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Duelo entre Argentina e Inglaterra é prova de fogo contra o racismo

Por Redação
15 de julho de 2026
Em Esportes
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Duelo entre Argentina e Inglaterra é prova de fogo contra o racismo
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


A seleção inglesa de futebol entra em campo nesta quarta-feira (15) contra a seleção da Argentina, às 16h, e os olhos do mundo se voltam tanto para a experiência Lionel Messi, da albiceleste, que faz última sua Copa do Mundo, quanto para a estrela inglesa, o meio-campo Jude Bellingham.

Aos 23 anos, ele superou hostilidades em seu país e se tornou um íconecuja torcida a homenageia cantando a canção dos Beatles Ei Judasuma das mais famosas da banda de rock.

Bellingham, um negro, que saiu cedo do país, fez uma onda de críticas, ao ser convocado, até se destacar em campo, sendo decisivo na vitória contra o México, marcando dois dos três gols da vitória, no domingo (5), no Estádio Asteca.




Meio-campista da seleção da Inglaterra Jude Bellingham – Foto: Reuters/Molly Darlington/direitos reservados

Fora dos gramados, Jude também tem se sobressaído pela voz firme contra o racismo, dirigido a si e aos colegastendo, antes da Copa, apoiado outras vítimas, como o jogador brasileiro Vini Jr., com quem joga lado a lado no campeonato espanhol.

Messi, por sua vez, vem sendo questionado por não se posicionar ao contrário a atos racistas, inclusive, de parte da torcida argentina, registrada duas vezes neste mundial. Uma contra um influenciador negro na arquibancada, IShowSpeed, e outra, contra torcedores egípcios.

Ao jornal O GuardiãoBellingham confessou que recebe mensagens racistas na maioria dos jogos. A quantidade, contorno, varia de acordo com seus resultados em campo.

“Não acho que exista uma única profissão no mundo em que você mereça ser criticado por racismo”, lamentou. “Mas, sabe, esse é o mundo em que vivemos e é por isso que precisamos fazer mais. As pessoas no poder precisam fazer mais”, acrescentou.

O apoio das torcidas aos jogadores de diferentes origens, minorias étnicas, principalmente negros, varia de acordo com o resultado das partidas, confirma Marcelo Carvalho, diretor-executivo da organização brasileira Observatório da Discriminação Racial no Futebol.

Ele vê avanços no combate ao racismo no futebol inglês, que está “à frente de muitos países” por ter lançado, em 2021, um plano ousado. Porém, suspeita do apoio a Bellingham.

“Não torço para a Inglaterra perder, mas, se perder, veremos se esse apoio vai continuar”, avalia.

“Temos exemplos nesta Copa de jogadores holandeses, que perderam e foram ofendidos”, lembrou o diretor.

“Isso também já aconteceu na Inglaterra, em 2021. Os ataques surgem na derrota”, disse.

Ao observar os casos de racismo no mundo, o especialista ressaltou ainda que, pela postura fora de campo, de se posicionar em causas, uma parte do público do futebol tenta colar em Jude uma imagem de “arrogante”o que acontece com muitos homens negros.

“As pessoas querem ver negros demonstrando subordinação. A partir do momento que você se posiciona e usa a sua voz, você desafia a ordem”, explicou.




O jogador Vini Jr. é alvo constante de discriminação racial – Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O racismo é um tema que marcou esta edição da Copa. Jogadores holandeses, alemães e mesmo ingleses, foram alvo de insultos. Grandes nomes, como o francês Kyllian Mbappé, sofreram insultos diretos, cânticos racistas foram entoados por torcedores e ainda houve o veto dos Estados Unidos, país sede da competição, à entrada no país do julgado somali Omar Abdulkadir Artan.

Longe dos gramados, os números comprovam o cenário. A Fifa acordos e removeu 89 mil publicações abusivas nas redes sociais durante a fase de gruposum aumento de 13 vezes em relação à edição de 2022, no Catar.

O registro foi feito pelo Serviço de Proteção às Redes Sociais, criado na Copa passada, que analisou 6 milhões de publicações. Os comentários racistas foram 11% do total de mensagens ofensivas, revelou o estudo.

Para a organização inglesa Kick it Out, que também monitora casos de racismo no esporte, a ação da Fifa, de monitoramento, é importante, mas maior responsabilização gera confiança para denunciar.

“Temporada após temporada, as pessoas denunciam à Kick it Out número recorde de casos, e é por isso que continuaremos a trabalhar com parceiros para garantir que existam políticas mais eficazes para lidar com esses problemas generalizados”, disse a entidade, em um posicionamento público em seu site.

As organizações civis cobram “um esforço coordenado em escala global”, com auxílio da Fifa, que criou o protocolo Vini Jr., avaliando que o problema exige mais de entidades do futebol, autoridades nacionais e internacionais.

Apesar da existência do protocolo claro, na primeira semana da copa um julgado de vídeo foi alvo de acusações após um gesto racista conhecido. Ele usou os dedos para fazer um símbolo comum entre supremacistas brancos.

A Fifa investigou o caso, mas concluiu que o ato não foi intencional. Até agora, tampouco a torcida Argentina fez avaliações.




Premier League lançou um plano para combater o racismo no futebol e na sociedade – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Política antirracista

Para a semifinal entre Argentina e Inglaterra, Marcelo Carvalho, diretor-executivo da organização brasileira Observatório da Discriminação Racial no Futebol, espera que, além de destacar jogadores, seja possível dar visibilidade a importantes iniciativas do futebol inglês, como a política antirracista da Premier League, a primeira divisão do futebol inglês.

“A Inglaterra está um passo à frente de todos os países no combate ao racismo no futebol”, afirma Marcelo Carvalho.

Desde a derrota na Eurocopa, em 2021, a liga de futebol inglesa Premier League lançou um plano para combater o racismo no futebol e na sociedade.

“A mensagem é clara: não há espaço para o racismo. Em lugar nenhum”, afirma a entidade, em seu site.

A liga planeja ações de médio prazo e trabalha com clubes, torcedores, organizações da sociedade, como a Kick it Out, o sindicato dos jogadores, escolas e a polícia, para coibir os ataques. Eles chegaram a identificar autores de ofensas racistas nas redes sociais, cobrando medidas contra os autores.

A entidade também dá treinamento para juízes, incentiva ações afirmativas nos clubes, principalmente para incluir mulheres e britânicos de origem asiática, além de fazer campanhas nos dias de jogo.




Fifa acordos e removeu 89 mil publicações abusivas nas redes sociais durante a fase de grupos – Foto: Reuters/Arnd Wiegmann/direitos reservados

“No campeonato inglês, vemos mensagens contra o racismo em todos os jogos e também contra a LGBTfobia”, disse Carvalho.

“A Inglaterra está à frente entre os países e, talvez, por isso, jogadores como Bellingham consigam se posicionar”, afirmou.

A liga também mantém um site para que torcedores relacionem casos de discriminação que são investigados por especialistas e levados ao Estado inglês.

“Temos avançado, mas devemos manter certa a restrição da discriminação com confiança e consistência”, afirma a organização inglesa Kick it Out.

Tags: Argentinacontradueloentrefogoinglaterraprovaracismo
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