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Ação dos EUA contra regime cubano e seus aliados pressiona Lula

Por Redação
24 de julho de 2026
Em Notícias
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Ação dos EUA contra regime cubano e seus aliados pressiona Lula
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


A escalada da pressão dos Estados Unidos sobre ditaduras e terroristas de esquerda na América Latina deve impactar o Brasil. A experiência tocada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, priorizando Cuba, Nicarágua e Venezuela, mas também relembra ligações do regime cubano com grupos guerrilheiros.

Em reunião em Washington na semana passada com representantes de bolsas de países, Rubio disse que o terrorismo de extrema-esquerda foi ignorado há décadas pelas democracias ocidentais. Ele ainda divulgou relatório que resgata apoio de Cuba a várias organizações armadas, inclusive no Brasil.

“Por muito tempo, nossa doutrina antiterrorista teve um ponto cego no que se refere à violência extremista da esquerda”, declarou Rubio. Segundo ele, a ideia de que o terrorismo de extrema-esquerda representa uma ameaça costuma ser tratada como “delírio da direita” ou “conspiração fascista”.

Apesar de a referência ao país ser histórica e não representar acusação de atuação atual de guerrilhas, ela recoloca em evidências vínculos mantidos por parte da esquerda brasileira com o regime cubano. A revelação coincide com a piora das relações diplomáticas entre Brasília e Washington.

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Parcerias de governos e ONGs com regimes autoritários podem mudar alvo

O cientista político Antônio Flávio Testa acredita que os últimos movimentos de Rubio revelam maior engajamento de discursos e ações, que apontam para desdobramentos definitivos. Uma de suas expectativas é uma ação contra o ex-presidente cubano Raul Castro, alvo da Justiça americana.

Ele acredita que a estratégia americana para a América Latina deve atingir alvos brasileiros em várias frentes. “Os EUA farão intervenção velada e intensa pressão diplomática, além de parcerias para bloqueio financeiro. Medidas mais fortes podem ser tomadas em instâncias internacionais”, diz.

A iniciativa na região integra estratégia mais ampla do presidente Donald Trump para isolar regimes autoritários. Além de ampliar as avaliações contra Cuba, a Casa Branca suportou sua posição diante da Nicarágua, reforçando ações de inteligência, a cooperação internacional e as restrições financeiras.

No caso brasileiro, o desgaste aumentou após sucessivas divergências entre Lula e a administração americana sobre Venezuela e Cuba. As recentes trocas de críticas entre Rubio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evidenciaram que as diferenças já contaminaram o ambiente político.

Política externa dos EUA para a região amplia tensão ideológica com o Brasil

A combinação entre pressão econômica, discurso ideológico e ações de inteligência levou analistas a avaliar que Washington pretende ampliar o questionamento sobre as redes políticas e institucionais ligadas a regimes considerados adversários dos interesses americanos na América Latina.

A pressão contra ditaduras de esquerda acompanha o avanço eleitoral da direita e centro-direita na América Latina. Novos governos dirigidos ao liberalismo econômico, ao conservadorismo de costumes e a uma relação próxima com Washington ganharam espaço em países relevantes da região.

A estratégia de Trump para minar regimes autoritários de esquerda também incluiu a reformulação da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), acusada de financiar organizações ideológicas e iniciativas que contribuem para os interesses estratégicos americanos.

Passado da esquerda latino-americana retorna ao debate internacional

A nova abordagem americana também reabre discussões sobre o passado de líderes da esquerda brasileira. Integrantes históricos do PT participaram, nos anos 1960 e 1070, de organizações que defenderam a luta armada contra o regime militar ou que passaram anos pelo exílio em Cuba.

Os analistas lembram que os episódios não equipararam o PT a organizações terroristas nem significaram que Washington tratasse partidos brasileiros como alvos. Ainda assim, o resgate histórico aumenta o constrangimento sobre segmentos da esquerda que têm relações com Cuba, Venezuela e Nicarágua.

O terceiro mandato de Lula reforçou esse contraste ao manter o diálogo com governos autoritários, condenar avaliações a Cuba e criticar iniciativas contra a Venezuela.

Para a oposição, as posições se aproximam do Brasil de regimes autoritários. Já o governo vê como solução diplomática de conflitos.

Lula tensiona relações com os EUA desde o começo do atual mandato

No terceiro mandato de Lula, o discurso antiamericano ganhou intensidade. O presidente criticou a hegemonia do dólar, defendeu a ampliação dos Brics, mudou-se da China, Rússia e Irã, acusou os EUA de interferir na política regional e evocou a defesa da soberania contra avaliações comerciais.

A disputa bilateral ganhou contornos pessoais nas últimas semanas, após o fracasso das negociações previstas para evitar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Rubio atribuiu a Lula a responsabilidade pelo impasse e disse que o presidente colocou o próprio “ego” acima dos interesses do povo.

Um novo tarifaço foi anunciado na quinta-feira (23). A nova tarifa de 12,5% foi aplicada pelos EUA sob a justificativa de uso de trabalho proposto na produção de mercadorias. O Brasil e mais 40 países foram afetados.

O Palácio do Planalto classificou as tarifas como injustas e politicamente motivadas. Lula sugeriu que o governo americano iria favorecer Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial e prometeu que “derrotará” Rubio. Washington rebateu dizendo que as medidas respondem às práticas desleais.

Lula já havia chamado Rubio de “latino-americano frustrado”, alegando que o secretário, filho de imigrantes cubanos, mostrava ressentimento em relação aos governos de esquerda da região. Em outra provocação, desafiou-o a apoiar publicamente a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

Especialista vê riscos de ampliação de conceitos

O ato mais contundente da nova política americana para a América Latina ocorreu em 3 de janeiro, quando forças dos EUA capturaram na Venezuela o ditador Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A prisão deles foi justificada como combate ao narcotráfico e ameaças à segurança nacional.

Em 29 de maio de 2023, Lula recebeu o ditador venezuelano em Brasília, com cerimônia oficial. Na ocasião, o presidente brasileiro afirmou que havia construída “narrativa de antidemocracia e autoritarismo” contra a Venezuela, declaração criticada por líderes da região e assessores de Trump.

Para Natália Fingermann, professora de Relações Internacionais da ESPM, é cedo para concluir que o discurso de Rubio representa uma ameaça à política brasileira. Segundo ela, o governo Lula situa-se mais próximo do centro-esquerda e não se enquadra no conceito de esquerda radical usado pelos EUA.

Ela alerta, porém, que conceitos políticos podem ser ampliados conforme interesses estratégicos. Dessa forma, categorias como “extrema-esquerda” ou “terrorismo” requerem critérios para evitar que atinjam rivais políticos e restrinjam as liberdades de expressão ou de organização.

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