceu posteriormente que o ex-candidato presidencial chegou ao país terça-feira, às 22h50, pela ponte internacional Tancredo Neves — que liga o Paraná a Puerto Iguazú. De lá, seguiu para o aeroporto na província de Misiones, escoltado por agentes da PSA, e embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador. Na manhã desta quarta-feira, ele chegou a Miami.
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Na Casa Rosada, afirmaram que não havia mandados de prisão nem impedimentos migratórios registrados que justificassem barrar a entrada de Flávio. No entanto, o ministro do STF Alexandre de Moraes havia proibido o ex-candidato de deixar o Brasil e determinado a entrega de seus passaportes, no âmbito de uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro, relacionada ao advogado Willer Tomaz e esquemas de bets.
A fuga ocorreu após Flávio ser derrotado no segundo turno da eleição presidencial por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem Milei evitou parabenizar pela vitória.
Fonte: Abril












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