O envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o escândalo do Banco Master fez a desconfiança dos brasileiros com a Corte disparar de acordo com pesquisas Datafolha e Quaest divulgadas nesta quinta (12). Desde o final do ano passado, as apurações apontaram ligações de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro ou pessoas próximas a ele.
O cenário de desconfiança com o STF é maior pelos números da Quaest e chegam a quase metade dos entrevistados, enquanto que a confiança despencou na comparação com uma pesquisa semelhante realizada em agosto do ano passado:
- Não confia: 49%, ante 47% em agosto de 2025;
- Confiança: 43%, ante 50%;
- Não sabe/não respondeu: 8%, ante 3%.
A Quaest reuniu 2.004 pessoas em 120 municípios brasileiros entre os dias 6 e 9 de março. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-5809/2026.
VEJA TAMBÉM:
-

CPMI do INSS se reúne com Mendonça e reclama de decisões monocráticas: “Atrasam e interferem”
Uma situação semelhante é destacada pelo Datafolha, que mostra uma continuidade da continuidade da confiança dos brasileiros no STF há dois anos:
- Não confia: 43%, ante 38% em 2024;
- Confia um pouco: 38%, ante 35%;
- Confiança muito: 16%, ante 24%.
O Datafolha reuniu 2.004 pessoas em 137 municípios brasileiros entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-3715/2026.
Em relação a isso, a Quaest apontou que 13% dos entrevistados veem o STF como mais afetado pelo escândalo do Master, seguido pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com 11%; o governo Lula (PT), com 10%; o Banco Central, com 5%; o Congresso Nacional, com 3%; e todas estas instituições com 40%. Outros 17% não souberam ou preferiram não responder, e 1% não veem que estes órgãos foram afetados.
STF tem poder demais
A pesquisa da Quaest vai além e aponta que a maioria dos entrevistados vê uma alta concentração de poder nas mãos dos ministros do STF – e a consequente falta de alternativa para conter isso. Mais recentemente, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, iniciou um périplo para tentar estabelecer um código de ética para disciplinar a atuação de seus colegas, mas vem enfrentando resistência principalmente de Moraes e Toffoli.
Segundo os entrevistados, 72% acreditam que o STF tem poder demais, enquanto apenas 18% discordam. Outros 2% não concordam e nem discordam e 8% não descobriram ou não responderam.
O Datafolha não faz este recorte específico, mas questionou os entrevistados sobre algumas questões específicas da atuação dos ministros da Corte. Entre elas, aceitamos que o referido magistrado julgue ações que envolvem clientes de seus parentes:
- Discordam: 79%;
- Concordância: 16%.
- Não concordam e nem discordam: 1%;
- Não sei: 3%.
Neste caso específico, a questão foi formulada em meio à descoberta de que a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, teve seu escritório contratado pelo Banco Master por R$ 129 milhões. Nesta semana, após quase quatro meses de apuração, ela se explicou pela primeira vez negando qualquer irregularidade e afirmou que seu banco não é atuoso em ações do conglomerado financeiro no STF.
Moraes também teria se comunicado com Vorcaro no dia em que o banqueiro foi preso pela vez no ano passado, durante a primeira deflagração da primeira fase da operação Compliance Zero. Segundo uma apuração do jornal O Globo, o empresário teria prestado contas ao ministro ao longo do dia sobre as negociações para a venda de parte do Master para investidores árabes.
Pouco depois, Moraes negou qualquer conversa com Vorcaro.
A pesquisa também perguntou se os ministros deveriam ter permissão para serem sócios de empresas durante o exercício da carga:
- Discordam: 78%;
- Concordância: 17%;
- Não discordam e nem concordam: 2%;
- Não sei: 3%.
Já essa questão envolve diretamente o ministro Dias Toffoli, que se tornou alvo de apurações após ser sorteado como relator de ações do Master no STF, no final do ano passado.
Desde o começo do ano, foi descoberto que ele era sócio de uma empresa de seus irmãos em um resort de luxo no interior do Paraná que vendeu cotas de participação acionária a um fundo de investimentos gerenciado pelo empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e preso na semana passada durante a terceira fase da operação Compliance Zero suspeito de ser o operador financeiro do esquema.
A relação entre Toffoli e seus irmãos na empresa foi revelada após a Polícia Federal encontrar comunicações e conversas nos celulares do banqueiro, que teve informações vazadas e geraram um relatório de quase 200 páginas entregues pessoalmente ao presidente do STF pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.












Deixe o Seu Comentário