O Espaço de celebração esportiva e encontro entre povos, a Copa do Mundo de 2026 também foi marcado por polêmicas e polêmicas que extrapolam o futebol, colocando em evidência os efeitos das políticas internas e externas de um de seus países-sede, os Estados Unidos.
Do ponto de vista externo, a guerra dos EUA contra o Irã, que também participa da competição, tem implicado em dificuldades para o país visitante, a ponto de sua delegação chegar a ser proibido de pernoitar em território estadunidense.
Do ponto de vista interno, a política migratória inventada pelo presidente Donald Trump tem causado problemas para delegações, torturadores e até mesmo para a arbitragem da competição.
Diante da situação, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) buscou, nos períodos que antecederam a Copa, negociar com autoridades dos EUA a flexibilização de algumas regras durante o torneio, de forma a reduzir algumas das barreiras impostas pelo controle migratório daquele país.
Apesar do esforço – e diante do fato de uma entidade atuar mais como mediadora do que como decisão – são muitos os relatos de dificuldades para a entrada de fãs, delegações e outros profissionais do esporte no país.
Para além disso, há também questionamentos sobre custos de ingressos e organização, o que reforça as expectativas de que a Copa será marcada por tensão que vai além do futebol.
Delegação Iraniana
As polêmicas por conta das políticas migratórias dos EUA surgiram muito antes da Copa. Entre as delegações que tiveram mais problemas, o de maior destaque é o do Irã, país contra o qual os EUA declararam guerra.
As discussões foram feitas meses antes do evento, com a dificuldade dos jogadores iranianos para obterem visto, o que só aconteceu nas vésperas do torneio. Integrantes da comissão técnica e dirigentes foram impedidos de viajar para os EUA, a tempo de possibilitar uma preparação adequada da equipe.
Para piorar, a delegação iraniana foi proibida de se hospedar no estado norte-americano do Arizona, conforme era previsto inicialmente. Vale lembrar que as três partidas iniciais do Irã serão disputadas em território estadunidense.
A solução adotada emergencialmente foi a de mudar a base da delegação para a cidade de Tijuana, no México. Na sequência, o governo dos EUA informou que não permitiria que uma delegação pernoitasse nos EUA, antes ou após as partidas. Essa decisão, no entanto, foi revista, de forma a permitir o pernoite da equipa na noite anterior a cada partida.
Os torcedores iranianos também encontraram dificuldades para participar do maior evento futebolístico do planeta. Há, segundas agências internacionais, relatos de torcedores iranianos que tiveram suas entradas canceladas alguns dias antes do início do mundo.
Aymen Hussein
Um outro caso polêmico envolve o jogador iraquiano Aymen Hussein. Ele foi retido por várias horas na imigração dos EUA no aeroporto de Chicago, onde passou por um interrogatório específico poucos dias antes do início do mundial.
Considerado destaque da equipe, ele teve o celular funcionando antes de ser liberado para entrar no país.
Hussein não foi o único da delegação iraquiana a ter problemas. O fotógrafo da equipe, Talal Salah, foi impedido de entrar nos EUA, após ficar por mais de 10 horas retido na imigração.
Árbitro barrado
A imigração dos EUA barrou também a entrada daquela que seria o primeiro julgado da Somália a apitar uma partida da Copa do Mundo. Omar Abdulkadir Artan foi considerado “inadmissível” pelas autoridades estadunidenses ao desembarcar no aeroporto de Miami, vindo de Istambul.
Segundo comunicado da alfandega, ele teve uma entrada negada devido a “preocupações com a verificação de antecedentes”. As autoridades, no entanto, não especificaram quais seriam essas preocupações.
Mesmo tendo visto aprovado e sendo oficialmente credenciado pela Fifa, Artan ficou impossibilitado de participar do torneio. A Fifa lamentou o episódio sob o argumento de não ter controle sobre decisões de imigração nos países-sede.
Preço dos ingressos
Outra polêmica da Copa de 2026 envolve o preço cobrado pelos ingressos. Segundo a imprensa internacional, a edição atual é considerada uma das mais caras da história, com preços que vão de US$ 2 mil a US$ 7,8 mil, no caso da final.
Na Copa do Catar, em 2022, o valor do ingresso da final ficou em torno de US$ 1,6 mil. O modelo adotado para o Mundial nos Estados Unidos, Canadá e México segue a lógica tradicional da Fifa de dividir os ingressos por categorias — o que determina tanto o preço quanto a localização do torcedor no estádio.
O ingresso mais barato custa cerca de US$ 60, para a fase de grupos. Eles, no entanto, foram vendidos em quantidade bastante limitada, rendendo a maioria a pagar até US$ 620 para as primeiras partidas.
Para as fases eliminatórias, os ingressos chegam a custar mais de US$ 3 mil. Já os preços cobrados para a grande final vão de US$ 2.030 a cerca de US$ 7,8 mil.

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