A polarização política contaminou nos últimos anos vários setores da sociedade – e o jornalismo, infelizmente, não escapou a esse fenômeno. Tornou-se comum veículos de mídia realizarem coberturas ou repercutirem o noticiário distorcendo informações a partir de lentes ideológicas. Ocorre que os fatos são coisas teimosas, conforme disse John Adams, segundo presidente dos Estados Unidos. “Quaisquer que sejam seus desejos ou inclinações ou os ditames de sua paixão, eles “não podem alterar o estado dos fatos e da evidência”, completou ele.
A última reportagem de capa de VEJA, Primeiras Confissões, é um exemplo de como os fatos de impõem, mesmo em meio a tentativas desastradas de negação de evidências ou de desesperadas ações para espalhar desinformação. Após a publicação da reportagem do editor Robson Bonin com áudio e documentos mostrando que Daniel Vorcaro afirma ter dado recursos a Lula e ao Instituto Lula, como “pedágio” para fazer negócios dentro do governo, em denúncia que envolve o ex-tesoureiro do PT e o ministro Alexandre Padilha, VEJA começou a ser alvejada por uma grande campanha de fake news. Apesar dos ataques, incluindo os de blogs ativistas de esquerda e de autoridades do governo, a consistência da apuração e a gravidade do que foi relatado não puderam ser ignoradas.
Assim, a verdade resistiu e aparece aos olhos de todos, de forma cristalina. Sim, o áudio é de Vorcaro, informação confirmada pelo advogado do ex-banqueiro. Sim, as graves denúncias de Vorcaro foram levadas por meio de sua defesa à Procuradoria Geral da República, conforme comprova o áudio divulgado por VEJA. Sim, Vorcaro não prestou esse depoimento à Polícia Federal, algo que a reportagem nunca afirmou. Sim, como demonstra a matéria, o relato de Vorcaro sobre ter pago dinheiro ao documentário de Lula e ao Instituto Lula para fazer negócios dentro do governo encontra lastro em provas. Várias mensagens publicadas mostram que Alexandre Padilha e o gabinete do ministro abriram as portas dos fundos de pensão estatais ao banqueiro e estenderam a ele o tapete vermelho em instituições como o Postalis, dos Correios.
As teorias da conspiração surgidas após a divulgação da reportagem tiveram vida curta, a exemplo da fake news de que o publisher da Editora Abril havia se encontrado com o Vorcaro em um jantar dias antes da publicação da matéria. A ideia de quem espalhou essa mentira era atribuir a VEJA a intenção de favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro, dentro de uma crença equivocada de que a revista atua ao lado do bolsonarismo. A respeito disso, uma voz insuspeita e respeitada do jornalismo internacional, a do repórter Glenn Greenwald, responsável por furos como a da cobertura que ficou conhecida como Vaza-Jato, declarou que retratar VEJA “como uma revista antilulista e pró-Bolsonaro é uma completa piada, desmentida pela própria atuação da publicação ao longo de muitos anos”.
Como exemplo disso, Glenn citou a colaboração entre ele e VEJA na época da Vaza-Jato. “Os dois primeiros veículos jornalísticos com os quais compartilhamos o arquivo da Vaza Jato foram a Folha e a VEJA”, relatou o jornalista. “Os dois foram extremamente contundentes ao denunciar Sergio Moro e sua conduta. Mas a VEJA foi especialmente agressiva ao atacar o processo que levou à condenação de Lula: às vezes, chegou a ir além dos limites que nós mesmos adotávamos na linguagem usada para condenar Moro.” Naquela cobertura, recordou Greenwald, VEJA publicou pelo menos duas capas “atacando Moro por sua atuação no caso de Lula e em outros processos da Lava Jato” e, à época, na seção Carta ao leitor, pediu desculpas por ter sido “excessivamente favorável a Moro, sem o devido espírito crítico”.
De fato, o apartidarismo é um dos pilares fundamentais de VEJA. Não temos compromisso com partidos e lideranças políticas. Elas podem ser elogiadas e criticadas, a depender de suas ações, conforme fizemos não apenas no caso de Moro, mas em inúmeras outras oportunidades na história recente. Jair Bolsonaro foi criticado em capas de VEJA pela lamentável atuação de seu governo na pandemia, incluindo os escândalos que geraram atrasos na compra de vacinas. VEJA também foi o primeiro veículo a publicar em uma capa o pendor autoritário dele e, tempos depois, revelou o roteiro do golpe, peça fundamental no julgamento realizado no STF.
Foi VEJA também que mostrou contradições importantes nos relatos da testemunha mais importante do caso, o delator Mauro Cid. Por falar no Supremo, devido a uma importante decisão da Corte, Lula recuperou os direitos políticos, tema de uma capa de VEJA de abril de 2021, com o título De volta ao jogo. Antes disso, em outubro de 2019, VEJA já destacava que a força política do petista continuava intacta, a despeito da prisão, o que o credenciava para ser um personagem influente nas eleições de 2022. Em uma capa mais recente, VEJA destacou que, dentro de sua estratégia de distribuir dinheiro sem pudores ideológicos, Vorcaro havia enviado dinheiro para os filmes de Jair Bolsonaro, Michel Temer e Lula. Como se sabe, a nova capa de VEJA acrescentou mais detalhes a essa história.
Esses e outros exemplos mostram que levamos a sério o compromisso com o jornalismo independente, com a defesa das instituições e com a defesa de ideias, com a do livre mercado. Não é a primeira vez que VEJA foi atacada por seguir com firmeza esses preceitos. Nem será a última.
Seguiremos firmes na nossa missão: a busca da verdade.
Fonte: ABRIL – ÚLTIMAS NOTÍCIAS

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