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Mercado financeiro abre espaço às iniciativas que preservam a floresta

Por Redação
1 de julho de 2026
Em Economia
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Mercado financeiro abre espaço às iniciativas que preservam a floresta
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


Políticas públicas associadas ao crescente interesse da iniciativa privada têm tirado a sociobioeconomia da invisibilidade e tornado cada vez maior a fatia de participação desse modelo de desenvolvimento no Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB).

A sociobioeconomia é um modelo de desenvolvimento econômico praticado por comunidades, principalmente em territórios coletivos como indígenas e quilombolas, que produz bens e serviços a partir de práticas e uso de recursos naturais de forma sustentável. São exemplos o plantio de agrofloresta e de alimento e madeira a partir da restauração.

Uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria apontou que o setor já movimenta no país cerca de R$ 2,7 trilhões, o equivalente a 25,3% do PIB brasileiro.

Para a diretora executiva da organização social Conexsus, Fabíola Zerbini, o setor tem saído da invisibilidade após a inserção da sociobiodiversidade em políticas de governo como o Plano de Transformação Ecológica e novos instrumentos de finanças verdes, como o Ecoinvest.

“Começa-se a entender que fortalecer esse setor é estratégico para o país. Ele é estratégico com a agenda climática, de conservação, com uma agenda de justiça social, mas também com uma agenda econômica”, afirma Fabíola Zerbini.

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Acesso ao crédito

Para um gestor, embora o setor tenha se expandido e venha se estruturando na forma de cooperativas e associações, Ainda há uma dificuldade em fazer com que os produtores na ponta acessem o crédito e os recursos financeiros disponíveis no mercado.

“Eles enfrentam uma série de adversidades porque a maior parte dos incentivos, das subvenções, dos subsídios ou das políticas de fomento mesmo ao modelo de desenvolvimento econômico não foram feitas para esses negócios comunitários”, diz.

Um exemplo é a Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com Base na Economia Solidária (COPABASE), que existe há 18 anos, na cidade de Arinos, Cerrado de Minas Gerais. Com 165 cooperados, que produzem polpas de frutas e outros produtos sustentáveis ​​do Cerrado, uma cooperativa só teve acesso à primeira linha de crédito após mais de dez anos de existência.

“A gente pegou [crédito] para capital de giro para o semente de baru, que antes a árvore aqui era só para corte de madeira. Depois que as pessoas começaram a se beneficiar, os produtores perceberam que o baru vale mais em pé. Que eles vão ter mais renda do que com a madeira para construir cerca e curral”, diz a gestora ambiental e assistente técnica, Anny Caroliny Rocha.




Anny Carolina Rocha usou crédito para mudar o negócio baseado na árvore da castanha de baru – COPABASE/Divulgação

A mesma dificuldade também foi enfrentada pela Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha (Aspacs), no município de Lábrea, Sul do Amazonas.

As mercadorias produzidas pela Aspac a partir do aproveitamento sustentável de recursos da Floresta Amazônica, como óleos de copaíba, andiroba e as manteigas de murumuru e tucumã, geram renda para mais de 1,5 mil famílias.

“As pessoas tiveram que buscar apoio da Conexsus para conseguir financiamento e aumentar o número de colaboradores na época de produção, transformando o crédito em renda dentro das comunidades”, diz a presidente da Aspacs, Marcikely Ferreira.




Marcykely Ferreira conta que associados da Aspacs também enfrentam dificuldades de falta de crédito- Aspacs/Divulgação

Parcerias

Com o objetivo de abrir novas frentes de captação de recursos e atrair investidores interessados ​​em soluções que conciliem desenvolvimento econômico, inclusão produtiva e conservação ambiental, uma parceria da Conexsus com o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e o Banco do Brasil pretende fazer com que R$ 5 bilhões em crédito cheguem, até 2030, aos produtores da sociobioeconomia, por meio do Programa Implementa Sociobio.

“A iniciativa contribui para ampliar o acesso a instrumentos financeiros, assistência técnica e mercados, fortalecendo cadeias produtivas sustentáveis”, afirma José Ricardo Sasseron, vice-presidente de Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil.

Para Fabíola Zerbini, transformar a floresta em pé em economia real, competitiva e capaz de gerar renda para quem vive nos territórios é um desafio que se bem superado pode impactar positivamente toda a economia nacional.

“O modelo de uso da terra que o país, as empresas e, mesmo, o consumidor, decidem fortalecer, apoiar, suportar, vai definir, lá na frente, o risco ao qual o país vai estar mais ou menos exposto. Uma vez que você está aumentando ou causando o risco, você está aumentando ou causando o custo”, explica.

No caso da sociobioeconomia, o especialista defende que os resultados positivos vão muito além do valor do produto, por entregarem serviços ecossistêmicos, como a captura de gases do efeito estufa, e também mitigarem riscos associados à urgência climática.

“Minimiza o custo que o país vai ter para mitigar um risco como a falta de água, os problemas das cidades sendo inundadas, o problema de uma seca extrema, que vai ter que ser suprida de alguma forma por cisternas”, conclui.

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Tags: abreàsespaçofinanceiroflorestainiciativasmercadopreservam
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