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como o Brasil pode agir no terremoto na Venezuela

Por Redação
25 de junho de 2026
Em Notícias
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como o Brasil pode agir no terremoto na Venezuela
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com



O Brasil tem condições logísticas, materiais e estratégicas para prestar assistência rápida à Venezuela no socorro à catástrofe provocada pelos terremotos devastadores de quarta-feira (24). Entre as opções estão o envio de socorristas ou tropas por via aérea e terrestre e o deslocamento do porta-helicópteros Atlântico – navio de guerra projetado para exercer a função de ajuda humanitária.

Analistas ouvidos pela reportagem avaliam que, caso resolva se envolver de verdade, o governo pode romper o isolamento internacional do Brasil.

“Os Estados Unidos já estão com ajuda a caminho, possivelmente a China vai tentar agir também. O reordenamento político em curso na América do Sul vai ser muito influenciado pelo socorro ao terremoto. O Brasil pode participar desse processo por meio da diplomacia humanitária”, disse o general da reserva André Luís Novaes Miranda, ex-comandante do Comando de Operações Terrestres do Exército e analista de geopolítica da FGV.

Apesar de ter uma vantagem geográfica e estratégica, o governo Lula ainda não anunciou medidas concretas de assistência. Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil manifestou solidariedade às vítimas, informou que não há registro de brasileiros entre os mortos e feridos e manteve o plantão consular ativo, mas não detalhou o envio de equipes, recursos ou suprimentos para o país vizinho.

Na publicação no X, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez menção ao envio de apoio, mas sem detalhar ações. “Instruí o ministério das Relações Exteriores que avaliará, juntamente com a embaixada do Brasil em Caracas, a situação no país e as medidas de assistência que o Brasil possa adotar”, escreveu o petista.

A cautela imposta pelo governo contrasta com a capacidade logística brasileira e com a entrega de outros governos que já conseguiram organizar o apoio aos venezuelanos.

O coronel da reserva do Exército, mestre em Operações Militares, Paulo Filho, colunista da Gazeta do Povoaponta que o Brasil dispõe de meios prontos para uma resposta imediata, caso haja decisão política para isso.

“Podemos enviar equipes de socorro e resgate. Certamente os corpos de bombeiros do país possuem equipes treinadas e em condições de serem acionadas. Podem enviar comboios com suprimentos de primeira necessidade. Não vejo por que tenha que demorar”, afirmou.

Brasil pode fazer ponte aérea e enviar mantimentos e socorristas

As primeiras respostas internacionais a catástrofes de grande magnitude ocorrem necessariamente por via aérea, mas nas primeiras 24 ou 48 horas. Isso porque o transporte naval pesado pode levar dias para ser organizado.

Os Estados Unidos já anunciaram que o socorro será “grande, rápido e eficaz”. Segundo André Novaes, uma das primeiras medidas americanas deve ser subterrânea nos aeroportos de Caracas ou La Guaíra, que estão atualmente fechados, para desobstruir as pistas, ativar novas torres de controle e reestabelecer o tráfego aéreo militar.

Uma grande quantidade de aeronaves de carga deve então passar a operar transportando socorristas, material de apoio e mantimentos. O Brasil já participou de uma operação muito semelhante no megaterremoto de 2010 no Haiti. Na época, a Força Aérea criou uma ponte aérea sem precedentes na história brasileira com o envio ininterrupto de aeronaves para Porto Príncipe. Na fase mais crítica da crise ocorriam três pousos diários de aeronaves Hércules C-130 e KC-137 repletos de mantimentos e tropas.

Hoje a FAB possui oito aeronaves de carga Embraer KC-390 Millennium, das quais em média três costumam ser mantidas prontas para uso imediato. Eles poderiam ser integrados à operação americana levando comida, medicamentos e bombeiros brasileiros e retirando civis do território venezuelano.

Em teoria, tropas das Forças Armadas poderiam atuar desarmadas, mas usando a farda brasileira, em ações de resgate, desobstrução de vias e recuperação de corpos.

Especialistas em operações de resgate alertaram que o fator tempo é determinante em situações de colapso estrutural após terremotos.

“Numa situação como essa, as pessoas podem conseguir sobreviver até 10 dias sob os escombros, mas vai depender muito da infraestrutura, do tipo de ajuda, do quão rápido ela chega e se tiver informações suficientes dos pontos que mais revelam”, afirmou o capitão da reserva do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, Léo Farah.

Rota terrestre é vantagem estratégica

A existência de uma rota terrestre, com cerca de 1.300 quilômetros de estradas ligando Pacaraima (RR) a Caracas coloca o Brasil em uma posição privilegiada para fornecer assistência ao povo venezuelano.

Bombeiros, resgatistas e material de socorro podem ser enviados a Boa Vista por via aérea, seguir em automóveis e chegar em Caracas com equipamento completo em aproximadamente três dias.

