O maior café Cooperativa no Brasil, Cooxupé (a cooperativa de Guaxupé dos produtores de café regional) disse que suspendeu cinco produtores capturados usando trabalho escravo durante a colheita de 2025. Os cinco estão entre os 15 produtores de café multados pela prática durante as inspeções realizadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil entre abril e agosto, de acordo com registros obtidos por Repórter Brasil.
Uma criança de 12 anos, um adolescente de 16 anos e um homem de 72 anos estavam entre as 81 vítimas resgatadas de fazendas ligadas à cooperativa. Nos cinco casos, os inspetores trabalhistas do Ministério do Trabalho do Brasil encontraram trabalhadores submetidos a degradar condições de trabalho e vida e restrições à sua liberdade devido a dívidas ilegais – dois dos quatro critérios que, sob a lei brasileira, definem condições análogas à escravidão.
Em 2024, Cooxupé registrou a maior receita em sua história: BRL 10,7 bilhões (cerca de US $ 2 bilhões). Dos 6,6 milhões de sacolas de café que recebeu, 80% foram exportados. A cooperativa está entre as 100 maiores empresas de agronegócios da Forbes no Brasil e os gigantes do setor de suprimentos, como a Starbucks, identificados como um dos principais clientes da cooperativa.
“Dado seu tamanho e influência, a cooperativa deve dar um exemplo para garantir um trabalho decente. Afinal, eles se gabam de todo o mundo que seu café é sustentável”, disse Jorge Ferreira Dos Santos, coordenador da Adere-MG, uma organização que campo que campo de acordo com as queixas e alerta as autoridades. “Entre 20% e 40% dos casos de escravos que lidamos envolvem produtores de cooxupé”, acrescentou.

Cooxupé contou Repórter Brasil Ele bloqueia qualquer membro assim que “recebe um aviso oficial de violações do trabalho de trabalho”, interrompe a entrega de seu café, segrega quaisquer grãos já recebidos e os devolve integralmente. A cooperativa disse que “baseia suas operações em respeito às pessoas, à dignidade do trabalho e à responsabilidade social” e administra um programa de treinamento de direitos humanos.
A Starbucks, contatada para comentar, disse que compra café de apenas “uma pequena fração” do Cooxupé mais de 19.000 fazendas membros e apenas daqueles verificados através do seu programa de práticas de café, que ele descreveu como “auditorias robustas”. A empresa não esclareceu se as fazendas capturadas usando trabalho escravo eram ou faziam parte do programa, mas enfatizou que é preciso “qualquer alegação de condições de trabalho inadequadas extremamente seriamente” e está “comprometido com o fornecimento de café responsável”.
Um garoto de 12 anos nos campos de café
Em 21 de maio, uma criança de 12 anos foi resgatada durante a colheita de café na Rio Claro e Recanto Farms, de propriedade do produtor de café Luiz Carlos Avelar, localizado em concebioo da aparecida, um município em Minas Gerais, o principal estado de café do Brasil.
De acordo com documentos oficiais da inspeção, obtida por Repórter Brasilo menino e seus pais deixaram o município de Aracatu no estado de Bahia, a cerca de 1.200 km de distância, para trabalhar durante a colheita. Questionado pelos inspetores trabalhistas, a criança disse que deixou a escola para acompanhar seus pais na colheita de café.
As tarefas executadas pela criança durante a colheita de café estão incluídas na lista das piores formas de trabalho infantil. “Esta não é uma atividade de trabalho, mas um risco para o desenvolvimento físico e psicossocial da criança”, resumiram os inspetores trabalhistas.
Ao todo, 12 trabalhadores foram empregados sem registro formal de trabalho e sem o equipamento de proteção para a colheita que deveria ter sido fornecido pelo empregador. Os inspetores também descobriram que os trabalhadores não tinham acesso a água potável ou banheiros no campo. Mesmo com essas irregularidades, a inspeção concluiu que apenas a criança de 12 anos estava sendo submetida a condições análogas à escravidão.
Repórter Brasil Não conseguiu localizar Luiz Carlos Avelar para comentar. O espaço permanece aberto para declarações futuras.
Falsas promessas e endividamentos
Em 24 de junho, 19 trabalhadores que deixaram o estado de Ceará, no nordeste do Brasil, para colher café foram resgatados em Fazenda São Thomaz, em Caconde, no estado de São Paulo. A propriedade pertence ao produtor de café André Pereira Alves, também membro da Cooxupé Cooperative.
