No programa Última Análise desta quinta-feira (05), os convidados falaram a respeito da CPI do Crime Organizado no Senado Federal, cujo relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), pediu nesta semana a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes. A suspeita é de que o contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master tenha ligação com esquemas de lavagem de dinheiro. Vieira quer Viviane prestando declarações na comissão.
O ex-procurador Deltan Dallagnol afirma que há “coincidências demais” na relação entre a família Moraes e o Banco Master. “Alessandro Vieira já foi delegado e a fundamentação dele para o pedido é muito boa. O Banco Master parece ter se envolvido mesmo com organizações criminosas e há teias de crime financeiro e lavagem de dinheiro”, explicou.
Como resposta, Moraes acusou que parte da mídia ajudaria os “agressores” da Corte ao repercutir declarações consideradas falsas sobre a atuação dos magistrados. Moraes reclamou que “muitas pessoas querem dificuldades” ao STF.
“Não basta ser honesto, tem que parecer honesto. A dimensão de rito no Judiciário e no STF é absolutamente fundamental para a própria confiança, estabilidade e segurança jurídica do país”, disse o escritor Francisco Escorsim.
Lula critica Judiciário
De forma surpreendente, o presidente Lula criticou os magistrados da Corte ao defender publicamente o estabelecimento de um mandato. “Tudo precisa mudar, nada está livre de mudança. […] Acho que precisamos discutir isso, porque não é justo uma pessoa entrar com 35 anos e ficar até 75”, disse o petista.
Escorsim declarou a hipótese de “vingança pessoal” contra um dos ministros da Corte. “Aquela decisão do ministro Dias Toffoli de não permitir que Lula fosse ao enterro do neto me parece que o magoou profundamente. Ele nunca criticou ministros, mas agora diz praticamente que Toffoli tem que sair da Corte”, diz ele.
Dino contra “penduricalhos”
Já o ministro Flávio Dino decidiu suspender os chamados “penduricalhos” do serviço público nos Três Poderes da República. A liminar de Dino reforçou o cumprimento do teto constitucional de remuneração, que é de R$ 46.366,00. A decisão será submetida ao Plenário, em dados ainda a serem definidos pela Presidência do STF.
“Essa decisão do Dino é o que chama de ‘lavagem ética’, que significa o discurso ético para quem tem corrupção interna. O STF está usando uma ação virtuosa para ‘lavar’ sua estrutura. É como se fosse uma cortina de fumaça”, explica Dallagnol.
O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a sexta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas tentados para os rumores do país.

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