Arquivo Geral recupera fotos que mostram a transformação de várias regiões do Rio
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Arquivo Geral recupera fotos que mostram a transformação de várias regiões do Rio Cenas de uma cidade em plena transformação. O Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro recuperou fotografias feitas entre 1937 e 1945 que revelam como o progresso redesenhado na então capital da República. Como imagens mostram desde a abertura da Avenida Brasil — quando a via ainda era cercada por matagal — até a expansão urbana em direção à Zona Norte, Zona Sul e subúrbios. Hoje, em tempos de celulares e registros instantâneos, fotografar a cidade é algo corriqueiro. Há 80 anos, imagens urbanas eram raras e produzidas quase sempre por fotógrafos oficiais. Segundo Elizeu Santiago, presidente do Arquivo Geral da Cidade, o material revela um Rio em profunda mudança, com a abertura da Avenida Brasil e a expansão do Rio para o subúrbio. Do matagal ao asfalto Urbanização na região da Praça Onze Arquivo Geral do Rio/Divulgação As fotos registram o despertar da cidade para a modernização: Asfalto chegando às ruas da Tijuca; Abertura de vias no Alto da Boa Vista; Urbanização acelerada no Centro; A região da Central do Brasil ainda cercada por áreas verdes; O balneário de Ramos inaugurado pelo presidente Getúlio Vargas. Há também imagens de bondes eletrificados cruzando São Cristóvão — um retrato de um Rio em que a mobilidade era diferente e mais coletiva. “Todo mundo andava de bonde. Havia um congraçamento na cidade. As pessoas se conheciam nas ruas”, lembra Leonel Kaz, editor do livro Achados e Perdidos, que reúne parte do acervo. Alguns registros desafiam até os mais conhecedores da história da cidade, como nas fotos de abertura de ruas na Ilha do Governador e Pavuna e de um imenso lamaçal que um dia foi o Jardim Botânico. Estado Novo e obras estruturais Foto encontrada no Arquivo Geral do Rio mostra urbanização de Ipanema no Estado Novo Arquivo Geral do Rio/Divulgação O período das fotos coincide com o Estado Novo, de Getúlio Vargas, e com uma fase intensa de obras públicas na capital federal. Segundo o historiador Pedro Gil, do Arquivo Geral da Cidade, as imagens documentam tanto demolições quanto modernizações. “Essas fotos mostram as transformações, as demolições, mas também a modernização da cidade. São vias abertas, reformadas outras, Copacabana é modernizada. Mostram a cidade de forma ampla, da Zona Sul à Zona Norte”, explica. Praticamente todas as fotografias foram feitas pelos filhos de Augusto Malta, um dos pioneiros da fotografia no Brasil. Assim como o pai, Aristogeton e Uriel Malta atuaram como fotógrafos oficiais da prefeitura durante a gestão de Henrique Dodsworth. Segundo Conrado Werneck Pimentel, subgerente de Documentação Especial, os registros tinham função prática. “Esses registros foram feitos a mando da Prefeitura. Muitas fotos serviram como prova documental em casos de litígios com proprietários de imóveis que seriam demolidos”, afirma. Árvores derrubadas e memória preservada Imagem encontrada no Arquivo Geral mostra vias sendo abertas no Alto da Boa Vista Arquivo Geral do Rio/Divulgação O acervo também revela decisões urbanísticas que ainda geram debate, como a derrubada de árvores no Campo de Santana para a abertura da Avenida Presidente Vargas. “O Rio precisa cuidar não apenas dos seus prédios, mas das suas árvores, que fazem parte desse paraíso tropical”, destaca Leonel Kaz. Para o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, preservar esse material é uma política pública do presente. “A foto é um documento que mostra o uso da cidade, o que se consome à época, os produtos, os letreiros. Cuidar da memória é fundamental”, afirma. Do arquivo para o público Imagem encontrada no Arquivo Geral do Rio mostra abertura da Avenida Brasil Arquivo Geral do Rio/Divulgação As 14 mil imagens foram esquecidas no acervo e agora vêm sendo organizadas e digitalizadas. O material já está disponível no site do Arquivo Geral da Cidade e também dará origem a um livro impresso com 300 fotografias selecionadas. Documentos que ajudam a entender como o Rio chegou até aqui — e que levantam uma pergunta finalmente: o que ainda vai mudar a paisagem da cidade nas próximas décadas? “A gente tem que construir a cidade não apenas com a voracidade e a ganância, mas com um jeito mais carioca de ser, mais solto, mais leve, mais vívido, mais seguro”, resume Leonel Kaz. “A cidade deve ser construída com menos voracidade e mais sabedoria.” Imagem encontrada no Arquivo Geral mostra lamaçal no Jardim Botânico Arquivo Geral do Rio/Divulgação Arquivo Geral encontra foto que mostra a urbanização na Zona Sul do Rio Imagens inéditas mostram abertura da Avenida Brasil, expansão para subúrbios, Zona Sul e mudanças no Centro; acervo já está disponível online e vai virar livro. Arquivo Geral encontra foto que mostra a urbanização na Zona Sul do Rio Arquivo Geral do Rio/Divulgação Arquivo Geral encontra foto que mostra a urbanização na Tijuca Arquivo Geral do Rio/Divulgação
