O Governo do Distrito Federal (GDF) enviou à Câmara Legislativa, na noite desta sexta-feira (20), um projeto de lei que autoriza o uso de 12 imóveis públicos para fortalecer a caixa do Banco de Brasília (BRB).
A proposta integra o plano apresentado ao Banco Central no início do mês para levantar ao menos R$ 2,6 bilhões para recompor as perdas com a aquisição de carteiras de crédito do Banco Master.
Segundo o governo, os bens poderão como garantia para a captação de recursos, principalmente num empréstimo possível do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A medida, de acordo com o Executivo local, não implica necessariamente a venda imediata do patrimônio. Os imóveis foram usados para reduzir os riscos aos credores com possíveis inadimplências e diminuir os juros dos empréstimos ao BRB.
Capitalização
O texto autor das três ações principais: integralização de capital com bens móveis ou imóveis; alienação (venda) de patrimônio com destinação de recursos ao banco; e adoção de outras medidas permitidas pelo Sistema Financeiro Nacional.
Caso aprovado, o projeto permitirá ao GDF transferir propriedades ao BRBestruturar operações por meio de fundos de investimento imobiliário, constituir garantias ou fazer vendas diretas. As alternativas poderão ser empregadas de forma isolada ou combinada.
A iniciativa ocorre em meio às investigações e aos impactos financeiros relacionados às operações entre o BRB e o Banco Master, que mantêm a instituição sob atenção do mercado e das autoridades reguladoras.
Áreas ocupadas
Entre os imóveis contratados estão o Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad), em Taguatinga, e terrenos no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), no Parque do Guará, no Lago Sul, na Asa Norte e no Setor Habitacional Tororó (área próxima à Papuda).
As áreas pertencem a estados locais como Terracap e Novacap.
O projeto prevê avaliação prévia dos bens, respeito ao interesse público e observância das regras de governança antes de qualquer alienação ou constituição de garantia.
Pressão regulatória
A necessidade de apoio ganhou força após o Banco Central sinalizar que pode impor restrições ao BRB caso não haja recomposição de capital até a divulgação do próximo balanço, em 31 de março. Entre as possíveis medidas estão limitações operacionais e impedimentos de expansão de negócios.
Nos últimos meses, o banco iniciou a venda de carteiras de crédito para bancos privados para recuperação monetária. No entanto, a estratégia não elevou o patrimônio líquido, fator essencial para recompor o índice de Basileia, indicador que mede a saúde financeira das instituições.
Complicações
A venda de ativos tem problemas porque, na prática, o BRB troca ativos por dinheiro, sem aumentar o patrimônio líquido (diferença entre ativos e passivos). Nas próximas semanas, a Câmara Legislativa debaterá o projeto de lei.
Uma complicação adicional para a obtenção de empréstimos pelo Distrito Federal é a recente diminuição da nota de capacidade de pagamento (Capag), indicador divulgado pelo Tesouro Nacional.
A nota C em 2025 impede o GDF de obter crédito com garantia do Tesouro Nacional, em que a União cobriria eventuais inadimplências e descontaria o valor dos repasses constitucionais à unidade da Federação.

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