O coronel e psicólogo Mário Brito, bombeiro do Pará há 19 anos, foi acionado pela Força Nacional do SUS para oferecer apoio psicológico às vítimas das enchentes que devastaram a Zona da Mata mineira. Sua missão, com foco em Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, durou dez dias e visou mitigar o sofrimento das comunidades afetadas.
Atuação e Contexto da Tragédia
Guiado pelo lema 'Vidas alheias e riquezas salvar', Mário Brito, que é psicólogo por formação e bombeiro por escolha, enfatizou a relevância de seu trabalho em emergências. Ele relatou sua experiência nos bastidores da ação humanitária, que envolveu uma rotina intensa de reuniões emergenciais e exposição a riscos.
As chuvas extremas em fevereiro, com mais de 700 mm – o maior volume histórico registrado – provocaram deslizamentos, inundações e óbitos na região, sobrecarregando os serviços locais. Esta tragédia é considerada o 4º maior desastre pluviométrico do Brasil nos últimos dez anos.
Suporte Psicossocial e Saúde Mental
Na qualidade de voluntário, Brito atuou em duas frentes: ofereceu suporte à gestão municipal para a reestruturação das redes de saúde e prestou atendimento direto à saúde mental de vítimas, familiares e profissionais da linha de frente, incluindo bombeiros, médicos e enfermeiros.
O trabalho compreendeu suporte psicossocial imediato, acolhimento de afetados, aplicação de primeiros cuidados psicológicos (PCPs), intervenções em crises e práticas integrativas como aromaterapia e auriculoterapia. Em abrigos improvisados, Brito orientou as equipes locais a evitar a patologização de sinais esperados, como medo, ansiedade e insônia, combatendo o uso inadequado de medicamentos.
Casos de Resiliência e Rotina Operacional
O coronel compartilhou histórias marcantes de resiliência humana, como a de uma mãe que, após perder a filha em outra missão no Paraná, encontrou propósito ao voluntariar em Minas. Mencionou também uma ex-abrigada das enchentes no Rio Grande do Sul que, motivada por sua própria experiência, agora atua como voluntária na Força Nacional do SUS.
A rotina em Minas Gerais era intensa, com reuniões matinais e noturnas para monitorar o bem-estar da equipe. A Força Nacional do SUS é rigorosa na seleção e no tempo de permanência em campo, visando preservar a saúde mental dos profissionais que estão na linha de frente.
Ao retornar ao Pará, Brito expressou um sentimento de 'dever cumprido', observando a transição de cidades inicialmente caóticas para localidades que gradualmente retomavam sua capacidade de resposta, com agradecimentos de gestores e comunidades. Sua missão, segundo ele, foi levar esperança, conforto e dignidade.
Maiores Desastres Pluviométricos no Brasil (Última Década)
Conforme dados do Cemaden, os desastres pluviométricos mais letais no Brasil na última década incluem:
<b>Petrópolis (2022):</b> Registrou 233 óbitos, sendo a pior tragédia climática da história da cidade, com inundações e deslizamentos que atingiram o Morro da Oficina.
<b>Rio Grande do Sul (2024):</b> Culminou em 184 óbitos, com 96% das cidades afetadas por enchentes, configurando uma das maiores catástrofes naturais do estado.
<b>Região Metropolitana do Recife (2022):</b> Ocasionou 128 óbitos, sendo o maior desastre em Pernambuco no século 21, provocado por chuvas e deslizamentos em várias cidades da região.
<b>Zona da Mata (2024):</b> O texto original não completa o número exato de óbitos para este evento, mas sua menção o insere entre os maiores desastres pluviométricos da última década no país.
Fonte: https://g1.globo.com










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