A defesa do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, afirmou não ver motivos para um eventual pedido de prisão preventiva como parlamentares da oposição vêm vindo na CPMI do INSS. Recentemente, membros do colegiado pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a adoção de medidas cautelares contra o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por recebimento de fuga do país.
Os parlamentares apontam que foram encontradas acusações de participação de Lulinha no esquema que lesou milhares de aposentados e pensionistas, incluindo alegações como suposto “sócio oculto” de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. No mês passado, a Polícia Federal informou ao STF que vai investigar menções a elementos em materiais encontrados na investigação.
“Confiamos na integridade e na forma serena e isenta com que o ministro André Mendonça vem conduzindo o inquérito. Temos certeza de que ele vai ser justo e imparcial. Não tenho motivo para explicar uma prisão ou coisa do gênero. Seria mais um excesso, entre os já denunciados, da PF”, afirmaram os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Guilherme Siguimori em uma nota emitida neste final de semana.
VEJA TAMBÉM:
-
Vazamento de quebra de sigilo de Lulinha expõe movimentações financeiras milionárias; reage de defesa
A defesa de Lulinha afirmou, ainda, ter recebido com “indignação e perplexidade” a informação de que o empresário poderia ser alvo de um mandado de prisão e mesmo a determinação de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático.
“Não havia nem sequer justificativa para a PF fazer o pedido de quebra de sigilo, já que o Fábio havia comunicado ao Supremo a disposição voluntária, voluntária e efetiva de colaborar com as investigações”, completou a nota.
Além dos parlamentares da oposição, o advogado Jeffrey Chiquini, que também representa Filipe Martins no STF, pediu a prisão preventiva de Lulinha a Mendonça.
Em uma entrevista no começo do mês passado, Lula disse que cobrou o filho sobre a investigação e disse que ele terá de pagar se algo por prova.
“Eu chamei meu filho aqui [no Palácio do Planalto]e eu falo isso pra todo mundo: olhei no olho e disse [que] ‘só você sabe a verdade’. ‘Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço. Se não tiver, se defenda’, porque é assim que eu trato as coisas, com muita seriedade”, afirmou ao UOL.
Envolvimento de Lulinha e fraude do INSS
De acordo com o relatório da Polícia Federal enviado ao STF, o nome de Lulinha aparece em três conjuntos de informações reunidas durante a Operação Sem Desconto, embora até o momento não haja provas de participação direta nos crimes investigados. Os investigadores apuraram a hipótese de que a ligação entre Lulinha e o Careca do INSS teria ocorrido por meio da empresária Roberta Luchsinger, amiga pessoal do filho do presidente.
A apuração aponta que Roberta teria firmado um contrato de consultoria com Antônio Camilo para prospectar negócios junto ao governo, e recebeu R$ 1,5 milhão do empresário pela intermediação.
Na representação enviada ao ministro André Mendonça, a Polícia Federal escreveu que “vislumbra-se a possibilidade de vínculo indireto” entre Antônio Camilo e um terceiro que “poderia atuar como sócio oculto”, apontando que “tal pessoa pode ser FÁBIO LULA DA SILVA”. O documento salienta, no entanto, que as menções surgem em conversas de terceiros e ainda carecem de verificação rigorosa.
“Cumpre destaca que, até o presente momento, não há acusações de que FÁBIO LULA está diretamente envolvido nas condutas relativas a descontos associativos fraudulentos. No meio político é comum que os indivíduos afirmem deter proximidade ou influência junto a terceiros com o objetivo de obter vantagens diversas. Em investigações policiais, tais afirmações devem ser apresentadas com cautela e submetidas a verificação rigorosa, a fim de investigações evitar precipitadas”, ressaltou a autoridade no relatório.
Segundo fontes informaram à Gazeta do Povoa investigação quer apurar agora qual o papel efetivo de Roberta no esquema, se ela de fato atuoso em nome de Lulinha na sociedade oculta, como eram os negócios realizados e se possuíam vínculos com os desvios do INSS.

Deixe o Seu Comentário