‘Cegonhas da noite’: grupo que entregava bebês em caixas na Bahia ainda mobilizados adotados em busca da própria origem
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Grupo que entregava bebês em caixas na BA mobilizados adotados em busca da própria origem Por quase trinta anos, um grupo de quatro mulheres em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, ficou conhecido por uma prática que até hoje divide opiniões e levanta questionamentos: as chamadas “cegonhas da noite”. Essas mulheres intermediavam a entrega de recém-nascidos às famílias interessadas em participar. Os bebês eram deixados, muitas vezes em caixas e acompanhados de cartas, nas portas das casas escolhidas pelos membros da rede. Embora tenham atuado de forma clandestina entre as décadas de 1980 e 2000, os cegonhas ficaram escondidos na cidade e chegaram a ser vistos com simpatia pela população. Os relacionamentos coletados pelo g1 estimam que mais de dois mil bebês possam ter sido distribuídos pelo esquema, no entanto, não há números oficiais sobre a atuação da rede. Hoje, um grupo de adoção se mobiliza na internet em busca de vestígios de sua própria origem. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Feira de Santana e Atuação sigilosa, porém, popular Pouco se sabia, à época região, sobre quem eram as quatro mulheres conhecidas como ceganhas. As informações que circularam indicavam que elas eram de classe média e, em alguns casos, mães que já tinham filhos adotivos. Mesmo assim, mantinham uma atuação discreta, baseada principalmente na confiança e na rede de contatos informais. A dinâmica funcionava pelo boca a boca. Pessoas interessadas em participar não participaram do contato direto com as mulheres; o pedido foi feito por terceiros, como pais ou amigos. ‘Cegonhas da Noite’ distribuíram milhares de bebês na Feira de Santana Arte g1 Com isso, as cegas organizaram uma espécie de cadastro informal de específicos – e a procura era maior que a oferta. Quando uma criança é operada, ela já sabia para quem encaminhar após avaliar as condições da família. E apesar do nome, nem todas as entregas aconteciam à noite. Havia casos em que os recém-nascidos eram deixados durante o dia, nas portas das casas escolhidas. Parte desses bebês foi entregue voluntariamente por gestantes em situação de vulnerabilidade social, que afirmavam não ter condições de criar os filhos. Porém, há pessoas que suspeitam ter sido separadas das famílias biológicas sem consentimento. Justiça barrou esquema paralelo de adoção A prática só chegou ao fim após ação de um juiz, que ameaçou de prisão quem se envolveu com o esquema de adoção alternativo. O g1 tentou contato com o magistrado relatado em relatos, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Lausanne de Oliveira, impostas por meio das ‘cegonhas da noite’, em frente à casa da família adotiva Maylla Nunes/g1 O processo de adoção legal à época inclui a supervisão de um juiz em todos os casos e, como as cegas agiam por conta própria, sem a intermediação do Estado, a ilegalidade da prática ficou evidenciada. Além disso, os magistrados apontaram que deixar um bebê na porta de uma família poderia gerar constrangimento e pressão emocional. O g1 não encontrou registros de ações judiciais sobre a rede paralela. O portal procurou o Ministério Público da Bahia (MP-BA) para apurar se alguma investigação chegou a ser instaurada, mas o órgão não retornou contato até a publicação desta reportagem. O esquema também não virou caso de polícia, mas a pressão foi suficiente para que as mulheres encerrassem as atividades. Busca pela própria história A analista administrativa Lausanne de Oliveira Vicentin, de 36 anos, nasceu em 3 de setembro de 1989, em Feira de Santana, e foi uma das crianças empregadas por meio das ceganhas. Ao g1, ela contou que foi deixada, ainda recém-nascida, durante uma tarde e com uma carta em frente à casa da professora Dione Marta de Oliveira. “Fui deixado na porta da casa da minha mãe. Ela me introduziu e me deu sobrenome, lar e amor. Meu processo foi todo legalizado”, contornou. Cegonhas da Noite: carta foi deixada junto com bebê em caixa de papelão Arquivo Pessoal Segundo Lausanne, parte da sua origem foi esclarecida anos depois, quando a