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Delação de Vorcaro derrete e aumenta risco de nova transferência

Por Redação
20 de maio de 2026
Em Notícias
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Delação de Vorcaro derrete e aumenta risco de nova transferência
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


A transferência de Daniel Vorcaro para uma cela convencional da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, na segunda-feira (18), após deixar a sala em estilo de Estado-maior que ocupava desde março sob expectativa de firmar um acordo de delação premiada, passou a ser vista por investigador do caso Master como mais um sinal de enfraquecimento e desidratação nas negociações da colaboração. Além disso, o acordo corre o risco de não sair do papel, o que pode levar o ex-banqueiro ao Centro de Detenção Provisória conhecido como Papudinha nos próximos dias ou ainda de volta ao sistema penitenciário federal.

A transferência ampliou o suporte no tratamento dado a Vorcaro. Diferentemente da sala onde estava desde março, a nova cela tem características de uma prisão comum, sem itens como ar-condicionado ou frigobar e sujeitas a regras mais rígidas de permanência. Na prática, ele passa a seguir a rotina ordinária da custódia da PF, com controle mais específico de horários, circulação, visitas e advogados.

A estrutura é considerada provisória e de passagem, o que significa que ele não deve permanecer ali por muito tempo. Embora esteja sozinho na cela, o espaço pode ser dividido a qualquer momento por outros presos, dependendo da demanda e da chegada de novos custodiados à unidade da Polícia Federal no Distrito Federal.

A mudança na condição carcerária, apesar de não confirmada pela PF, estaria relacionada ao esvaziamento do conteúdo apresentado pela sua defesa ao que seria uma prévia de sua delação premiada. O conteúdo foi considerado superficial, sem muitas novidades e provas além das já bloqueadas em sete diferentes fases da operação.

Parte do pesquisador analisa a possibilidade de nomes influentes estarem sendo poupados ou protegidos pelo ex-banqueiro, o que incluiria autoridades dos Três Poderes da República, como deputados, senadores, líderes governamentais, ministros do STF e nomes ligados ao sistema financeiro nacional. Também há a suspeita de esquemas que incluem até o crime organizado.

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Cerco se fecha com núcleo próximo a Vorcaro como alvo das investigações

A pressão sob o ex-controlador do Mestre se acentuou com a prisão do pai dele, Henrique Vorcaro, durante a sexta fase do Compliance Zero na semana passada. Segundo a PF, o avanço das investigações teria sido revelado que, mesmo após a primeira prisão de Daniel Vorcaro, o esquema estava sendo operacionalizado com envolvimento de seu pai.

A defesa de Henrique Vorcaro classificou como excessiva e injustificada a prisão. Os advogados sustentam que a medida teria sido adotada com base em elementos que consideram lícitos e que ainda não seriam devidamente esclarecidos ou comprovados nos autos da investigação.

Somado ao fato da prisão do pai, houve ainda a quinta fase da operação, com busca e apreensão em endereços ligados ao senador e presidente do Partido Progressistas (PP), Ciro Nogueira, a quem Vorcaro chegou a chamar em conversas vazadas como “um grande amigo de vida”.

A percepção entre policiais federais e agentes da Procuradoria-Geral da República é de que Vorcaro teria preservado nomes, como o do pai e do senador, além de relações com outras figuras públicas e familiares de ministros do STF que nem sequer incluíram aparecido de forma aprofundada na proposta de delação apresentada há pouco mais de duas semanas, antes da deflagração da quinta e sexta fases da operação.

Uma troca de advogados, incluindo a entrada de José Luís Oliveira Lima, conhecido por atuações em acordos de delação na Lava Jato, chegou a ser interpretada como um indicativo de que o empresário estava disposto a abrir completamente o jogo. Dois meses depois, o clima é outro. A avaliação predominante entre investigadores é de que a proposta apresentada até aqui não atende às expectativas.

Mesmo sem o conteúdo robusto esperado na delação, novas fases da operação não são descartadas. Considerando tudo o que foi compreendido até agora, há margem para aprofundamento das apurações ao longo de todo o ano, podendo inclusive avançar para 2027.

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A devolução de bilhões também é aplicada

As ausências de informações, provas e inconsistências deixam Vorcaro cada vez mais distante de firmar o acordo de colaboração, que poderia suavizar suas condições de prisão ou mesmo o tempo de detenção, no caso de uma eventual denúncia. Para os analistas, a mudança na prisão já indica que as negociações não caminharam bem para o ex-banqueiro.

“A possibilidade de uma delação do Vorcaro sair do papel tem se tornado cada vez mais incerta nos bastidores da investigação. Embora as negociações tenham avançado, os movimentos passaram a ser interpretados como sinais de enfraquecimento do acordo e até um possível fracasso das tratativas da forma como foram apresentadas até agora”, afirma o criminalista.