A grande vantagem desse tipo de operação por via terrestre é que os socorristas podem levar seus próprios meios de transporte. Se fossem de avião, teriam que depender da logística das forças armadas da Venezuela, que possivelmente já estão sobrecarregadas.

Outra possibilidade é enviar pacotes de caminhões com alimentos, medicamentos e itens de higiene e limpeza que já estão disponíveis em Manaus (AM). Um trem humanitário em tese poderia chegar à capital venezuelana em cinco dias de viagem.

Segundo o general Novaes, essas possibilidades dependem das condições das estradas do lado venezuelano. Há 27 pontes entre Pacaraima e Caracas e se o terremoto tiver destruído alguma delas esse tipo de ação pode ser comprometida.

Mas se a rota terrestre estiver liberada o governo brasileiro tem uma oportunidade. Só o Brasil e a Colômbia possuem rotas terrestres para envio de ajuda à Venezuela. A Colômbia tem uma estrada de 640 quilômetros que liga Cúcuta a San Felipe, em Yaracuy, epicentro do terremoto.

Brasil dispõe de navio capaz de operar como hospital e base aérea

O Brasil conta com uma das ferramentas mais robustas de sua estrutura militar para operações de apoio humanitário: o Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) Atlântico, navio capitânia da Marinha brasileira e considerado um dos principais ativos de projeção logística do país.

O navio foi projetado para destacar várias funções em cenários de crise, combinando capacidade de transporte de tropas, veículos e suprimentos com estrutura para operações aéreas embarcadas. Em termos práticos, pode operar como uma base flutuante de apoio, capaz de operar com até 18 aeronaves, especialmente helicópteros, realizar evacuações médicas e servir como plataforma de desenvolvimento de missões em áreas com infraestrutura terrestre comprometida.

Na prática, o Atlântico pode ser mobilizado como um hospital de campanha ampliado, com capacidade para atendimento emergencial a feridos em situações de grande escala, além de permitir o deslocamento de equipes médicas e de resgate para regiões afetadas. Sua autonomia operacional e sua estrutura interna tornam-se especialmente úteis em cenários em que aeroportos e estradas estão danificados ou sobrecarregados.

O Atlântico já foi usado pela marinha britânica em missões humanitárias. Antes de ser vendido para o Brasil se chamava HMS Ocean e participou em 2017 do socorro às vítimas do furacão Irma, um dos mais fortes da história do Caribe. Quando foi acionada na operação Ruman, o embarque foi no Mar Mediterrâneo e levou duas semanas para ser transportado com mantimentos e chegar ao Caribe.

Um dos exemplos mais recentes de utilização do Atlântico foi no atendimento às vítimas das chuvas que atingiram São Sebastião, no litoral de São Paulo, em fevereiro de 2023. Na oportunidade, o navio trabalhou como um hospital de campanha, oferecendo mais de 200 leitos, incluindo Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Atualmente atracado na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, o Atlântico precisaria de 2 a 4 dias para ser tripulado e carregado. Navegando em velocidade de emergência e contando com correntes desenvolvidas poderia chegar à costa venezuelana em cerca de 8 dias.

Diversos países já anunciaram ajuda

Enquanto Brasília avalia quais medidas poderão ser adotadas, diversos países já anunciaram ou colocaram em preparação ações de assistência à Venezuela.

Os Estados Unidos foram um dos primeiros a indicar atuação direta, com a oferta de envio de equipes de busca e salvamento urbano e apoio técnico em operações de resgate. A sinalização partiu do Departamento de Estado e inclui significativamente com agências federais especializadas em resposta a desastres, tradicionalmente mobilizadas em crises internacionais.

O México anunciou o envio de equipes da Cruz Vermelha e de especialistas em resgate, além de apoio material direcionado ao atendimento emergencial de vítimas. O governo mexicano também colocou à disposição aeronaves para transporte de insumos e possíveis evacuações médicas, em cooperação com autoridades locais.

A Espanha informou a preparação de uma missão humanitária com foco em apoio médico e logístico, incluindo o envio de profissionais de saúde e kits de emergência. O governo espanhol também destacou que está em contato com autoridades venezuelanas para definir áreas prioritárias de atuação.

Já países da América Latina, como Equador e República Dominicana, anunciaram contribuições em diferentes formatos, principalmente envio de suprimentos, medicamentos e apoio financeiro emergencial para organizações humanitárias que atuam no terreno. Em alguns casos, as medidas foram formalizadas por meio de declarações conjuntas com agências de defesa civil ou ministérios de relações exteriores.

El Salvador também indicou a mobilização de equipes especializadas em busca e resgate, além de apoio técnico para avaliação estrutural de edifícios colapsados.

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Tags: agirBrasilcomoGazeta do PovomundoNotíciaspodepolíticaterremotoVenezuela
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