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Brasil completa 1 ano fora do Mapa da Fome, mas desafios persistem

Por Redação
2 de julho de 2026
Em Economia
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Brasil completa 1 ano fora do Mapa da Fome, mas desafios persistem
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


Em julho de 2025, há um ano, o Brasil deixou o Mapa da Fome o que revelou em menos de 2,5% da população com risco de subnutrição ou falta de acesso à alimentação suficiente. Apesar da conquista, ainda não há país com cerca de 6,5 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar grave.

Um ano depois de deixar o Mapa da Fome, o Brasil ainda tem cerca de 6,5 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave. Especialistas afirmam que a manutenção desse resultado depende de políticas públicas permanentes nas áreas de emprego, renda, saúde, educação e segurança alimentar.

Esse é o menor patamar da série histórica, mas, segundo especialistas entrevistados pela Agência Brasil, ainda é preciso combater a fome. Para aqueles que estão em situação mais grave, a segurança alimentar, ou seja, o acesso regular, permanente e suficiente a alimentos saudáveis ​​e de qualidade, é garantido a 77% da população brasileira.

Segundo o pesquisador Lucas de Almeida Moura, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Combate à Fome, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, é preciso encontrar mecanismos que tornem permanentes as estratégias que reduzam o índice de insegurança alimentar no Brasil.

“Termos fazer esse marco, pela segunda vez, de saída do Mapa da Fome, é resultado de uma intersetorialidade muito forte entre as políticas públicas. Isso precisa de fato ser interrompido e, mais do que melhorar, melhorar.”

De acordo com o especialista, o combate à insegurança alimentar não está centrado apenas na oferta de alimentos, mas na criação e na manutenção de toda uma estrutura complexa que vai garantir o acesso adequado à alimentação. Isso envolve garantia de uma renda mínima, educação, acesso à água, esgotamento sanitário, segurança pública, emprego.

Lucas Moura é autor do estudo que criou um ponto de medição multidimensional para a insegurança alimentar no Brasil, denominado Índice Multidimensional de Insegurança Alimentar, cujo primeiro número foi lançado em janeiro deste ano, abrangendo o período de 2018 a 2022.

Os resultados do MUFII (do nome em inglês) foram publicados na revista Sustentabilidade. A pesquisa propõe avaliação da fome a partir de 12 indicadores de Desenvolvimento Sustentável, comparando ano a ano.

Os resultados mostraram piora no cenário nacional em 2022, revelando que os menores valores médios foram encontrados em Santa Catarina, enquanto os maiores foram registrados no Maranhão, Acre e Amazonas. Os dados apontam que a maior parte dos estados do Norte e Nordeste do Brasil está em um nível acima dos 50% de insegurança alimentar multidimensional. A ideia dos pesquisadores é atualizar o índice para os anos posteriores a 2022.

Políticas públicas

De acordo com a secretária Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Valéria Burity, a meta é garantir que os brasileiros consigam se alimentar com qualidade e que isso seja um direito de todos.

“Essa é uma meta de longo prazo de impacto: a gente garantir o direito à alimentação adequada saudável como um direito para toda a população brasileira.”

Uma das ações que mais impactaram nesta redução foi o Plano Brasil sem Fome, que articula medidas de política econômica e de proteção social. O plano fomentou a agricultura familiar, reajustou a alimentação escolar, apoiou as cozinhas comunitárias e determinou meios para garantir a proteção social, o trabalho, o rendimento e o acesso à alimentação adequada.

Segundo a secretária, a prioridade atual é a inclusão das pessoas que ainda estão em risco de insegurança alimentar em políticas públicas, apoiando estados e municípios para que também consigam fazer o mesmo movimento.

Três pilares

A professora Semíramis Domene, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretora do Instituto Fome Zero (IFZ), destacou que três grandes movimentos levaram a fome a patamares tão baixos novamente.

Em primeiro lugar, foram mecanismos de diminuição dessa desigualdade. “Se o acúmulo de riqueza e desigualdade está na raiz da fome, combater a desigualdade está na raiz do caminho para sair dela.”

As políticas de emprego e renda foram fundamentais para isso. “A gente tem hoje o menor índice de desemprego em 13 anos; temos uma elevação do salário mínimo que alcançou reajustes superiores a 6% a partir de 2022. Então, nessa primeira dimensão de combate à desigualdade, a gente tem sido muito bem-sucedida.”

Uma segunda frente foi o fortalecimento das políticas públicas de proteção social. Não se trata apenas da diminuição da desigualdade por meio do emprego, mas, sim, da criação de mais emprego, de mais renda, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

No âmbito do Bolsa Família, os resultados são positivos e mostram que as soluções atendidas evoluíram para uma condição de emprego, conseguem melhorar a escolarização de suas crianças “e muitas das famílias deixam o Bolsa Família, justamente porque melhoraram sua condição familiar”. Citou também ganhou com o Cadastro Único, que foi modernizado recentemente em 2025 e o Programa Nacional de Alimentação Escolar.

A terceira frente muito importante, que também explica a saída do Mapa da Fome, são as ações relativas à produção de alimentos, com o fortalecimento das políticas de abastecimento, sobretudo com o incentivo à produção de alimentos da agricultura familiar, que é mais próxima da comida que vai à mesa do povo.

Para a diretora do Instituto Fome Zero, o fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que estava praticamente extinto, sem financiamento, tem sido fundamental para a agricultura familiar. “Pode-se discutir o abastecimento na perspectiva do alimento como função social e da terra não como um bem que favorece o mercado internacional de commodities.”

Insegurança alimentar

O economista e pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) Daniel Duque também destaca o protagonismo do Bolsa Família na redução da fome no país. Segundo ele, o aumento da assistência à renda permitiu que milhões de famílias voltassem a ter poder de compra.

Além disso, ele ressalta que os preços dos alimentos tiveram desaceleração em relação à inflação geral a partir de 2023 e também nos anos subsequentes de 2024 e 2025, com o país apresentando boas safras, o que ajudou a controlar os preços dos alimentos. Do mesmo modo, o mercado de trabalho melhorou bastante nesse período, contribuindo de forma significativa para o avanço da situação brasileira.

Para que o Brasil se mantenha fora do Mapa da Fome e reduza os índices de insegurança alimentar, o país precisa manter uma situação de mercado de trabalho favorável. “Até agora, não parece haver nenhum indicativo de reversão do emprego”, afirmou Duque.

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Tags: anoBrasilcompletadesafiosfomeforamapamaspersistem
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