mãe recebeu um relato de uma mulher chamada Ângela, já falecida e amiga da família. Antes de morrer, ela contou que a mãe biológica de Lausanne trabalhava como empregada doméstica na casa de uma enfermeira chamada Alba, onde uma criança teria nascido. De acordo com essa versão, o bebê teria sido entregue ainda na casa da enfermeira e repassado a Ângela, que fez a ligação com o grupo das cegas até que a criança chegasse à família atual. “Foi assim que cheguei até minha mãe”. Lausanne de Oliveira Vicentin, de 36 anos foi um dos bebês doados pelo grupo Cegonhas da Noite Arquivo Pessoal Lausanne ouviu ainda que a genitora já tinha outros filhos e que a entrega pode ter ocorrido em um contexto de vulnerabilidade, embora reconheça que não há como confirmar todos os detalhes. Ela também menciona a possibilidade de que a decisão tenha sido influenciada para que a genitora continue trabalhando. “Existem relatos de mães que entregaram, mas há histórias de filhos que foram tiradas delas. É algo que até hoje não tem como afirmar em todos os casos”, pondera. Roupinhas usadas por Lausanne quando foi deixada na porta da família adotiva Arquivo Pessoal Criado em uma família de classe média, Lausanne conta que teve uma infância com afeto, apesar do impacto ao descobrir que foi empregado ainda criança, aos 8 anos, após um comentário da babá. Depois disso, a mãe dela passou a explicar a situação aos poucos. “Ela disse que eu não tinha vindo da barriga, mas do coração”, lembra. A compreensão completa da história veio na adolescência — fase em que também envolveu conflitos familiares. Hoje, segundo ela, a relação está resolvida. Mesmo assim, a curiosidade sobre a origem nunca deixou de existir. Ao longo dos anos, Lausanne buscou informações sobre a família biológica e afirmou que esse desejo permanece. “Sempre quis saber de onde vim, quem são meus pais, meus irmãos”. Lausanne de Oliveira, ainda criança, com os pais, irmão e primos em frente à casa da família Arquivo pessoal Busca solitária virou rede adotadas em busca da própria origem Nos últimos anos, essa busca ganhou um novo significado. Após publicar um vídeo sobre a própria história, o analista passou a ser procurado por outras pessoas que também foram empregadas por meio das ceganhas da noite. Com isso, ela criou um grupo em um aplicativo de mensagens que agora reúne 19 pessoas com trajetórias semelhantes. “Eu entendi que não estava sozinho. Hoje, a gente se apoia e tenta se ajudar a encontrar respostas”. O grupo funciona como uma rede de acolhimento, onde participantes compartilham relatos, pistas e tentativas de reencontro com familiares biológicos. O g1 tentou entrevistar outros membros, porém, eles preferiram manter a descrição. Lausanne Vicentim acidentalmente desejo de conhecer a família biológica através das redes sociais Redes Sociais Para Lausanne, o tema ainda é complexo. “Nem sempre foi algo bom para todas as crianças. Tem histórias felizes, mas existem muitas dúvidas sobre o que realmente aconteceu”. Atualmente, o maior sonho dela é conseguir respostas sobre o próprio passado. “Quero encontrar minha família biológica, olhar, conversar e entender a verdade”. Devido à falta de documentação formal no processo, as adoçãos desconhecem informações básicas como o nome da mãe e o hospital onde nasceram. Todo o trabalho de investigação conduzido por eles baseia-se em relatos orais. Adoção legal ainda era pouca conhecida e a fiscalização tinha falhas Embora o processo de adoção legal já existisse no Brasil entre as décadas de 1980 e 2000, especialistas apontam que a falta de informação, o acompanhamento precário e a informalidade com que muitos casos foram tratados abrindo espaço para práticas clandestinas no país. Ao g1, a assistente social Maria Jacy Pereira, de 75 anos e presidente de um orfanato em Feira de Santana, afirma que naquele período muitas famílias recorriam a acordos informais por desconhecimento ou pela ausência de fiscalização mais rigorosa. Imagem mostra Lausanne carregando uma caixa em frente à casa onde foi deixada quando era bebê Maylla Nunes/g1 Segundo ela, era comum que crianças fossem entregues diretamente a outras famílias sem qualquer envio judicial. “As pessoas que conheciam as crianças, levavam