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6 pontos para entender a teia que liga Toffoli a Vorcaro

Por Redação
13 de fevereiro de 2026
Em Notícias
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6 pontos para entender a teia que liga Toffoli a Vorcaro
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Telefonemas, um convite pessoal para festa de aniversário e conversas sobre pagamentos estão entre os novos elementos descobertos pela Polícia Federal que ligam o banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Eles se somaram a outros elementos, como uma viagem de jatinho ao Peru feita pelo ministro em companhia de um advogado ligado ao Banco Master e as dificuldades impostas por Toffoli às investigações da Polícia Federal.

Esses elementos não só colocaram em questão a imparcialidade e fizeram o magistrado abrir a mão do julgamento do caso Master, como podem ser fingidos de possíveis crimes praticados pelo ministro. Toffoli nega ter recebido dinheiro ilícito e diz que não tem relação de intimidação com Vorcaro ou seus familiares.

Para o advogado constitucionalista Adriano Soares da Costa, não há apenas “elementos suficientes para se avaliar a imparcialidade do ministro”, mas também para se iniciar um processo para avaliar se Toffoli deve permanecer no STF. Na avaliação do jurista, o aspecto mais sensível é que a PF teria cumprido o dever de comunicar ao presidente do Supremo apelos de possível prática criminosa envolvida um membro da Corte.

Para ele, a República brasileira jamais enfrentou situação semelhante, e os instrumentos possíveis seriam um processo de impeachment no Senado ou uma atuação interna do próprio tribunal.

Para tentar conter a crise, os ministros do STF decidiram que Toffoli abrisse a mão do comando do inquérito, mas não seria investigado por suspeita. Essa faz solução com que as descobertas obtidas pela polícia até agora não sejam invalidadas, mas não é claro se as descobertas da PF em relação a Toffoli serão investigadas ou engavetadas por ordem da Corte.

Veja abaixo os cinco pontos importantes que ligam o magistrado ao Vorcaro e ao Banco Master.

1. Telefonemas diretos entre Toffoli e Vorcaro e convite para aniversário

O relatório da PF sobre as ligações de Vorcaro e Toffoli tem cerca de 200 páginas e é baseado em grande parte em informações extraídas de seis celulares de Vorcaro tanto na primeira quanto na segunda fase da operação Compliance Zero.

Há registros de ligações diretas de aparelhos de Vorcaro para o telefone de Toffoli, mas como não havia ordem judicial as conversas não foram monitoradas e não é possível saber o que foi falado.

Entre os dados extraídos dos celulares está um convite feito por Toffoli a Vorcaro para uma festa de aniversário. Os investigadores registraram o episódio como indicativo de proximidade pessoal — elemento que extrapolaria eventual relação institucional. O apelo se soma a relatos de testemunhas sobre visitas feitas no passado por Toffoli a Vorcaro.

Toffoli divulgou duas notas sobre o caso. Em uma delas classificou as informações apuradas pela PF como “ilações” e em outra disse que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”.

2. Conversas sobre pagamentos a Toffoli

O relatório da Polícia Federal também negocia nos aparelhos eletrônicos conversas entre Vorcaro e terceiras pessoas que falam de forma cifrada a pagamentos feitos pelo grupo do banqueiro ao ministro do STF, além de registros envolvendo o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.

Após a divulgação dessas informações, o gabinete de Toffoli divulgou uma nota afirmando: “o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.

Zettel se liga ao caso por causa do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). Esse hotel de luxo pertence à empresa Maridt Participações, que tem como sócios o próprio Toffoli e seus irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli. Zettel é o dono do Fundo Arllen, que comprou parte da participação da Maridt no empreendimento.

Segundo fontes ligadas à investigação, há menções de pagamentos a Toffoli, mas ainda não teria sido investigado se esses pagamentos realmente aconteceram e quais seriam os valores referenciados.

3. Toffoli é sócio da empresa que vendeu participações no resort a cunhado de Vorcaro

Após a divulgação da informação de que um celular de Vorcaro continha menções de pagamentos a Toffoli, o ministro divulgou nota afirmando pela primeira vez em público que é sócio da Maridt participações.

