A Polícia Federal (PF) apreendeu nesta quinta-feira, 16, itens de luxo, armas e eletrônicos na oitava fase da Operação Unha e Carne, que prendeu o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil). Ao todo, 12 veículos, 13 celulares, joias e relógios de luxo, 16 armas, munições, eletrônicos, documentos diversos e cerca de R$ 90.000 foram confiscados pelos agentes em endereços no Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
Os seis alvos também foram presos preventivamente. São eles, além de Canella: delegado Marcus Vinícius Amim Fernandes, ex-secretário estadual de Polícia Civil e ex-presidente do Detran-RJ; Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, inspetor da Polícia Civil; os irmãos Giovanni e Christiano Gaspar Fernandes, ambos inspetores da corporação; e José Carlos Alves de Souza Júnior, também inspetor.
Dos valores apreendidos, R$ 40 mil estavam numa residência em Camboinhas, bairro de mansões em Niterói, que pertencia a José Carlos. O montante estava camuflado entre vinhos caros.
Não é a primeira vez que Canella vai parar atrás das grades. Em julho, foi preso em flagrante na sexta fase da Operação Unha e Carne por porte de arma de uso restrito. Na ocasião, os agentes encontraram um fuzil .556 no carro dele durante as buscas. Ele responde ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Canella se tornou o segundo deputado estadual mais votado pelo Rio nas eleições deste ano, com 197.178 votos.
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O que diz a PF
A operação desta quinta tinha como objetivo desarticular uma organização criminosa armada suspeita de utilizar de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como plataforma de lavagem de dinheiro.
As prisões foram determinadas por Moraes, que também ordenou o sequestro de bens e valores e a a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede de lavagem de dinheiro. Delas, 96 são postos de combustíveis usados para camuflar e legalizar os recursos de origem criminosa, de acordo com a Polícia Federal.
Segundo o Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), enviado à PF, o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Além do crime de organização criminosa armada, os investigados responderão por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.
A operação está ligada à Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal no estado do Rio que visa desmantelar organizações criminosas e redes de lavagem de dinheiro, corrupção e desvio de conduta. A ação desta quarta, segundo a PF, foi tema de uma reunião entre a direção-geral da instituição policial e Moraes em 6 de outubro.
Canella é apontado como o “patrono político e articulador de alto escalão da organização criminosa”, funcionando como uma ponte entre o poder público, o núcleo empresarial do esquema e grupos armados. A PF também encontrou indícios de que ele seria beneficiário financeiro do esquema. Documentos manuscritos apreendidos em uma etapa anterior da investigação registram a distribuição de dinheiro dos postos de combustíveis ao ex-prefeito, identificado como “Canella” ou sob o codinome “Amigo”, com quantias de R$ 31 mil a R$ 57 mil.
Fonte: Abril

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