O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, saiu em defesa da Corte neste sábado (23) em meio às suspeitas de envolvimento de ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. Desde o surgimento de apurações que citavam supostas ligações com o empresário, o STF passou a sofrer forte pressão popular.
Entre as principais suspeitas estão o envolvimento de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banqueiro. Barroso admitiu que os fatos recentes geraram desgaste na imagem do tribunal, mas afirmou não ter conhecimento de decisões do STF que beneficiaram a instituição financeira.
“Há um conjunto de fatos que levaram a uma percepção negativa. Porém, primeiro é preciso não prejudicar e esperar que as investigações terminem”, afirmou o ministro durante uma coletiva de imprensa em um evento com empresários no Guarujá, litoral do estado de São Paulo.
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As suspeitas relacionadas ao Banco Master envolvem transações e repasses que deveriam ser beneficiados por familiares de membros do STF. A esposa de Moraes, Viviane Barci, por exemplo, teria firmado um contrato de R$ 129 milhões para defender juridicamente o Banco Master, enquanto que Toffoli admitiu que era sócio dos irmãos em um resort no interior do Paraná que negociava cotas societárias com um fundo ligado ao cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro da fraude.
Mesmo diante da repercussão negativa, Barroso afirmou que os episódios não comprometem o papel institucional do Judiciário brasileiro. Segundo ele, é necessário diferenciar possíveis questionamentos sobre ministros individualmente do funcionamento da Corte como instituição.
“Tem alguma decisão do Supremo apoiando o Banco Master? Não que eu saiba. Portanto, por isso que eu falo: é preciso separar percepções individuais de comportamentos institucionais. Tanto quanto eu possa ver, não aconteceu nada de errado em decisões do Supremo nessa matéria, ou em qualquer outra”, completou.
Na avaliação de Barroso, o STF continua exercendo suas funções com transparência, fundamentação técnica e debates públicos sobre temas relevantes do país. O ex-presidente da Corte afirmou ainda que o tribunal frequentemente se torna alvo de críticas para julgar questões centrais da política e da vida nacional.
O ministro destacou que o protagonismo da Corte acaba ampliando a pressão sobre seus membros e alimentando a sociedade sobre reações negativas de diferentes setores da cidade. Para isso, é preciso evitar que “episódios pontuais contaminem a percepção” da população sobre a atuação institucional da Corte.
Entre as suspeitas de favorecimento ao Mestre entre outros ministros está a suspensão de pedidos de informações e de depoimentos que foram aprovados na CPMI do INSS e na CPI do Crime Organizado, que acabaram abandonando parte das investigações do banco.

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