Como fui enganado por mulher que dizia ser uma adolescente de 12 anos com autismo : ‘Dei carinho, carinho, comida. Não tinha como desconfiar’
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Mulher de 37 anos se passa por adolescente de 12 anos em Joinville (SC) Polícia Civil/ Divulgação “A gente não olhou para a mulher, mas para a história que ela contava.” É assim que Renata Magalhães, nutricionista de 52 anos do Rio de Janeiro, explica como ela foi enganada em 2023 durante um mês por uma mulher de 34 anos que dizia ser uma adolescente de 12 com autismo. Na quarta-feira (03/06), as mãos de Renata gelaram e a garganta seca quando ela viu que a história que ela viveu se repetiu, dessa vez em Santa Catarina. Quem é uma mulher de 37 anos presa após fingir ter 12 anos e ser ‘adotada’ por família em SC O caso ganhou repercussão nacional quando a polícia catarinense revelou que prendeu em flagrante a mesma mulher, Amanda Maria, hoje com 37 anos, em Joinville, acusada por crimes de estelionato e identidade falsa. Em Santa Catarina, segundo a polícia, Amanda utilizou o nome falso de “Gabriele” e passou 14 meses morando com uma família, também fingindo ser uma adolescente. Mulher de 37 anos ‘adotada’ em SC após fingir ter 12 anos teve aluguel bancado por vítima no RJ: ‘Falava como criança’ No Rio de Janeiro, em 2023, ela era “Duda”, e passou um mês sob cuidados de Renata Magalhães e Viviane Henriques, 45 anos, diretora de um projeto social. As duas amigas costumam acolher crianças vítimas de abuso e com autismo. Segundo a polícia, Amanda também já havia aplicado o mesmo golpe em vários outros Estados, como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Na audiência de custódia em Joinville, em que sua prisão foi mantida, Amanda acompanhou os delitos. O advogado que a representou, Rafael Luiz Siewert, informou à BBC News Brasil que solicita à Justiça um exame de sanidade mental para “avaliação de sua condição psíquica”. O pedido foi adiado, e o exame será realizado pela Polícia Científica. O caso no Rio de Janeiro Viviane contou que o primeiro contato com “Duda” foi por meio da página do projeto social “Mãos que abençoam com amor”, mantido por ela. A mulher era uma adolescente que escapou de uma segunda rotina de abusos no Ceará, Viviane, vítima de um pai “bruxo” que se obrigava a se prostituir e, por isso, recebia hormônios para amadurecimento do corpo. Ela diz que “Duda” afirma ter pegado caronas com caminhoneiros até chegar a Magé, na Baixada Fluminense. Viviane e Renata disseram que foram, então, resgatá-la. De volta a Nova Iguaçu, onde moram, alugaram e mobiliaram um pequeno apartamento para ela morar. “Quando ela contou a história, eu me apavorou muito, porque eu já li com esse tipo de situação”, diz Viviane. “As pessoas achavam absurdo acreditar. Mas, pessoalmente, ela aparentava ser adolescente, sempre com casaco e capuz. Ela alegava ter autismo e tinha uma fala muito infantilizada. Falamos com o coração na mão.” Viviane e Renata dizem ter cuidado de Amanda por um mês como uma adolescente e que estavam criando uma relação emocional com ela. “Eu dei carinho, carinho, comida. Não tinha como desconfiar”, conta Renata, que mais se apegou a “Duda”. As duas amigas contam que Amanda agia de forma infantilizada: pedia mamadeira, chupeta e comidas de criança. Mas não pedi dinheiro. Ela também tinha agulhas enfiadas pelo corpo. As duas amigas disseram que chegaram a levá-la para fazer um exame de raio-X, que constatou mais de 200 agulhas. “Saía até da boca, era assustador”, diz Renata. Amanda, segundo as duas amigas que a acolheram, que as agulhas foram inseridas por seu pai “bruxo” em rituais. Renata relata que Amanda também pediu para não ser levada ao conselho tutelar, por medo de ser mandada de volta ao Ceará. A desconfiança começou quando “Duda” passou a ter comportamentos diferentes com Renata e Viviane. Renata diz que, com ela, Amanda tinha “crises” e ameaçava se machucar caso não a tivesse por perto, exigindo a presença constante. “Ela acabou com minha saúde mental, minha vida financeira. Ela me tirou de