Ações de Moraes contra Bolsonaro o recolocam na mira de Trump



A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de prorrogar por mais um ano o estado de emergência nacional contra o Brasil recolocou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no radar de sanções da Lei Magnitsky. Para analistas, ao manter acusações de censura, perseguição política e evidente à liberdade de expressão, Washington reativou o maior instrumento de pressão individualizada contra autoridades brasileiras.

A medida ocorre após o fracasso das negociações que, no final de 2025, resultou na retirada de Moraes e de sua esposa, Viviane, da lista de sancionados. Na ocasião, o gesto foi interpretado como resultado do avanço da Lei da Dosimetria para condenados de 8 de janeiro, que sinalizaria distensão institucional ao reduzir penas monetárias e beneficiário também o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos em regime fechado.

O cenário mudou quando a proposta não prosperou. Após o veto de Lula, a derrubada dele pelo Congresso e a suspensão da aplicação da lei por Moraes, as tratativas perdidas força e o horizonte ficaram incertas. Em paralelo, ações judiciais envolvendo Jair Bolsonaro e a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência ampliaram o desgaste político com Washington.

Segundo o jurista André Marsiglia, o estado de emergência dos EUA pode ser visto como um prelúdio da aplicação de Magnitsky contra Moraes ou qualquer outra autoridade do Brasil, ao acenar com punições individuais. “O próprio governo Trump deixou isso claro ao alertar publicamente que viriam avaliações individuais em resposta ao veto dado pelo governo aos vistos de entrada de observadores americanos do processo eleitoral”, disse à Gazeta do Povo.