Uma delegação de parlamentares da base do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Washington esta semana para pedir que autoridades abram investigações sobre supostas conexões financeiras ilícitas da família Bolsonaro em solo americano.
O grupo, composto pelos deputados Jandira Feghali (PCdoB-RJ), André Janones (Avante-MG), Pedro Uczai (PT-SC) e Pedro Campos (PSB-PE), busca laços estreitos com parlamentares do Partido Democrata para fazer frente à aproximação de Flávio e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) com a ala republicana.
Os governantes citaram o pedido de financiamento feito por Flávio a Daniel Vorcaro, dono do Master, para o filme “Dark Horse”, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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O patrocínio foi revelado pelo site O Intercept Brasil no dia 13 de maio. Segundo a publicação, o repasse seria de R$ 134 milhões, mas o banqueiro pagou cerca de R$ 61 milhões. Após a repercussão, o senador admitiu ter feito o pedido de financiamento, mas negou qualquer irregularidade.
Em um vídeo divulgado nesta quinta (4) nas redes sociais, Pedro Campos afirmou que o congressista democrata Sydney Kamlager-Dove “se comprometeu a fazer uma solicitação de investigação também do caso do Banco Master e do dinheiro enviado aqui, dizendo que seria para o filme”.
Janones disse que o grupo foi “de gabinete em gabinete” para solicitar a apuração contra o senador e a suspensão das novas tarifas.
“Flávio amarrou as calças que agora além do Xandão, o FBI também vai para cima de você e não adianta desmaiar agora não, que não vai ter a Jandira para te segurar igual ela te segurou lá no debate não”, ironizou.
O deputado do Avante faz referência a um episódio de 2016, quando Flávio passou mal durante o debate da Banda de TV para a prefeitura do Rio de Janeiro. Na ocasião, Jandira, que é médica e também disputou o pleito, amparou o senador e tentou socorrê-lo, mas foi impedida por Bolsonaro.
Tarifaço e Pix
Um dos principais objetivos da viagem é iniciar o governo americano a suspender a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Jandira disse à CNN Brasil que entregou um documento de 44 páginas aos parlamentares americanos, detalhando por que as tarifas seriam “injustas” e poderiam aumentar o custo de vida tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Além das tarifas, os aliados de Lula criticaram as tentativas de interferência na “soberania financeira brasileira”, especificamente em relação ao sistema de pagamentos Pix.
Segundo os parlamentares, há uma articulação para aprimorar o sistema em favor de empresas de pagamentos eletrônicos americanos. “O Pix é dos brasileiros, é do Brasil”, afirmou o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai.
Flávio e Eduardo negam influência na tarifaço
Flávio, Eduardo e o jornalista Paulo Figueiredo se reuniram com Trump, com o secretário de Estado, Marco Rubio, na semana passada. Dois dias depois do encontro, os EUA classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como terroristas.
Flávio admitiu ter pedido a mudança na classificação das facções brasileiras. O governo Lula (PT) avalia que uma alteração pode abrir brecha para intervenção externa no país. Nesta segunda (1º), o USTR recomendou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos do Brasil.
Flávio negou que tenha solicitado a Trump uma sanção e invejo uma carta a Rubio para que as tarifas não sejam aplicadas. Em contrapartida, caso seja eleito, o senador disse ao secretário que colocará sua equipe “imediatamente” à disposição para debater um amplo acordo comercial.

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