perto dos meus filhos, fazendo pressão psicológica”, lembra Renata, que chegou a dormir na casa da “adolescente” para agradá-la. Com Viviane, ela agia normalmente. A desconfiança foi crescendo, e as duas mulheres resolveram procurar policiais para investigar se a história era verdadeira. Mamadeira, chupeta e desenhos: como agia mulher de 37 anos que fingiu ter 12 anos e enganou família em SC A delegada Mônica Areal descobriu a farsa e prendeu Amanda em flagrante por estelionato, identidade falsa e falsidade ideológica. Amanda confessou os crimes, segundo Areal, mas foi solta após uma audiência de custódia. Um delegado disse à BBC News Brasil que é “difícil” manter as pessoas presas nesse caso, porque o crime de estelionato é enfrentado na Justiça como não tendo emprego de violência ou grave ameaça. No histórico de pesquisa do celular de Amanda, a polícia encontrou buscas sobre “como um autista se comporta” e “como fazer desenhos como se fosse uma vítima de abuso”. Areal conta ainda que se deparou com outra investigação, em São Paulo, que fez um exame de idade óssea dela, provando que Amanda não era criança. Não foram feitos testes psicológicos. A Justiça do Rio de Janeiro acatou uma denúncia do Ministério Público, e a mulher hoje está ré em um processo no Estado. “Claro que a gente fica chateada com a história, não tenho patrocínio para meu projeto, mobilizai pessoas para ajudar. Aí faleim: ‘Agora vai parar de ser boba’. Mas eu não vou parar de querer ajudar”, diz Viviane. Renata afirma sentir uma sensação de “impotência” ao ver novas pessoas passando pelo mesmo golpe e pede que a “Justiça seja feita”. Mas ela avalia que a mulher precisaria de tratamento para questões psicológicas. “Acredito que ela tenha algum tipo de transtorno, que pode ser perigoso. Não é só prender, ela precisa de tratamento”, diz. O caso em Santa Catarina Segundo a polícia, em Santa Catarina “Duda” virou “Gabriele”. O roteiro foi parecido, de acordo com a investigação. Para sustentar a disfarce ao longo de 14 meses e ganhar a confiança de uma família, ela também alegou ter autismo. “Ela justificava sua aparência física adulta argumentando que suas características eram decorrentes do uso obrigatório de hormônios durante a infância”, disse a polícia em nota. “Além disso, para fortalecer o papel da criança, a suspeita mantinha comportamentos infantilizados, utilizando rotineiramente chupetas, mamadeiras e objetos lúdicos.” Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pela investigação, a Polícia Civil foi procurada pela família na semana passada, após serem alertados por um parente de que estariam sendo enganados. “Havia uma tia dessa família que a acolheu, que nunca acreditou nessa história nem nesse comportamento infantilizado”, relatou Gusso à BBC News Brasil. “Ao realizar pesquisas na internet, ela descobriu que havia ocorrido um crime muito parecido no Rio de Janeiro, anos atrás, e suspeitou que poderia ter se tratado da mesma mulher.” Ao trocar informações com polícias de outros Estados, o delegado confirmou que se tratava da mesma pessoa. Infográfico – Falsa adolescente Arte/g1 Segundo Gusso, ao ser presa, Amanda confessou o que estava fazendo. Ela afirmou que sabia que sua conduta era errada e que costumava mentir de forma habitual. “Ela não apresentou nenhuma característica que pudesse indicar inimputabilidade penal. Mostrou-se muito racional, colaborativa e com um julgamento bastante lógico”, afirma o delegado. Gusso diz que a prisão temporária foi convertida para preventiva, e Amanda foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville. O advogado que fez a defesa de Amanda em Santa Catarina informou à BBC News Brasil que ela “permanece à disposição da Justiça em razão da decisão que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva e da necessidade de realização do exame pericial já determinado”. “A defesa aguarda a conclusão da perícia técnica, que poderá contribuir para o adequado esclarecimento das explicações relacionadas ao caso e para a adoção das medidas processuais cabíveis.” Quem é uma mulher de 37 anos presa após fingir ter 12 anos e ser ‘adotada’ por família em SC
