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Dossiê atribui fraudes no Master a ex-sócios de Vorcaro

Por Redação
12 de março de 2026
Em Notícias
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Dossiê atribui fraudes no Master a ex-sócios de Vorcaro
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com



Um dossiê apócrifo, encontrado pela Polícia Federal nos arquivos de Daniel Vorcaro, atribuiu a ex-sócios e executivos do Master as fraudes que foram levadas à liquidação do banco no ano passado e deflagraram a megainvestigação sobre o empresário.

O documento, de uma página impressa, aparece numa foto de 2022 armazenada no e-mail de Vorcaro, e não é assinado. Na imagem, o papel aparece sobre um envelope com selo, dentro do qual possivelmente teria sido enviado por correio. As afirmações que constam no dossiê estão sendo investigadas pela PF.

O texto, de 10 parágrafos, tem linguagem informal e começa com “Banco master / Essa conta vai ser paga pelo FGC”, referência ao Fundo Garantidor de Crédito, caixa abastecida pelos bancos e usada para quitar dívidas com credores em caso de quebra de um deles – no caso do Master, o FGC sofreu prejuízo de R$ 52 bilhões.

Uma grande parte é dedicada a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master. Diz que ele perdeu com o lucro gerado com operações fraudulentas do banco. O documento o descreve como “dono e presidente de fato” do Master, enquanto Vorcaro, embora fosse formalmente, seria um “laranja” e “só um vaidoso que não manda muita presidente coisa, mas gosta de gastar feito gente grande”. “O lucro do banco vai para a própria empresa do pastinha Augusto Lima que fica com tudo”, diz outro trecho.

Em vários trechos, o dossiê trata Augusto Lima de forma pejorativa. “O Ditador nojento Augusto Lima, dono e presidente de fato (que nem aparece como diretor eleito) dita regra e governa com um regime de terror nos funcionários junto com seu capataz Luiz Bull, com medo de que o esquema venha a público”, diz o documento.

Por outro lado, o dossiê diz que “a principal operação do Augusto é um consignado que esfola os companheiros funcionários públicos da Bahia com as mais altas taxas de juros por concessão de um esquema bem conhecido no estado”. Trata-se de uma possível referência ao Credcesta, um programa de empréstimo consignado oferecido aos servidores estaduais da Bahia e que se tornou um dos grandes ativos do Master.

Procurada pela reportagem, a defesa de Augusto Lima não se manifestou. Ele havia sido convocado para prestar depoimento na CPMI do INSS nesta quarta-feira (11), mas foi beneficiado por uma decisão do ministro do STF, André Mendonça, que o autorizou a não comparecer. A sessão acabou sendo cancelada.

Luiz Bull, citado no texto, é ex-diretor de Compliance do Master e aparece junto com Ângelo Silva, ex-sócio do banco. Ambos, segundo o texto, manipulariam dados de ativos podres para transformar prejuízos em lucro “com os métodos mais rasteiros”.

“De quase 5 bi captura de captura protegida pelo FGC [Fundo Garantidor de Crédito]mais de 3 bi estão em ativos ilíquidos (fundos imobiliários, fundos de precatórios, títulos sem rating) e o Bacen [Banco Central] não vê nada”, diz o dossiê, narrando em seguida como Bull e Silva manipulariam os papéis. “Aí os três bi vira três e trimestre, compensa o prejuízo da operação e ainda aparece um lucro (pra quem quer fingir que acredita)”.

O texto diz ainda que Bull e Silva ganham mensalmente “bônus em dobro” com “comparsas” dos setores de contabilidade e controladoria do banco, enquanto “os demais companheiros só recebem um minguado PLR” (Participação nos Lucros e Resultados). Depois, o texto afirma que “a mera avaliação justa desses ativos colocaria o PL do banco no campo negativo” – possível referência ao Patrimônio Líquido do Master.

Procurada, a defesa de Luiz Antônio Bull afirmou que “a carta anônima não passa de uma espécie de manifesto recheado de adjetivos, mentiras e acusações desvinculadas de qualquer prova”. “Luiz Bull jamais participou de qualquer tipo de atividade ilegal em todo o seu histórico profissional, inclusive durante o período em que trabalhou no Banco Master. Seus pagamentos, incluindo eventuais bônus, são declarados às autoridades competentes”, afirma a defesa. A defesa acrescentou ainda ser “no mínimo, temerário, dar crédito ao teor de um documento apócrifo com as características da carta apreendida”.

Procurada, a defesa de Ângelo Silva também não se manifestou sobre o dossiê.

O texto ainda menciona o empresário Nelson Tanure, descrito como “sócio oculto” e “conhecido investidor abutre”, “que indiretamente também se financia no Banco e está comprando o Brasil todo”.

Da mesma forma, a defesa de Nelson Tanure não se manifestou. Em outras graças, os advogados negaram que ele tenha sido sócio oculto do Master.

A defesa de Daniel Vorcaro também não se manifestou sobre o documento. O espaço da reportagem permanece aberto para esclarecimentos sobre a teoria do texto.

Sociedade de Vorcaro com Augusto Lima terminou em 2024

Preso em novembro junto com Daniel Vorcaro, o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, de 46 anos, deixou de ser sócio do Master em 2024, mas é investigado por fraudes financeiras durante o período em que foi CEO no banco.

Ele é apontado pela Polícia Federal como figura relevante por ter levado ao Master um de seus principais produtos: o cartão de crédito consignado Credcesta, que se tornou um dos pilares da estratégia de negócios da instituição.

Em 2018, Lima comprou do governo da Bahia a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, e privatizada pelo então governador e atual ministro da Casa Civil Rui Costa (PT).

Criou então um cartão de crédito para servidores e aposentados comprarem produtos, com empréstimos descontados no contracheque. Batizado de Credcesta, tornou-se um dos ativos mais lucrativos do Master após a entrada de Lima no banco, em 2020. Em 2024, o produto estava disponível em 176 municípios de 24 estados.

Hoje, a PF investiga a relação de Lima com políticos do PT.

Num dos celulares de Vorcaro apreendido pela PF, há uma conversa dele com a namorada, em novembro de 2024, sobre a sociedade com Augusto Lima. “Não to aguentando. Tentei entregar o banco varias vezes hoje pro augusto”, escreveu Vorcaro.

“Ele atende ligação ai depois me fala: era meu pai de santo, falou que é pra eu ficar e ficarmos juntos????”, diz uma mensagem posterior. A namorada depois perguntou: “Surreal m. Mas você conseguiu se livrar ou ainda continua isso?”, e Vorcaro respondeu: “Ainda continua”.

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Tags: atribuiBanco MestreDaniel VorcarodossiêexsóciosfraudesMasterVorcaro
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