Na cidade de Mauriti, a 2.300 quilômetros da fazenda, eles foram recrutados com promessas de boas condições de trabalho e salários por um “gato”, o termo popular para corretores trabalhistas no campo. De acordo com o relatório de inspeção obtido por Repórter Brasilo custo da viagem foi pago pelos próprios trabalhadores, que viola a lei trabalhista brasileira, que exige que a contratação seja formalizada a partir do local de origem.
O endividamento, falsas promessas e transporte irregular de trabalhadores são algumas das características do tráfico de pessoas para exploração trabalhista – as condições identificadas em Fazenda São Thomaz e destacadas no relatório dos inspetores.
Questionado por Repórter BrasilAndré Alves respondeu através de seu advogado que “ele entende que a situação experimentada pelos trabalhadores não se encaixa na definição de condições análogas à escravidão” porque “os trabalhadores estavam sendo pagos bem acima do que a maioria dos brasileiros recebe” e que “eles tinham um carro disponível para transporte”. Alves também observou que, mesmo sem concordar com a classificação do trabalho escravo, ele cumpriu todos os requisitos estabelecidos pelos inspetores trabalhistas.
Vaso sanitário nos arbustos e comida fria
Também em 24 de junho, três trabalhadores foram resgatados em Situio Martha Helena, em concebioo da aparecida, também em Minas Gerais. A propriedade pertence ao produtor Ornelas Rodrigues Borba, outro membro do Cooxupé.
Os inspetores trabalhistas descobriram que os trabalhadores não tinham acesso a água potável ou banheiros nos campos de café, forçando -os a se aliviar nos arbustos. Sem um espaço adequado para as refeições, um dos resgatados disse aos inspetores que ele almoçava frio, sentado à sombra das árvores de café.
Ornelas Borba não respondeu às perguntas enviadas pelos repórteres.
Adolescente e homem idoso resgatado
Dois dias depois, em 26 de junho, duas outras propriedades em Minas Gerais foram capturadas usando trabalho escravo.
Em Divisa Nova, um grupo de 47 trabalhadores foi resgatado, incluindo um adolescente de 16 anos. Eles estavam colhendo café em Fazenda Do Meio, de propriedade do produtor Nilceu Patrocínio Muniz Junior.
Como em Caconde, os trabalhadores eram migrantes do nordeste do Brasil, desta vez dos estados de Alagoas, Pernambuco, Bahia e Piauí. O registro da inspeção de escravos mostra que o grupo foi pago com cheques que só poderiam ser descontados em um supermercado indicado pelo próprio “Gato”. De acordo com o documento de inspeção, isso impediu os trabalhadores “de descartar livremente seus salários”.
No município de Passos, Minas Gerais, os inspetores encontraram um homem de 72 anos e outros dez trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em Fazenda Engeno Novo. A propriedade pertence ao membro de Cooxupé Wagner Luiz de Lima.
Pedro*, um dos resgatados, disse que Wagner de Lima tentou convencer o grupo a dizer aos inspetores trabalhistas uma versão diferente das condições na fazenda. “Ele queria que mentissemos. Para dizer que estávamos usando o banheiro em sua casa e recebendo água lá. Mas eu disse a toda a verdade”, disse ele em entrevista a Repórter Brasil.
Os repórteres não conseguiram alcançar os produtores Nilceu Muniz Junior e Wagner de Lima. O espaço permanece aberto para declarações futuras.
Um problema profundamente enraizado
Não é a primeira vez que Cooxupé, responsável por 10% das exportações de café do Brasil, é vinculado a casos de trabalho escravo em sua cadeia de suprimentos.
Em abril, Repórter Brasil relataram que quatro de seus membros haviam sido incluídos no Registro de Empregadores do Governo Federal que submeteram os trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecida como a “lista suja” do trabalho escravo. Na época, a cooperativa disse que, após a publicação da lista, bloqueou esses produtores.
Criado em novembro de 2003, durante o primeiro governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Lista Dirty é atualizada a cada seis meses pelo governo federal. Os nomes dos empregadores são incluídos depois que os citados exerceram seu direito de se defender em dois níveis de revisão administrativa e permanecerem lá por dois anos.
De acordo com Jorge Dos Santos, de Adere-MG, os casos descobertos são “a ponta do iceberg” em um setor que envolve milhares de produtores e trabalhadores. “A primeira coisa que precisamos fazer é reconhecer que a cadeia de suprimentos tem um profundo problema nas relações trabalhistas”, ressalta.
*O nome alterou para proteger a identidade do trabalhador.

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