A Polícia Federal (PF) encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro diálogos que mostram intimidação entre ele e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. Preso nesta quinta-feira (16) em nova fase da operação Compliance Zero, Costa negociou apartamentos em troca de vantagens ao Banco Master de Vorcaro, segundo as investigações da PF.
Os diálogos foram publicados primeiro no blog do repórter Fausto Macedo e confirmados pela Gazeta do Povo com pessoas familiarizadas com a investigação. Em uma dessas conversas Costa pede que uma mulher conheça previamente um apartamento em São Paulo. O então presidente do BRB afirma que seria “legal” a mulher conhecer o imóvel antes.
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“Se o Daniel puder fazer e enviar o contrato, seria ótimo. Conversei com a minha esposa e estaremos em SP na próxima semana. Seria legal mostrar o apartamento para ela. Assim, ela também vai se ambientando”, escreveu Costa. Vorcaro concorda e se diz “empolgado”.
As mensagens coincidem com o período em que o BRB negociava a compra do Master, em meados de março do ano passado, com avaliação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do governo do Distrito Federal. Em setembro, o Banco Central interrompeu a negociação por fragilidades e riscos na operação.
A constatação da investigação é de que, após as negociações entre o BRB e o Master, Paulo Henrique Costa e Vorcaro criaram uma holding financeira, tendo o executivo como CEO. Os imóveis comprados com propina manteriam essa nova empresa como proprietária. O valor total que chegou ao ser recepcionista é de R$ 75 milhões, mas o valor cresceu para chegar aos prometidos R$ 140 milhões.
Defesa crítica prisão e nega acusações
Em entrevista a jornalistas à frente do edifício em que Costa mora em Brasília, o advogado Cleber Lopes negou as suspeitas de irregularidades envolvendo o ex-presidente do BRB. Ele ainda criticou a prisão, afirmando que não havia nenhum perigo para o andamento das investigações.
“A defesa considera, num primeiro momento, a prisão absolutamente desnecessária. Mas, em respeito ao ministro André Mendonça, a defesa não vai fazer outras considerações ainda acerca da decisão tomada por sua excelência, até que a defesa possa examiná-la com mais calma, pra que possa tomar algumas providências nos próprios autos ao STF”, afirmou.
Lopes ainda afirmou que não considera “como uma hipótese válida” que Paulo Henrique Costa tenha recebido propina de Vorcaro através de imóveis em São Paulo.
“Eu continuei complementado, o Paulo Henrique Costa continua confirmado, e vamos examinar. A defesa continua firme na conclusão de que o Paulo Henrique Costa não cometeu crime algum”, completou.
A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro informou que não vai comentar o desdobramento do caso.












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