Daniel Vorcaro quer colaborar com as investigações do caso Banco Master, mas teme voltar a uma penitenciária federal, segundo relato de sua irmã, Natália, em áudio revelado por VEJA. A gravação, tema da reportagem de capa desta semana, acrescenta novas alegações à disputa em torno da tentativa de delação do banqueiro. No programa Ponto de Vista desta sexta-feira, 16, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o colunista e editor Robson Bonin detalhou as reclamações da defesa e questionou a falta de avanço das apurações (este texto é um resumo do vídeo acima).
O que a irmã de Vorcaro diz no áudio?
“Eu sei que ele sempre quis falar tudo”, afirma Natália na gravação reproduzida pelo programa. Ela diz ter a sensação de que o irmão está “meio em pânico” e atribui esse estado às condições enfrentadas durante passagens pelo sistema prisional. Ao relatar falta de água e iluminação ininterrupta, faz uma acusação de tortura: “Não sei o que ele está sofrendo agora. Eu só sei que ele está calado e fico muito triste por isso”.
Vorcaro está preso desde março em uma cela individual no Complexo da Papuda, em Brasília, e tenta negociar uma delação premiada. O receio relatado pela irmã é retornar a uma unidade de segurança máxima.
Por que a tentativa de delação está sob disputa?
Bonin afirmou que, segundo interlocutores de Vorcaro, o banqueiro passou a sofrer pressões após VEJA revelar a existência de um anexo de sua proposta de delação com acusações envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do governo. Conforme o relato do colunista, o documento descreve um suposto esquema de lobby para que o Master captasse até 10 bilhões de reais em fundos de pensão controlados por indicados do PT.
Na versão desses interlocutores, relatada por Bonin, a possibilidade de transferência para uma penitenciária federal é vista como uma ameaça de silenciamento e um obstáculo ao trabalho com os advogados na preparação de uma terceira tentativa de colaboração. O colunista apresentou essa interpretação como um novo elemento que precisa ser esclarecido na investigação.
O que a defesa questiona sobre a atuação da PF e da PGR?
Segundo Bonin, a defesa sustenta que tentou colaborar com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, mas encontrou restrições aos assuntos que poderiam integrar a proposta. “A Polícia Federal a todo momento escolhia que anexos deveriam entrar na proposta do banqueiro e quais não deveriam constar”, afirmou o colunista ao reproduzir a versão dos advogados.
Na apresentação do caso, Laísa registrou que as autoridades resistem à proposta sob a alegação de falta de consistência. Bonin, por sua vez, argumentou que o material divulgado por VEJA contém elementos que precisam ser examinados. “São acusações muito graves”, disse. Para ele, os relatos exigem investigação e depuração.
Que esclarecimentos Bonin cobra sobre o caso Master?
O colunista citou mensagens, áudios e relatos sobre supostas articulações para abrir ao Master acesso a recursos de fundos de pensão e instituições financeiras. Segundo ele, o material está em poder da Polícia Federal e foi periciado. Bonin também criticou a reação do governo à reportagem: houve uma mobilização para desqualificar a notícia, em vez de esclarecer as acusações.
Ao tratar dos entraves à apuração, Bonin afirmou que as investigações estão em um “limbo jurídico” com Edson Fachin desde 1º de setembro e relacionou a paralisação à divulgação de um relatório com mensagens sobre Alexandre de Moraes. Para o colunista, o áudio de Natália reforça a necessidade de esclarecer tanto as condições de prisão de Vorcaro quanto o tratamento dado às informações que ele diz estar disposto a entregar.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
Fonte: Abril

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