O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes decidiu nesta sexta-feira (27) derrubar a quebra de sigilo da empresa Maridt Participações, que entre seus sócios tem o ministro Dias Toffoli. O senador Sergio Moro (União-PR) aproveitou a ocasião e, em suas redes sociais, respondeu a uma provocação do ministro feita na véspera, com críticas à Lava Jato: “cegueira se escreve com G”.
“A Parte do STF não aceita sequer um código de ética, quanto mais que um deles seja investigado por suspeitas concretas de ilícito. É uma interferência indevida nas ações da CPI do crime organizado. Blindagem todo mundo sabe que se escreve com G”, escreveu Moro.
O ex-juiz federal respondeu a uma provocação de Gilmar Mendes da véspera, que criticou a operação Lava Jato e a relação de seus atores com a imprensa, em especial Moro. Para o ministro, jornalistas fizeram o papel de escrever textos assinados por Moro.
“Como todos sabem, e eu não quero estranhar ninguém, muitos jornalistas importantes, hoje talvez até promovidos na mídia, eram escritores fantasmas de Moro e companhia. E ele próprio mesmo de escritores fantasmas. Porque talvez não queira escrever com “G” ou “J” a palavra tigela”, provocado pelo ministro.
Durante a celebração dos 135 anos do STF, o decano disse ser incrível que veículos ainda não investiram em um “mea-culpa” pelo seu apoio à operação Lava Jato, operação que puniu corruptos poderosos e nos últimos anos teve suas decisões anuladas e revertidas no STF.
Pressão sobre o STF
Em meio ao escândalo do banco Master, o STF foi cobrado por sua atuação. Entidades de combate à corrupção, como a Transparência Internacional Brasil, cobram a implementação de um código de ética e criticam a conduta do ministro Dias Toffoli, entre outros membros da corte.
Para Moro, Gilmar Mendes descobriu desviar a atenção de uma reportagem da revista britânica The Economist, que falou das polêmicas no artigo com o título “O Supremo Tribunal Federal do Brasil está envolvido em um enorme escândalo”.
“O Min Gilmar Mendes quer desviar a atenção da opinião pública sobre a matéria da @theeconomist na qual foi retratada de maneira bem negativa. Devia falar sobre ela e não sobre bobagens”, escreveu Moro, também no X.

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