A nota dá detalhes de como as participações no resort Tayaya já não pertenceram à família de Toffoli quando ele herdou a relatoria do caso Master. Ele também afirmou que sempre declarou sua participação societária e que recebeu apenas dividendos legais.

Toffoli ressalta na nota que “a Maridt é uma empresa familiar” constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado e devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal, sendo “sempre devidamente aprovadas”.

A participação da firma no Tayayá foi vendida a dois fundos. A primeira transação ocorreu em 27 de setembro de 2021 e o comprador foi o Fundo Arllen, de Zettel, cunhado de Vorcaro.

A segunda venda aconteceu em 21 de fevereiro de 2025, em favor da PHD Holding, empresa que pertence ao empresário e advogado Paulo Humberto Barbosa, que atua para a JBS, processadora de alimentos da J&F Holdings, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

O ministro também ressaltou que só assumiu a relatoria do caso em novembro de 2025. “Ou seja, quando há muito a Maridt não fez mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro”, disse em uma das notas.

4. Ministro foi ao Tayayá após venda, mas se conteve após ações da PF

Toffoli afirmou em nota que a Maridt vendeu sua última participação no resort Tayaya em fevereiro de 2025. Mas ele continuou frequentando o local com frequência pelo menos até agosto do ano passado, segundo um levantamento feito pela Gazeta do Povo nas tabelas de lançamento de servidores do TRT2 para acompanhar o ministro. Esses registros oficiais mostram as diárias de segurança que acompanharam o ministro ao hotel de luxo.

Toffoli passou pelo menos 100 dias no local entre de dezembro de 2022 a agosto de 2025, época em que a Polícia Federal abriu o cerco ao Master, tanto com a Operação Carbono Oculto em agosto e depois com a Compliance Zero em novembro. O ministro não foi mais ao Resort Tayayá com seguranças nesse período.

Uma equipe de reportagem do portal Metrópoles foi ao resort nesse ano e apurou que Toffoli ainda realizou uma festa no fim de 2025 no local. O resort operava um cassino com máquinas de caça-níqueis e mesas de pôquer, e era chamado por funcionários do “resort do Toffoli”, segundo a reportagem.

5. Condução do caso por Toffoli gerou atritos com a PF

Decisões atípicas de Toffoli na condução do caso Master geraram uma série de atritos com a Polícia Federal e deram origem a dúvidas sobre sua imparcialidade como relator.

Toffoli assumiu a relatoria após pedido da defesa de Daniel Vorcaro para que o caso fosse remetido ao STF, sob o argumento de que havia menção ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), detentor de foro privilegiado.

Na condução do processo, Toffoli centralizou no STF a custódia das provas e as oitivas, determinou a realização de acareação antes de alguns depoimentos e elaborou perguntas próprias aos investigados — procedimentos considerados atípicos por membros da investigação.

Inicialmente, também restringiu o acesso da Polícia Federal aos materiais apreendidos — entre eles, celulares e documentos — recuando posteriormente para permitir a atuação do Ministério Público Federal e a realização de perícia com equipe limitada a quatro agentes.

Por fim, impede prazos para depoimentos e novo cronograma de diligências solícito, medida vista por membros da corporação como exígua diante da complexidade do caso.

Esse conjunto de decisões passou a integrar o panorama de fundo da crise que culminou na desistência do ministro da relatoria.

6. Ministro encarregado ao Peru com advogado ligado ao Master

No mesmo dia em que determinou o sigilo da investigação, o ministro dirigiu ao Peru em comissão de um empresário e de um advogado ligado ao Banco Master para acompanhar a final da Libertadores. O episódio passou a ser relatado nos bastidores como fator adicional de desgaste.

Veja a última nota do gabinete de Toffoli

Veja abaixo na íntegra a última nota do gabinete do ministro Dias Toffoli sobre as descobertas da Polícia Federal a partir da quebra da criptografia dos celulares apreendidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro:

A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, registrada legalmente na Junta Comercial e com prestações de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como seus acionistas, sempre foram aprovadas.

O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada pelos parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.

A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.

Deve-se ressaltar que tudo foi declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro do valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.

A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro.

Além disso, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como nunca teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.

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Tags: BrasilentenderGazeta do PovoligamundoNotíciasparapolíticapontosTeiaToffoliVorcaro
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