Mulher de 37 anos se passa por adolescente de 12 anos em Joinville (SC) Polícia Civil/ Divulgação “A gente não olhou para a mulher, mas para a história que ela contava.” É assim que Renata Magalhães, nutricionista de 52 anos do Rio de Janeiro, explica como ela foi enganada em 2023 durante um mês por uma mulher de 34 anos que dizia ser uma adolescente de 12 com autismo. Na quarta-feira (03/06), as mãos de Renata gelaram e a garganta seca quando ela viu que a história que ela viveu se repetiu, dessa vez em Santa Catarina. Quem é uma mulher de 37 anos presa após fingir ter 12 anos e ser ‘adotada’ por família em SC O caso ganhou repercussão nacional quando a polícia catarinense revelou que prendeu em flagrante a mesma mulher, Amanda Maria, hoje com 37 anos, em Joinville, acusada por crimes de estelionato e identidade falsa. Em Santa Catarina, segundo a polícia, Amanda utilizou o nome falso de “Gabriele” e passou 14 meses morando com uma família, também fingindo ser uma adolescente. Mulher de 37 anos ‘adotada’ em SC após fingir ter 12 anos teve aluguel bancado por vítima no RJ: ‘Falava como criança’ No Rio de Janeiro, em 2023, ela era “Duda”, e passou um mês sob cuidados de Renata Magalhães e Viviane Henriques, 45 anos, diretora de um projeto social. As duas amigas costumam acolher crianças vítimas de abuso e com autismo. Segundo a polícia, Amanda também já havia aplicado o mesmo golpe em vários outros Estados, como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Na audiência de custódia em Joinville, em que sua prisão foi mantida, Amanda acompanhou os delitos. O advogado que a representou, Rafael Luiz Siewert, informou à BBC News Brasil que solicita à Justiça um exame de sanidade mental para “avaliação de sua condição psíquica”. O pedido foi adiado, e o exame será realizado pela Polícia Científica. O caso no Rio de Janeiro Viviane contou que o primeiro contato com “Duda” foi por meio da página do projeto social “Mãos que abençoam com amor”, mantido por ela. A mulher era uma adolescente que escapou de uma segunda rotina de abusos no Ceará, Viviane, vítima de um pai “bruxo” que se obrigava a se prostituir e, por isso, recebia hormônios para amadurecimento do corpo. Ela diz que “Duda” afirma ter pegado caronas com caminhoneiros até chegar a Magé, na Baixada Fluminense. Viviane e Renata disseram que foram, então, resgatá-la. De volta a Nova Iguaçu, onde moram, alugaram e mobiliaram um pequeno apartamento para ela morar. “Quando ela contou a história, eu me apavorou muito, porque eu já li com esse tipo de situação”, diz Viviane. “As pessoas achavam absurdo acreditar. Mas, pessoalmente, ela aparentava ser adolescente, sempre com casaco e capuz. Ela alegava ter autismo e tinha uma fala muito infantilizada. Falamos com o coração na mão.” Viviane e Renata dizem ter cuidado de Amanda por um mês como uma adolescente e que estavam criando uma relação emocional com ela. “Eu dei carinho, carinho, comida. Não tinha como desconfiar”, conta Renata, que mais se apegou a “Duda”. As duas amigas contam que Amanda agia de forma infantilizada: pedia mamadeira, chupeta e comidas de criança. Mas não pedi dinheiro. Ela também tinha agulhas enfiadas pelo corpo. As duas amigas disseram que chegaram a levá-la para fazer um exame de raio-X, que constatou mais de 200 agulhas. “Saía até da boca, era assustador”, diz Renata. Amanda, segundo as duas amigas que a acolheram, que as agulhas foram inseridas por seu pai “bruxo” em rituais. Renata relata que Amanda também pediu para não ser levada ao conselho tutelar, por medo de ser mandada de volta ao Ceará. A desconfiança começou quando “Duda” passou a ter comportamentos diferentes com Renata e Viviane. Renata diz que, com ela, Amanda tinha “crises” e ameaçava se machucar caso não a tivesse por perto, exigindo a presença constante. “Ela acabou com minha saúde mental, minha vida financeira. Ela me tirou de perto dos meus filhos, fazendo pressão psicológica”, lembra Renata, que chegou a dormir na casa da “adolescente” para agradá-la. Com