para casa para um período de convivência e depois procuravam regularizar a situação”, contornou. Maria Jacy destaca que, apesar do processo legal não ser considerado difícil na época, ainda apresenta falhas. Em muitos casos, mulheres em situação de vulnerabilidade não receberam orientação adequada sobre como proceder legalmente. “Antigamente, as pessoas não sabiam o que fazer com as crianças. Faltava acompanhamento do Estado”. Ela também ressalta que a informalidade traz insegurança tanto para as famílias adotivas quanto para os bebês. Houve situações em que crianças foram entregues sem documentação e, anos depois, familiares biológicos tentaram reverter a situação. “Um dos riscos era a família [adotiva] criar e link alguém aparecer querendo levar a criança novamente”, explicou. O assistente social lembra ainda que encontrou adolescentes sem qualquer registro civil após adoções irregulares. Por outro lado, Maria Jacy pondera que práticas como a das cegonhas eram vistas por parte da população como uma forma de ajuda social diante da falta de alternativas. Para muitas pessoas, essas práticas ilegais eram uma solução para evitar o abandono. Além disso, a legislação oferece mais segurança jurídica e psicossocial tanto para as mães quanto para as crianças. Como se destaca a profissional, hoje há protocolos definidos para entrega A entrega voluntária de bebês para adoção não é crime Apesar dos questionamentos que cercaram a prática, a entrega voluntária de bebês para adoção é um direito garantido por lei no Brasil. procurar um órgão da rede de proteção, como o Conselho Tutelar, uma Unidade Básica de Saúde (UBS) onde realiza o pré-natal ou o Fórum da cidade. A lei prevê que todo o processo seja suspenso com sigilo e acolhimento, garantindo os direitos tanto da mãe quanto da criança. Por outro lado, o abandono de recém-nascidos é considerado crime. recém-nascido pode variar de seis meses a seis anos de detenção, especialmente se houver lesão corporal ou morte do bebê. LEIA MAIS: Mães mais velhas e com menos filhos explicam queda da fecundidade na Bahia, aponta IBGE Mais de 200 crianças e adolescentes descobertos por adoção na Bahia; Subaé💻
Grupo que entregava bebês em caixas na BA mobilizados adotados em busca da própria origem Por quase trinta anos, um grupo de quatro mulheres em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, ficou conhecido por uma prática que até hoje divide opiniões e levanta questionamentos: as chamadas “cegonhas da noite”. Essas mulheres intermediavam a entrega de recém-nascidos às famílias interessadas em participar. Os bebês eram deixados, muitas vezes em caixas e acompanhados de cartas, nas portas das casas escolhidas pelos membros da rede. Embora tenham atuado de forma clandestina entre as décadas de 1980 e 2000, os cegonhas ficaram escondidos na cidade e chegaram a ser vistos com simpatia pela população. Os relacionamentos coletados pelo g1 estimam que mais de dois mil bebês possam ter sido distribuídos pelo esquema, no entanto, não há números oficiais sobre a atuação da rede. Hoje, um grupo de adoção se mobiliza na internet em busca de vestígios de sua própria origem. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Feira de Santana e Atuação sigilosa, porém, popular Pouco se sabia, à época região, sobre quem eram as quatro mulheres conhecidas como ceganhas. As informações que circularam indicavam que elas eram de classe média e, em alguns casos, mães que já tinham filhos adotivos. Mesmo assim, mantinham uma atuação discreta, baseada principalmente na confiança e na rede de contatos informais. A dinâmica funcionava pelo boca a boca. Pessoas interessadas em participar não participaram do contato direto com as mulheres; o pedido foi feito por terceiros, como pais ou amigos. ‘Cegonhas da Noite’ distribuíram milhares de bebês na Feira de Santana Arte g1 Com isso, as cegas organizaram uma espécie de cadastro informal de específicos – e a procura era maior que a oferta. Quando uma criança é operada, ela já sabia para quem encaminhar após avaliar as condições da família. E apesar do nome, nem todas as entregas aconteciam à noite. Havia casos em que os recém-nascidos eram deixados durante o dia, nas portas das casas escolhidas. Parte