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Apex prevê plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações

Redação Por Redação
17 de julho de 2026
Em Economia
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Apex prevê plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


Após a tarifa adicional dos Estados Unidos (EUA) contra parte das exportações do Brasil, A Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou um plano de R$ 130 milhões, a ser lançado em agosto, para diversificar as vendas do Brasil no exterior e reduzir os impactos das tarifas estadunidenses.

Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a ApexBrasil informou que o plano será lançado em parceria com 57 setores econômicos do país, nas mais diversas áreas, que reúnem 2,4 mil empresas exportadoras.

“A expansão para outros mercados a gente já faz. O que a gente vai trabalhar agora é a diversificação. É um novo olhar sobre novas oportunidades a partir de um novo cenário do comércio internacional”, explicou, nesta sexta-feira (17), o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, em entrevista coletiva.

O chefe da agência estatal disse que as prioridades são o mercado da União Europeia, até pelo recente acordo com o Mercosul, além dos países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean)como Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, entre outros, e que apresentam altas taxas de crescimento.

Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também estão entre os possíveis novos mercados a serem explorados pelas empresas brasileiras afetadas pela tarifaço dos EUA.

“São países de alto crescimento e desenvolvimento, eles têm procurado muito o Brasil para parcerias em investimento e estão crescendo a 7% ou 8% [do Produto Interno Bruto, PIB]com população jovem, e que demandam, inclusive, produtos que o Brasil tem”, disse.

Tarifaço de Trump

Na quarta-feira (15), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros alegando supostas práticas “desleas” no comércio por parte do Brasil.

O governo brasileiro rejeitou as justificativas usadas para a tributação, alegando que a medida tem motivação política e que Washington proporciona abertura total de mercados sem contrapartida. As novas tarifas valem a partir do dia 22 de julho.

Os produtos afetados pelas tarifas anunciadas na quarta corresponderam, no ano passado, a US$ 7,2 bilhões em exportações para os EUA. O valor total vendido ao país em 2025 somou US$ 38 bilhões, segundo dados da ApexBrasil.

Durante as negociações, a lista dos produtos passou de 615 para 699, aumentando o valor das tarifas de US$ 20,6 bilhões para US$ 22,8 bilhões do total exportado, considerando ainda os dados de 2025.

O presidente da instituição para exportações brasileiras afirmou que houve, no primeiro semestre do ano, uma redução de cerca de US$ 2,6 bilhões em exportações para os EUA, resultado das tarifas aplicadas anteriormente.

“Mas houve um aumento de US$ 3,1 bilhões para a Europa, US$ 2,5 bilhões para a Índia, e US$ 10,5 bilhões para a China, só para citar alguns dos destinos mais importantes”, disse Laudemir Müller.

As negociações do Mercosul com a Índia, Japão e Canadá também foram apontadas como oportunidades para diversificar o comércio exterior do Brasil, diminuindo a dependência dos estadunidenses.


Imagem de drone mostra Porto de Santos (SP), 31 de julho de 2025. REUTERS/Jorge Silva
Imagem de drone mostra Porto de Santos (SP), 31 de julho de 2025. REUTERS/Jorge Silva

No primeiro semestre do ano, o Brasil registrou redução de cerca de US$ 2,6 bilhões em exportações para os EUA – Reuters/Jorge Silva/ Proibido reprodução

A diversificação já começou

O presidente da ApexBrasil ressaltou que esse trabalho de diversificação está em andamento desde as primeiras tarifas impostas pelos EUA, ainda em 2025.

“Isso implica dizer que 72% das 2,4 mil empresas que exportam para os EUA, e que são apoiadas pela ApexBrasil, já diversificaram o mercado entre junho de 2025 e maio de 2026. Elas acrescentaram, nesse período, pelo menos um novo destino de suas exportações”, disse.

Ainda segundo Müller, há mercados mais simples de serem abertos, e outros em que será preciso realizar um trabalho de médio ou longo prazo.

“Tem outros setores que vão demorar um pouco mais e que talvez seja mais complexo. Muitas vezes a gente precisa, inclusive, criar o mercado em outro país. Nós vamos ter que chegar ao mercado chinês, por exemplo, para dizer ‘olha, existe uma rocha brasileira que tem tal característica e ela também pode servir ao seu mercado’”, explicou.

Brasil é procurado pelo mundo

Apesar das dificuldades, o presidente da Apex Brasil avalia que o país tem se destacado no mundo como um país “amigo, um fornecedor estável”.

“Tanto é que tivemos US$ 77 bilhões de entrada de investimentos no ano passado. Fomos o quinto maior recebedor de investimentos do mundo. Os países em desenvolvimento tiveram um crescimento de 2% na atração de investimentos, o Brasil teve um crescimento de 22% na atração de investimentos e é o principal destino já dos investimentos chineses”, concluiu.

Tags: Apexdiversificarexportaçõesmilhõesparaplanoprevê
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