Viviane, ela agia normalmente. A desconfiança foi crescendo, e as duas mulheres resolveram procurar policiais para investigar se a história era verdadeira. Mamadeira, chupeta e desenhos: como agia mulher de 37 anos que fingiu ter 12 anos e enganou família em SC A delegada Mônica Areal descobriu a farsa e prendeu Amanda em flagrante por estelionato, identidade falsa e falsidade ideológica. Amanda confessou os crimes, segundo Areal, mas foi solta após uma audiência de custódia. Um delegado disse à BBC News Brasil que é “difícil” manter as pessoas presas nesse caso, porque o crime de estelionato é enfrentado na Justiça como não tendo emprego de violência ou grave ameaça. No histórico de pesquisa do celular de Amanda, a polícia encontrou buscas sobre “como um autista se comporta” e “como fazer desenhos como se fosse uma vítima de abuso”. Areal conta ainda que se deparou com outra investigação, em São Paulo, que fez um exame de idade óssea dela, provando que Amanda não era criança. Não foram feitos testes psicológicos. A Justiça do Rio de Janeiro acatou uma denúncia do Ministério Público, e a mulher hoje está ré em um processo no Estado. “Claro que a gente fica chateada com a história, não tenho patrocínio para meu projeto, mobilizai pessoas para ajudar. Aí faleim: ‘Agora vai parar de ser boba’. Mas eu não vou parar de querer ajudar”, diz Viviane. Renata afirma sentir uma sensação de “impotência” ao ver novas pessoas passando pelo mesmo golpe e pede que a “Justiça seja feita”. Mas ela avalia que a mulher precisaria de tratamento para questões psicológicas. “Acredito que ela tenha algum tipo de transtorno, que pode ser perigoso. Não é só prender, ela precisa de tratamento”, diz. O caso em Santa Catarina Segundo a polícia, em Santa Catarina “Duda” virou “Gabriele”. O roteiro foi parecido, de acordo com a investigação. Para sustentar a disfarce ao longo de 14 meses e ganhar a confiança de uma família, ela também alegou ter autismo. “Ela justificava sua aparência física adulta argumentando que suas características eram decorrentes do uso obrigatório de hormônios durante a infância”, disse a polícia em nota. “Além disso, para fortalecer o papel da criança, a suspeita mantinha comportamentos infantilizados, utilizando rotineiramente chupetas, mamadeiras e objetos lúdicos.” Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pela investigação, a Polícia Civil foi procurada pela família na semana passada, após serem alertados por um parente de que estariam sendo enganados. “Havia uma tia dessa família que a acolheu, que nunca acreditou nessa história nem nesse comportamento infantilizado”, relatou Gusso à BBC News Brasil. “Ao realizar pesquisas na internet, ela descobriu que havia ocorrido um crime muito parecido no Rio de Janeiro, anos atrás, e suspeitou que poderia ter se tratado da mesma mulher.” Ao trocar informações com polícias de outros Estados, o delegado confirmou que se tratava da mesma pessoa. Infográfico – Falsa adolescente Arte/g1 Segundo Gusso, ao ser presa, Amanda confessou o que estava fazendo. Ela afirmou que sabia que sua conduta era errada e que costumava mentir de forma habitual. “Ela não apresentou nenhuma característica que pudesse indicar inimputabilidade penal. Mostrou-se muito racional, colaborativa e com um julgamento bastante lógico”, afirma o delegado. Gusso diz que a prisão temporária foi convertida para preventiva, e Amanda foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville. O advogado que fez a defesa de Amanda em Santa Catarina informou à BBC News Brasil que ela “permanece à disposição da Justiça em razão da decisão que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva e da necessidade de realização do exame pericial já determinado”. “A defesa aguarda a conclusão da perícia técnica, que poderá contribuir para o adequado esclarecimento das explicações relacionadas ao caso e para a adoção das medidas processuais cabíveis.” Quem é uma mulher de 37 anos presa após fingir ter 12 anos e ser ‘adotada’ por família em SC[/gpt3]

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