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Caso Mateus Goldoni: Após mais de 10 anos do crime, segundo julgamento será realizado em Belo Horizonte

Por Redação
20 de outubro de 2026
Em Notícias
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Caso Mateus Goldoni: Após mais de 10 anos do crime, segundo julgamento será realizado em Belo Horizonte
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Matheus Goldoni e a mãe, Nívea Goldoni
Arquivo Pessoal
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou a transferência do segundo julgamento da morte de Matheus Goldoni para Belo Horizonte. A decisão foi tomada pela 4ª Câmara Criminal após a Justiça considerar que a repercussão do caso e o clima de comoção social na cidade podem comprometer a imparcialidade dos jurados.
O crime ocorreu no ano de 2014, em Juiz de Fora. Matheus tinha 18 anos quando desapareceu após uma confusão em uma boate. O corpo dele foi encontrado dois dias depois, em uma área de mata próxima a uma cachoeira no bairro Vale do Ipê.
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O pedido de mudança foi apresentado pela juíza responsável pelo processo no Tribunal do Júri de Juiz de Fora. Segundo a decisão, o primeiro julgamento do caso foi marcado por aglomerações em frente ao Fórum Benjamin Colucci, com manifestantes usando camisetas em homenagem à vítima e cobrando a condenação dos acusados, Aroldo Brandão Júnior, Adelino Batista da Silva e Marco Aurélio de Oliveira.
Para os desembargadores, existe risco de influência externa sobre os jurados e necessidade de garantir um julgamento seguro e imparcial. A decisão também levou em conta a possibilidade de reforçar a segurança durante a sessão.
A defesa dos acusados e o Ministério Público em Juiz de Fora foram favoráveis à transferência, assim como a Procuradoria-Geral de Justiça. A acusação se manifestou contra a medida.
Com isso, um novo julgamento deverá ser marcado em Belo Horizonte. Ainda não há data definida para a sessão.
O g1 tenta contato com o advogado da vítima e com os advogados dos acusados para solicitar um posicionamento sobre a transferência do júri.
Decisão do 1° julgamento foi anulada
O primeiro júri foi realizado em agosto de 2019, com a maior duração da história de Juiz de Fora. Contudo, a decisão foi anulada pela Justiça por ser considerada contrária às provas dos autos.
Mesmo com recurso do Ministério Público e da família, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão de cassação do julgamento.
A cassação do julgamento foi anunciada em dezembro de 2020 pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), após o desembargador Júlio Cezar Guttierrez considerar que a condenação dos réus foi feita “unicamente em suposições de que eles possam ter matado a vítima, e não em evidências de autoria produzidas ao longo da instrução criminal”.
Na época, os réus receberam as seguintes sentenças:
Fabrício Teixeira da Silva: foi condenado a dois anos em regime aberto, com prestação de serviços comunitários.
Adelino e Aroldo: seguranças apontados como executores, foram condenados a 18 anos em regime fechado.
Marco Aurélio de Oliveira: foi absolvido porque os jurados consideraram que a ação dele não foi determinante para a morte de Goldoni.
A apelação criminal para um novo julgamento dos seguranças foi feita pelo advogado Ricardo Fortuna. Nos argumentos apresentados, a defesa afirmou que a condenação foi embasada exclusivamente em suposições, sem prova sequer indireta da autoria, o que é considerado contrária à prova dos autos.
O argumento foi aceito pelo desembargador relator Gutierrez, que considerou que ocorreu um “julgamento arbitrário”.
Relembre o crime
Matheus Goldoni tinha 18 anos quando desapareceu, em novembro de 2014, após uma confusão em uma boate, em Juiz de Fora. O corpo dele foi encontrado dois dias depois, em uma área de mata próxima a uma cachoeira no bairro Vale do Ipê.
De acordo com a denúncia, após uma briga dentro da casa noturna, Matheus foi retirado do local e perseguido por pessoas ligadas à segurança da boate. A investigação apontou que ele foi imobilizado e levado até a área da cachoeira, onde morreu por afogamento causado por asfixia, conforme o laudo de necropsia.
A Polícia Civil trabalhou por um ano e dois meses na investigação e ouviu mais de 48 testemunhas. Entre as versões apuradas, estava a de que Matheus e outra pessoa haviam brigado dentro da boate e de que o jovem foi colocado para fora do estabelecimento.
Durante a investigação, um ex-segurança da casa noturna, que estava em uma barraca de lanches próxima ao local, afirmou ter dado carona de moto a um dos seguranças que tentava alcançar Matheus.
O laudo de necropsia também apontou duas lesões internas no peito do jovem. Outro exame descartou a presença de álcool ou drogas no organismo dele, segundo as informações reunidas sobre o caso.
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Fonte: G1

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