
O que mulher criada por IA que ‘enganou’ homem promete a seguidores nas redes sociais
O criador da personagem gerada por inteligência artificial que levou um homem a viajar do Maranhão para Belo Horizonte em busca de uma falsa “pretendente virtual” disse que o intuito do perfil era exclusivamente gerar vendas. Ele afirmou também que está com medo após a repercussão do caso.
O administrador do perfil, que não quis se identificar, falou ao g1 por meio de conta no TikTok. Ele contou que criou a personagem em 2025 para atrair compradores para produtos que anunciava na conta e, assim, fazer uma renda extra.
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Ele destacou ainda que nunca conversou com Edimar Rocha Martins, de 49 anos, que percorreu mais de 2 mil quilômetros de ônibus para encontrar “Jessica Oliveira”, como a personagem era chamada, na capital mineira.
“Nunca conversei com esse rapaz. […] O perfil foi criado por mim com o intuito de fazer vendas no TikTok Shop, no Mercado Livre, no todo, como afiliado”, disse.
“Jessica” tinha mais de 300 mil seguidores no TikTok – a página saiu do ar nesta quarta-feira (14). A falsa mulher se apresentava como viúva e dizia frases como “eu quero te bancar” e “meu lindo, eu queria tanto você aqui morando comigo na minha fazenda”.
O administrador afirmou que usava apenas o TikTok, embora vídeos da personagem de IA também apareçam no Kwai.
“Não sei se usaram o meu conteúdo em outro lugar para falar com esse rapaz, mas aqui nunca falei com ninguém. […] Eu acho que ele viu algum vídeo e achou que o vídeo estava falando para ele ir, porém não houve conversa”, falou.
Medo após repercussão do caso
O homem também disse estar sentindo medo após a repercussão do caso. Sobre os vídeos em que a personagem fazia “convites” a usuários, ele declarou que o intuito era apenas “chamar atenção”.
“Esses vídeos nunca foram feitos para causar esse tipo de transtorno na vida de ninguém. Os vídeos foram um gancho para chamar atenção, [para que] depois que eu conseguisse um público, começasse a postar vídeos sobre vendas”.
O g1 entrou em contato com TikTok, Kwai e Mercado Livre, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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Usar IA para enganar pode configurar crime, diz polícia
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) afirmou que o uso de ferramentas de inteligência artificial para criar personagens fictícios não configura, por si só, infração penal. Mas os responsáveis podem responder criminalmente se esses recursos forem empregados para enganar terceiros, obter vantagens ilícitas, causar prejuízos ou praticar outras condutas criminosas.
Ainda segundo a instituição, em situações envolvendo relacionamentos virtuais, a conduta pode caracterizar crimes como estelionato e fraude eletrônica “caso estejam presentes os requisitos legais, especialmente a obtenção de vantagem ilícita mediante fraude e o prejuízo patrimonial da vítima”.
A PCMG destacou que não há registros de ocorrência relacionados ao caso do homem que viajou do Maranhão para Belo Horizonte em busca da “pretendente virtual”.
“Dessa forma, não é possível afirmar, neste momento, que tenha ocorrido crime, tampouco apontar eventuais responsáveis, uma vez que a caracterização de infração penal depende da análise dos elementos concretos e da existência de indícios de conduta tipificada na legislação”.
Alerta para evitar golpes
Veja recomendações da Polícia Civil de MG para evitar cair em golpes envolvendo IA:
Desconfiar de perfis que evitem encontros presenciais ou verificações de identidade por videochamada.
não realizar transferências bancárias, pagamentos ou empréstimos a pessoas conhecidas exclusivamente pela internet.
Verificar a autenticidade de fotografias e perfis, inclusive por meio de pesquisas reversas de imagens, lembrando que esses procedimentos não garantem a identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial.
Evitar o compartilhamento de documentos pessoais, dados bancários e imagens íntimas com desconhecidos.
Antes de realizar viagens ou assumir compromissos financeiros motivados por relacionamentos virtuais, buscar confirmar a identidade e a veracidade das informações fornecidas.
Em caso de suspeita de golpe, preservar mensagens, comprovantes, perfis, números de telefone e demais evidências digitais, além de registrar ocorrência policial.
Montagem mostra imagens de mulher criada por IA que motivou homem a fazer viagem de 2 mil km em busca de falsa pretendente virtual
Reprodução/Redes sociais
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Fonte: G1















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