Além disso, tanto a PF quanto a PGR deveriam sinalizar que, para viabilizar a delação, além de entregar provas robustas e ainda não alcançadas, o ex-banqueiro teria de devolver de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões pelo que foi identificado até o momento decorrente de supostas fraudes e movimentações ilegais.

O próprio Vorcaro teria pressa em fechar o acordo para devolver ao menos R$ 40 bilhões que estariam, previstos, em paraísos fiscais em nome e sob gestão de terceiros correndo o risco de os valores se deteriorarem ou desaparecerem antes da assinatura do acordo. “Se o dinheiro desaparecer e não puder haver o ressarcimento, então a delação definitivamente cai por terra”, frisa o criminalista.

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Milhares de documentos apreendidos ainda esperam por perícia

Há semanas investigadores da Polícia Federal e da PGR avaliam que o material sugerido pela defesa de Vorcaro estaria muito distante do que normalmente se espera de uma colaboração premiada, sobretudo face à magnitude do caso e de tudo que os investigadores têm em mãos.

Os milhares de documentos apreendidos até o momento e os cerca de 100 aparelhos eletrônicos, entre celulares e outros equipamentos, já dariam consistência para ampliar a investigação por meses e deflagrar inúmeras fases da operação ou desdobramentos.

Investigadores confirmaram que até o momento não é possível dimensionar o tamanho do rombo e as influências de Vorcaro. Somente o ex-banqueiro, ainda continha pelo menos cinco celulares para serem periciados, e os outros três aparelhos que foram a serem analisados ​​já indicaram mais coisas que o próprio Vorcaro indicou delatar em sua proposta de colaboração premiada.

“A transferência [de Vorcaro] para a sala especial havia ocorrido justamente no contexto em que a defesa demonstrava intenção de avanço com uma delação ampla. Agora, a retirada do comerciante desse espaço reforça a percepção de que o acordo pode não evoluir”, analisa o cientista político Gustavo Alves.

Para especialistas, avançamos sobre supostas ações familiares e as possíveis ligações de pessoas do fechamento de seu entorno, ainda mais, o cerco contra o empresário. “Avançar sobre familiares pode interferir no que ele teria a dizer e que ainda não se evidenciasse em sua proposta de delação”, afirma o advogado André Marsiglia, especialista em Direito Constitucional.

Suspeita de omissões provoca alerta entre pesquisador

Desde o início das tratativas da delação, em março passado, o pesquisador disse ter identificado movimentos para minimizar vínculos e impactos no caso Master com figuras importantes da República. Entre os pontos que mais chamam atenção está a ausência, na proposta de delação apresentada, de referências considerando relevantes sobre relações mantidas com parte dessas autoridades.

“Pode ser que haja uma percepção entre o pesquisador de que o empresário tenta construir uma delação seletiva, preservando certos personagens enquanto entrega informações periféricas ou já conhecidas”, reforça Nunes.

A tendência, segundo pessoas próximas ao caso, é de que a delação seja rejeitada na forma atual, caso não se apresentem fatos novos com provas robustas. A equipe de investigação inclusive analisaria se a defesa de Vorcaro poderá reestruturar a proposta já apresentada.

Para membros do corpo investigativo, a continuidade das ações ilegais após a primeira prisão de Vorcaro enfraqueceu um dos argumentos centrais da defesa nas negociações da delação, de que ele teria que se afastar dessas atividades. O fim das irregularidades é uma das critérios para fechar o acordo de delação.

Outro ponto que causa estranhamento entre o pesquisador diz respeito ao suposto envolvimento do senador Ciro Nogueira e de outros nomes públicos que deveriam dar sustentação política ao esquema bilionário do Master. Nogueira foi alvo de mandatos de busca e apreensão autorizados pelo STF dentro da Operação Compliance Zero.

As investigações apontam suspeitas de pagamentos monetários, benefícios financeiros e atuação política do parlamentar em favor de interesses ligados ao Master. Segundo os documentos revelados pela investigação, os assessores do banco elaboraram uma proposta legislativa posteriormente apresentada pelo senador ao Congresso, a qual ficou conhecida como “Emenda Master”. A medida foi rejeitada pelo Parlamento.

A defesa do senador rejeitou as suspeitas levantadas pela investigação e afirmou que o parlamentar jamais recebeu vantagens indevidas ou praticou qualquer irregularidade. Em manifestações públicas, Ciro Nogueira classificou a operação como uma tentativa de atingir sua opinião e negou qualquer envolvimento com os aspectos apurados.

Os advogados de Nogueira também criticaram o caráter considerado invasivo das medidas autorizadas, alegando estranheza pelo fato de uma investigação ter como base, até aquele momento, mensagens e dados extraídos de aparelhos de terceiros. A defesa informou ainda que buscaria acesso integral aos autos para analisar o conteúdo completo da apuração e apresentar esclarecimentos. Segundo os representantes do parlamentar, o material percebido não geraria preocupação para a equipe jurídica.

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