O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, convocou membros de um grupo chamado “Portas-vozes de Lula” para intensificarem publicações nas redes sociais responsabilizando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela nova tarifaço de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Na mensagem enviada nesta quinta-feira (16), um dia após o anúncio da medida, o ministro orienta os participantes a defenderem a narrativa do governo e apelarem ao parlamentar de “Tariflávio”.
No áudio, Boulos afirma que o aumento das tarifas representa “a expressão da mais alta traição do ‘Tariflávio’, da família Bolsonaro contra o povo brasileiro”. Segundo ele, a medida norte-americana poderá provocar perdas de empregos, fechamento de empresas e impactos negativos sobre setores da economia que dependem das exportações para o mercado dos Estados Unidos.
“’Tariflávio’ tem dois pais: um pai é o [presidente Donald] Trump agiu lá na Casa Branca pelo interesse colonialista dos Estados Unidos. O outro pai se chama Flávio Bolsonaro agiu por interesse eleitoral, por traição à pátria”, disparou Boulos.
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A tarifa anunciada pelos Estados Unidos entrará em vigor no próximo dia 22 e prevê uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Apesar disso, a medida estabelece uma ampla lista de mais de dois mil itens isentos, incluindo:
- Matérias-primas cuja tributação comprometeria o abastecimento interno dos Estados Unidos;
- Produtos capazes de provocar desequilíbrios na economia americana caso fossem tributados;
- Itens sem produção suficiente em território americano ou sem fornecedores alternativos fora do Brasil;
- Mercadorias cuja tributação não contribuiria para a pressão do Brasil em relação às práticas questionadas pelo governo americano.
Boulos ainda afirmou, na mensagem, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atuou ativamente para negociar com os Estados Unidos antes da adoção das novas tarifas, com “negociações exaustivas” conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
“Aí vem aquele Marco Rubio e diz, ah, não teve negociação. Mentira, né”, atacou o ministro.
Guilherme Boulos reforçou na mensagem que o governo brasileiro não aceitou temas considerados estratégicos, como as terras raras e o PIX. “Nós não topamos negociar ajoelhado”, disse acrescentando que “a soberânia não se negocia” e que o presidente Lula responderá ao caso por meio da Lei da Reciprocidade.
Ao orientar a atuação dos participantes do grupo, Boulos pediu mobilização permanente para fortalecer a versão defendida pelo Palácio do Planalto.
“Esse tempo aqui, tempo dos porta-vozes do Lula, tem que ser muito firme na ocorrência durante o dia de hoje, durante os próximos dias”, afirmou o ministro orientando que a mensagem seja divulgada “nas redes sociais, nos comentários, nos grupos de Zap, no ônibus, na igreja, na escola, onde for”.
“Temos hoje a missão de colocar a narrativa real do que está acontecendo, quem está a favor do Brasil, que é patriota de verdade, e quem é traidor da Pátria”, completou.













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