O advogado Martin De Luca, que representa a Trump Media e a plataforma de vídeos Rumble, questionou nesta terça-feira (26) a Advocacia Geral da União (AGU) a respeito da posição da instituição sobre o processo que as duas empresas compareceram contra o Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na Justiça dos Estados Unidos.
De Luca, que no domingo (24) anunciou no X que Moraes foi notificado por e-mail sobre a ação, fez novos comentários sobre o caso em um post na mesma rede social.
“Desde fevereiro de 2025, as autoridades brasileiras vêm afirmando estar prontos para defender o ministro Alexandre de Moraes no caso Rumble/Trump Media nos Estados Unidos”, escreveu o advogado, citando notícias veiculadas à época da apresentação do processo que afirmavam que a AGU estaria disposta a fazer a defesa do juiz.
“A AGU declarou que agiria, que estava coordenando ações com a assessoria jurídica americana e preparando os documentos necessários. O caso então se arrastou por 460 dias sem que ninguém comparecesse ao tribunal”, afirmou De Luca.
“Em vez disso, as instituições brasileiras se empenharam ao máximo para impedir a citação ordinária [do juiz] por meio da Convenção de Haia. E agora, após um juiz federal americano autorizar uma citação por e-mail, um grupo de autoridades brasileiras repentinamente classificou o ocorrido como uma crise diplomática. Por que foi preciso chegar a esse ponto?”, acrescentou o advogado.
De Luca reportagens veiculadas pela imprensa brasileira nesta segunda-feira (25), que apontaram que o STF, a AGU e o Ministério da Justiça estariam se articulando para buscar uma “saída jurídica” diante da notificação a Moraes.
“Se a posição do Brasil é de que o ministro Moraes agiu dentro da lei, em conformidade com suas atribuições e com as leis americanas e brasileiras, bem como com as tratadas internacionais, o caminho seria simplesmente comparecer ao tribunal americano e afirmar isso”, afirmou o advogado.
“O que é mais difícil de explicar é: por que anunciar durante 15 meses que o Brasil defendeu Moraes, depois recusou-se a comparecer quando a defesa era de fato necessária e agora tratar uma intimação judicial como um incidente diplomático internacional?”, concluiu De Luca.
UM Gazeta do Povo solícito à AGU um posicionamento sobre os comentários do advogado, mas ainda não obtive resposta. Esta reportagem será atualizada caso haja retorno.
Rumble e Trump Media ingressaram no ano passado com um processo contra Moraes na Justiça americana, alegando que medidas do ministro do STF relativas à plataforma de vídeos seriam ilegais pela legislação americana.
A Trump Media faz parte da ação porque a Rumble fornece serviços de nuvem para a Truth Social, principal produto da empresa de mídia do presidente americano, Donald Trump.
No post de domingo em que anunciou que Moraes havia sido notificado, De Luca anexou um print do e-mail enviado ao juiz brasileiro, no qual este foi informado que deverá responder à petição inicial dentro de 21 dias e que será julgado “em provimento ao exigido na petição inicial” caso não dê retorno.
Na sexta-feira (22), a Justiça Federal da Flórida, onde o processo tramita, havia autorizado as empresas a notificarem Moraes por e-mail.

Deixe o Seu Comentário