Arquivo Geral recupera fotos que mostram a transformação de várias regiões do Rio Cenas de uma cidade em plena transformação. O Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro recuperou fotografias feitas entre 1937 e 1945 que revelam como o progresso redesenhado na então capital da República. Como imagens mostram desde a abertura da Avenida Brasil — quando a via ainda era cercada por matagal — até a expansão urbana em direção à Zona Norte, Zona Sul e subúrbios. Hoje, em tempos de celulares e registros instantâneos, fotografar a cidade é algo corriqueiro. Há 80 anos, imagens urbanas eram raras e produzidas quase sempre por fotógrafos oficiais. Segundo Elizeu Santiago, presidente do Arquivo Geral da Cidade, o material revela um Rio em profunda mudança, com a abertura da Avenida Brasil e a expansão do Rio para o subúrbio. Do matagal ao asfalto Urbanização na região da Praça Onze Arquivo Geral do Rio/Divulgação As fotos registram o despertar da cidade para a modernização: Asfalto chegando às ruas da Tijuca; Abertura de vias no Alto da Boa Vista; Urbanização acelerada no Centro; A região da Central do Brasil ainda cercada por áreas verdes; O balneário de Ramos inaugurado pelo presidente Getúlio Vargas. Há também imagens de bondes eletrificados cruzando São Cristóvão — um retrato de um Rio em que a mobilidade era diferente e mais coletiva. “Todo mundo andava de bonde. Havia um congraçamento na cidade. As pessoas se conheciam nas ruas”, lembra Leonel Kaz, editor do livro Achados e Perdidos, que reúne parte do acervo. Alguns registros desafiam até os mais conhecedores da história da cidade, como nas fotos de abertura de ruas na Ilha do Governador e Pavuna e de um imenso lamaçal que um dia foi o Jardim Botânico. Estado Novo e obras estruturais Foto encontrada no Arquivo Geral do Rio mostra urbanização de Ipanema no Estado Novo Arquivo Geral do Rio/Divulgação O período das fotos coincide com o Estado Novo, de Getúlio Vargas, e com uma fase intensa de obras públicas na capital federal. Segundo o historiador Pedro Gil, do Arquivo Geral da Cidade, as imagens documentam tanto demolições quanto modernizações. “Essas fotos mostram as transformações, as demolições, mas também a modernização da cidade. São vias abertas, reformadas outras, Copacabana é modernizada. Mostram a cidade de forma ampla, da Zona Sul à Zona Norte”, explica. Praticamente todas as fotografias foram feitas pelos filhos de Augusto Malta, um dos pioneiros da fotografia no Brasil. Assim como o pai, Aristogeton e Uriel Malta atuaram como fotógrafos oficiais da prefeitura durante a gestão de Henrique Dodsworth. Segundo Conrado Werneck Pimentel, subgerente de Documentação Especial, os registros tinham função prática. “Esses registros foram feitos a mando da Prefeitura. Muitas fotos serviram como prova documental em casos de litígios com proprietários de imóveis que seriam demolidos”, afirma. Árvores derrubadas e memória preservada Imagem encontrada no Arquivo Geral mostra vias sendo abertas no Alto da Boa Vista Arquivo Geral do Rio/Divulgação O acervo também revela decisões urbanísticas que ainda geram debate, como a derrubada de árvores no Campo de Santana para a abertura da Avenida Presidente Vargas. “O Rio precisa cuidar não apenas dos seus prédios, mas das suas árvores, que fazem parte desse paraíso tropical”, destaca Leonel Kaz. Para o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, preservar esse material é uma política pública do presente. “A foto é um documento que mostra o uso da cidade, o que se consome à época, os produtos, os letreiros. Cuidar da memória é fundamental”, afirma. Do arquivo para o público Imagem encontrada no Arquivo Geral do Rio mostra abertura da Avenida Brasil Arquivo Geral do Rio/Divulgação As 14 mil imagens foram esquecidas no acervo e agora vêm sendo organizadas e digitalizadas. O material já está disponível no site do Arquivo Geral da Cidade e também dará origem a um livro impresso com 300 fotografias selecionadas. Documentos que ajudam a entender como o Rio chegou até aqui — e que levantam uma pergunta finalmente: o que ainda vai mudar a paisagem da cidade nas próximas décadas? “A gente tem que construir a cidade não apenas com a voracidade e a ganância, mas com um jeito mais carioca de ser, mais solto, mais leve, mais vívido, mais seguro”, resume Leonel Kaz. “A cidade deve ser construída com menos voracidade e mais sabedoria.” Imagem encontrada no Arquivo Geral mostra lamaçal no Jardim Botânico Arquivo Geral do Rio/Divulgação Arquivo Geral encontra foto que mostra a urbanização na Zona Sul do Rio Imagens inéditas mostram abertura da Avenida Brasil, expansão para subúrbios, Zona Sul e mudanças no Centro; acervo já está disponível online e vai virar livro. Arquivo Geral encontra foto que mostra a urbanização na Zona Sul do Rio Arquivo Geral do Rio/Divulgação Arquivo Geral encontra foto que mostra a urbanização na Tijuca Arquivo Geral do Rio/Divulgação[/gpt3]

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