desses bebês foi entregue voluntariamente por gestantes em situação de vulnerabilidade social, que afirmavam não ter condições de criar os filhos. Porém, há pessoas que suspeitam ter sido separadas das famílias biológicas sem consentimento. Justiça barrou esquema paralelo de adoção A prática só chegou ao fim após ação de um juiz, que ameaçou de prisão quem se envolveu com o esquema de adoção alternativo. O g1 tentou contato com o magistrado relatado em relatos, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Lausanne de Oliveira, impostas por meio das ‘cegonhas da noite’, em frente à casa da família adotiva Maylla Nunes/g1 O processo de adoção legal à época inclui a supervisão de um juiz em todos os casos e, como as cegas agiam por conta própria, sem a intermediação do Estado, a ilegalidade da prática ficou evidenciada. Além disso, os magistrados apontaram que deixar um bebê na porta de uma família poderia gerar constrangimento e pressão emocional. O g1 não encontrou registros de ações judiciais sobre a rede paralela. O portal procurou o Ministério Público da Bahia (MP-BA) para apurar se alguma investigação chegou a ser instaurada, mas o órgão não retornou contato até a publicação desta reportagem. O esquema também não virou caso de polícia, mas a pressão foi suficiente para que as mulheres encerrassem as atividades. Busca pela própria história A analista administrativa Lausanne de Oliveira Vicentin, de 36 anos, nasceu em 3 de setembro de 1989, em Feira de Santana, e foi uma das crianças empregadas por meio das ceganhas. Ao g1, ela contou que foi deixada, ainda recém-nascida, durante uma tarde e com uma carta em frente à casa da professora Dione Marta de Oliveira. “Fui deixado na porta da casa da minha mãe. Ela me introduziu e me deu sobrenome, lar e amor. Meu processo foi todo legalizado”, contornou. Cegonhas da Noite: carta foi deixada junto com bebê em caixa de papelão Arquivo Pessoal Segundo Lausanne, parte da sua origem foi esclarecida anos depois, quando a mãe recebeu um relato de uma mulher chamada Ângela, já falecida e amiga da família. Antes de morrer, ela contou que a mãe biológica de Lausanne trabalhava como empregada doméstica na casa de uma enfermeira chamada Alba, onde uma criança teria nascido. De acordo com essa versão, o bebê teria sido entregue ainda na casa da enfermeira e repassado a Ângela, que fez a ligação com o grupo das cegas até que a criança chegasse à família atual. “Foi assim que cheguei até minha mãe”. Lausanne de Oliveira Vicentin, de 36 anos foi um dos bebês doados pelo grupo Cegonhas da Noite Arquivo Pessoal Lausanne ouviu ainda que a genitora já tinha outros filhos e que a entrega pode ter ocorrido em um contexto de vulnerabilidade, embora reconheça que não há como confirmar todos os detalhes. Ela também menciona a possibilidade de que a decisão tenha sido influenciada para que a genitora continue trabalhando. “Existem relatos de mães que entregaram, mas há histórias de filhos que foram tiradas delas. É algo que até hoje não tem como afirmar em todos os casos”, pondera. Roupinhas usadas por Lausanne quando foi deixada na porta da família adotiva Arquivo Pessoal Criado em uma família de classe média, Lausanne conta que teve uma infância com afeto, apesar do impacto ao descobrir que foi empregado ainda criança, aos 8 anos, após um comentário da babá. Depois disso, a mãe dela passou a explicar a situação aos poucos. “Ela disse que eu não tinha vindo da barriga, mas do coração”, lembra. A compreensão completa da história veio na adolescência — fase em que também envolveu conflitos familiares. Hoje, segundo ela, a relação está resolvida. Mesmo assim, a curiosidade sobre a origem nunca deixou de existir. Ao longo dos anos, Lausanne buscou informações sobre a família biológica e afirmou que esse desejo permanece. “Sempre quis saber de onde vim, quem são meus pais, meus irmãos”. Lausanne de Oliveira, ainda criança, com os pais, irmão e primos em frente à casa da família Arquivo pessoal Busca solitária virou rede adotadas em busca da própria origem Nos últimos anos, essa busca ganhou um novo significado. Após publicar um vídeo sobre a própria história, o analista passou a ser procurado por outras pessoas que também foram empregadas por