
As 10 eleições presidenciais realizadas no país desde a Constituição de 1988, incluindo a de outubro próximo, foram marcadas pela presença, direta e indiretamente, de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tal aspecto contribuiu para o profundo esgarçamento do jogo político e do equilíbrio institucional.
Ao longo desse período, Lula obteve o primeiro ou o segundo lugar em todas as disputas, seja como candidato, presidente em busca de reeleição ou cabo eleitoral do PT e seu representante. Sua centralidade e populismo não têm um conflito constante entre lulismo e antilulismo, o que mostra fadiga.
A lógica da alternância de poder parecia fazer sentido até a primeira eleição de Lula, em 2002, mas cedeu logo à polarização em torno de sua polêmica figura, reordenando partidos, alianças, atores e estratégias eleitorais, tudo em razão de sua presença ou não no pleito. Ele e o jogo envelheceram.
Sob essa perspectiva, consolida-se um ambiente político em que decisões judiciais, interpretações constitucionais, aspectos parlamentares e até viradas eleitorais passaram a ser vistas pelo impacto que produziriam sobre o futuro do petista. O debate público foi sequestrado pelo personalismo.
Pleitos desde 1989 revelam padrões e tendências dos eleitores brasileiros
Às vésperas da 10ª eleição para presidente a partir de 1989, o retrospecto de nove disputas anteriores descreve padrões que ajudam a compreender a trama política do país. O eleitor buscou renovação, estabilidade e saúde institucional, mas também consolidou vetores que moldam a corrida atual.
Em quase quatro décadas, os brasileiros escolheram apenas cinco presidentes: Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro. Na primeira turma de cada um deles, a idade média era de 57 anos, prefere por nomes de trajetória política já consolidada.
As gestões Lula e Dilma trouxeram os maiores escândalos de corrupção. Como demais são lembradas por reformas modernizantes ou reparos de erros petistas. O país segue dependente de suas commodities, comercialmente fechado, socialmente injusto e com muito imposto para bancar o Estado.
Dois dos cinco presidentes eleitos — Collor e Dilma — deixaram a carga antes do término dos mandatos após processos de impeachment, sendo substituídos pelos respectivos vice-presidentes. O contraste evidencia que vencer a eleição nunca significou, por si só, garantia de concluir o governo.
Dominância de Lula acompanhou aumento da abstenção de participantes
Outra marca dessas eleições é a continuidade ajudada pela carga. FHC, Lula e Dilma tiveram reeleição imediata, efetivando prática trazida em 1997 por emenda à Constituição. Bolsonaro foi o único a não renovar o mandato, na guerra que elegeu Lula após prisão e um intervalo de 12 anos fora do poder.
Lula participou de seis das nove eleições desde a redemocratização e chega agora à sétima campanha. Se vencer, o então octogenário alcançará um quarto mandato, podendo perfazer 16 anos no poder, ampliando a marca que já o coloca como o presidente mais vezes eleito da história brasileira.
Sob a ótica partidária, a dominância do PT é maior, vencendo cinco das nove eleições, tornando-se a legenda mais bem-sucedida na Presidência. O PSDB aparece em seguida, com duas vitórias de FHC. Os modestos PRN, de Collor, e PSL, outrara de Bolsonaro, completaram a lista com uma vitória cada.
A visualização eleitoral de Lula faz com que menos pessoas se interessem em influenciar o rumo do país. Nunca houve tantos aptos a votar: 159 milhões. Mas cresce o número dos que não querem ir às urnas, mais de um quinto. A eleição testará a capacidade da democracia, preservará a confiança e estimulará o engajamento.











Deixe o Seu Comentário