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Dívida Pública sobe 18% em 2025 e supera R$ 8,6 tri

Redação Por Redação
28 de janeiro de 2026
Em Economia
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Dívida Pública sobe 18% em 2025 e supera R$ 8,6 tri
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


O forte volume de juros, somado às emissões de títulos públicos, fez a Dívida Pública Federal (DPF) subir em 2025. Segundo números divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Tesouro Nacional, a DPF encerrou o ano passado em R$ 8.635 trilhões, alta de 18% em relação aos R$ 7.316 trilhões registrados no fim de 2024.

A maior parte da alta do endividamento federal justifica-se pela incorporação de juros, que somou R$ 879,9 bilhões no ano passado. O restante da alta vem do fato de que, em 2025, o Tesouro emitiu R$ 439,06 bilhões a mais do que resgatou.

Apenas em dezembro, o DPF subiu 1,82%. Apesar da alta, a dívida encerrou 2025 dentro dos limites previstos no Plano Anual de Financiamento (PAF) do ano passado, que estabelecia que o indicador deveria chegar ao fim do ano passado entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões. No entanto, o PAF foi revisto em setembro do ano passado. O documento original estabelece que a dívida pública poderia encerrar 2025 em até R$ 8,5 trilhões.

A Dívida Pública Mobiliária (em títulos) interna (DPMFi) avançou 19,26% no ano passado, saindo de R$ 6,967 trilhões no fim de 2024 para R$ 8,309 trilhões no fim de 2025. Apenas em dezembro, a alta ficou em 1,76%. No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 60,82 bilhões em títulos a mais do que resgatou, principalmente em papéis garantidos à Taxa Selic. Essa emissão líquida somou a apropriação de R$ 82,82 bilhões em juros.

Por meio da apropriação de juros, o governo confirma, mês a mês, a correção dos juros que incide sobre os títulos e incorpora o valor ao estoque da dívida pública. Com a Taxa Selic (juros básicos da economia) em 15% ao ano, a apropriação de juros pressiona o endividamento do governo.

No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 65,37 bilhões em títulos da DPMFi. Com o baixo volume de vencimentos de títulos prefixados em dezembro, os resgates foram menores e somaram R$ 4,55 bilhões.

Beneficiada pela queda do dólar no ano passado, a Dívida Pública Federal Externa (DPFe) recuperou 6,62% em 2025, passando de R$ 349,19 bilhões no fim de 2024 para R$ 326,07
bilhões no fim de 2025.
Em dezembro, no entanto, o indicador subiu 3,53%. O principal fator foi a alta de 3,16% do dólar no mês passado, em meio a encargos provocados pelo governo de Donald Trump, e o aumento nas remessas de divisas para o exterior antes da reforma do Imposto de Renda entrar em vigor.

Colchão

Após dois meses de alta, o colchão da dívida pública (reserva financeira usada em momentos de turbulência ou de forte concentração de vencimentos) caiu em dezembro. Essa reserva passou de R$ 1.213 trilhão em novembro para R$ 1.187 trilhão no mês passado. O principal motivo, segundo o Tesouro Nacional, foi a baixa emissão líquida (emissões menos resgates) no mês passado.

Atualmente, o colchão cobra 7,33 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1.507 trilhão em títulos federais.

Composição

Com a forte emissão de títulos corrigidos pela Selic, a composição da DPF variada da seguinte forma de novembro para dezembro:

• Títulos garantidos a Selic: 48,14% para 48,25%;

• Títulos corrigidos pela inflação: 26,1% para 25,93%;

• Títulos prefixados: 22,07% para 22,05%;

• Títulos garantidos ao câmbio: 3,7% para 3,76%.

O PAF prevê que os títulos sejam encerrados no ano nos seguintes intervalos

• Títulos garantidos a Selic: 48% a 52%;

• Títulos corrigidos pela inflação: 24% a 28%;

• Títulos prefixados: 19% a 23%;

• Títulos garantidos ao câmbio: 3% a 7%.

Normalmente, os papéis prefixados (com taxas definidas no momento da emissão) indicam mais previsibilidade para a dívida pública, porque as taxas são definidas com antecedência. No entanto, em momentos de instabilidade no mercado financeiro, as emissões caem porque os investidores pedem juros muito altos, que comprometeriam a administração da dívida do governo.

Em relação aos papéis vinculados ao Selic (juros básicos da economia), esses títulos estão atraindo o interesse dos compradores por causa das recentes altas promoções pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A dívida cambial é composta por títulos antigos da dívida interna corrigidos em dólar e pela dívida externa.

Prazo

O prazo médio da DPF oscilou de 4,08 anos em novembro para 4 anos em dezembro. O Tesouro só fornece estimativas em anos, não em meses. Esse é o intervalo médio em que o governo leva para renovar (refinanciar) a dívida pública. Prazos maiores demonstram mais confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar os compromissos.

Detentores

A composição dos detentores da Dívida Pública Federal Interna ficou a seguinte:

• Instituições financeiras: 32,88% do estoque;

• Fundos de pensão: 22,76%;

• Fundos de investimentos: 20,79%;

• Não residentes (estrangeiros): 10,35%

• Demais grupos: 13,22%.

Apesar da maior tensão no mercado financeiro em dezembro, a participação dos não residentes (estrangeiros) aumentou em relação a novembro, quando estava em 10,05%. Em novembro de 2024, o percentual estava em 11,2% e atingiu o maior nível desde 2018.

Por meio da dívida pública, o governo pega dinheiro emprestado dos investidores para honrar compromissos financeiros. Em troca, comprometa-se a devolver os recursos depois de alguns anos, com alguma correção, que pode seguir a taxa Selic (juros básicos da economia), a inflação, o dólar ou ser prefixado (definido com antecedência).

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