meio das ceganhas da noite. Com isso, ela criou um grupo em um aplicativo de mensagens que agora reúne 19 pessoas com trajetórias semelhantes. “Eu entendi que não estava sozinho. Hoje, a gente se apoia e tenta se ajudar a encontrar respostas”. O grupo funciona como uma rede de acolhimento, onde participantes compartilham relatos, pistas e tentativas de reencontro com familiares biológicos. O g1 tentou entrevistar outros membros, porém, eles preferiram manter a descrição. Lausanne Vicentim acidentalmente desejo de conhecer a família biológica através das redes sociais Redes Sociais Para Lausanne, o tema ainda é complexo. “Nem sempre foi algo bom para todas as crianças. Tem histórias felizes, mas existem muitas dúvidas sobre o que realmente aconteceu”. Atualmente, o maior sonho dela é conseguir respostas sobre o próprio passado. “Quero encontrar minha família biológica, olhar, conversar e entender a verdade”. Devido à falta de documentação formal no processo, as adoçãos desconhecem informações básicas como o nome da mãe e o hospital onde nasceram. Todo o trabalho de investigação conduzido por eles baseia-se em relatos orais. Adoção legal ainda era pouca conhecida e a fiscalização tinha falhas Embora o processo de adoção legal já existisse no Brasil entre as décadas de 1980 e 2000, especialistas apontam que a falta de informação, o acompanhamento precário e a informalidade com que muitos casos foram tratados abrindo espaço para práticas clandestinas no país. Ao g1, a assistente social Maria Jacy Pereira, de 75 anos e presidente de um orfanato em Feira de Santana, afirma que naquele período muitas famílias recorriam a acordos informais por desconhecimento ou pela ausência de fiscalização mais rigorosa. Imagem mostra Lausanne carregando uma caixa em frente à casa onde foi deixada quando era bebê Maylla Nunes/g1 Segundo ela, era comum que crianças fossem entregues diretamente a outras famílias sem qualquer envio judicial. “As pessoas que conheciam as crianças, levavam para casa para um período de convivência e depois procuravam regularizar a situação”, contornou. Maria Jacy destaca que, apesar do processo legal não ser considerado difícil na época, ainda apresenta falhas. Em muitos casos, mulheres em situação de vulnerabilidade não receberam orientação adequada sobre como proceder legalmente. “Antigamente, as pessoas não sabiam o que fazer com as crianças. Faltava acompanhamento do Estado”. Ela também ressalta que a informalidade traz insegurança tanto para as famílias adotivas quanto para os bebês. Houve situações em que crianças foram entregues sem documentação e, anos depois, familiares biológicos tentaram reverter a situação. “Um dos riscos era a família [adotiva] criar e link alguém aparecer querendo levar a criança novamente”, explicou. O assistente social lembra ainda que encontrou adolescentes sem qualquer registro civil após adoções irregulares. Por outro lado, Maria Jacy pondera que práticas como a das cegonhas eram vistas por parte da população como uma forma de ajuda social diante da falta de alternativas. Para muitas pessoas, essas práticas ilegais eram uma solução para evitar o abandono. Além disso, a legislação oferece mais segurança jurídica e psicossocial tanto para as mães quanto para as crianças. Como se destaca a profissional, hoje há protocolos definidos para entrega A entrega voluntária de bebês para adoção não é crime Apesar dos questionamentos que cercaram a prática, a entrega voluntária de bebês para adoção é um direito garantido por lei no Brasil. procurar um órgão da rede de proteção, como o Conselho Tutelar, uma Unidade Básica de Saúde (UBS) onde realiza o pré-natal ou o Fórum da cidade. A lei prevê que todo o processo seja suspenso com sigilo e acolhimento, garantindo os direitos tanto da mãe quanto da criança. Por outro lado, o abandono de recém-nascidos é considerado crime. recém-nascido pode variar de seis meses a seis anos de detenção, especialmente se houver lesão corporal ou morte do bebê. LEIA MAIS: Mães mais velhas e com menos filhos explicam queda da fecundidade na Bahia, aponta IBGE Mais de 200 crianças e adolescentes descobertos por adoção na Bahia; Subaé💻[/gpt3]











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